NOTÍCIAS
18/01/2016 10:32 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Janot analisa se pede ou não a investigação de Beto Richa após novo esquema de corrupção no PR

Ricardo Almeida / ANPr

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, analisa se pede ou não a abertura de investigação contra o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), por conta das mais recentes descobertas da Operação Quadro Negro, capitaneada pelo Ministério Público do Estado (MP-PR). Um depoimento aponta que quase R$ 20 milhões foram desviados para a campanha do tucano em 2014, o que ele nega.

O nome de Richa foi mencionada por três pessoas investigadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). De acordo com uma delas, a assessora jurídica da construtora Valor, Úrsulla Andrea Ramos, a campanha de reeleição do governador e a de outros três candidatos a deputado estadual receberam recursos de dinheiro público, que deveria ter sido gasto em obras em escolas estaduais.

“Esse dinheiro não ficou comigo, esse dinheiro foi feito repasse pra campanha do governador Beto Richa e pra essas três campanhas. Foi o que ele (Eduardo Lopes de Souza, dono da Valor) me disse”, afirmou Úrsulla, em delação premiada firmada com o MP-PR, segundo informações do jornal Gazeta do Povo.

As campanhas mencionadas seriam a do filho do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Durval Amaral, o deputado estadual Tiago Amaral (PSB); de Ademar Traiano (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa (Alep); e de Plauto Miró (DEM).

Outro nome mencionado nos depoimentos prestado aos investigadores é o do secretário estadual de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, irmão do governador. Já o irmão da vice-governadora Cida Borghetti, Juliano Borghetti – cunhado do deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) –, é um dos 15 denunciados por envolvimento no esquema de fraudes.

Conforme mostra a investigação, a Valor Construtora recebeu R$ 20 milhões do governo do Paraná para construir e reformar 10 escolas. Entretanto, várias obras ficaram pela metade ou nem foram iniciadas. Funcionários da Secretaria Estadual de Educação fraudavam laudos.

Já o governador Beto Richa negou participação em qualquer irregularidade. “Estou muito indignado com essas afirmações. Quero dizer que são manifestações e denúncias levianas, infundadas e sem nenhum elemento concreto. Não aceito esse tipo de manifestação”, comentou, em declarações reproduzidas pelo G1. Por ter foro privilegiado, ele só pode ser investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Esse é o segundo escândalo de corrupção em que delatores apontam desvios de recursos públicos para a campanha de 2014 de Richa. No esquema que investiga os desmandos na Receita Estadual – nos dois aparece o nome do primo do tucano, Luiz Abi Antoun –, um dos delatores apontou que R$ 2 milhões teriam sido arrecadados em fevereiro de 2014 para a campanha do tucano.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS:


LEIA TAMBÉM

- Preso no PR o cunhado de deputado que votou a favor de Cunha no Conselho de Ética

- Governador Beto Richa é notificado em processo que investiga agressão a professores no PR

- Acusado de violência doméstica no PR, suplente pode assumir vaga na Câmara em 2016

- De Aécio a Eduardo Jorge: Por que o senador Álvaro Dias trocou PSDB por PV