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Como os líderes mundiais podem diminuir a desigualdade econômica em 7 ações, segundo o relatório da Oxfam

18/01/2016 17:49 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/Getty Images

A dois dias do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, a ONG Oxfam publicou um relatório com dados preocupantes sobre a desigualdade econômica: a riqueza acumulada por 1% da população mundial superou a dos 99% restantes em 2015.

Segundo o relatório, as 62 pessoas mais ricas do mundo têm tanto capital quanto a metade mais pobre da população mundo. A riqueza destes 62 mais ricos aumentou 44% desde 2010, enquanto a riqueza dos 3,6 bilhões mais pobres caiu 41%.

"A preocupação dos líderes mundiais sobre a crescente crise da desigualdade até agora não se traduziu em ações concretas - o mundo se tornou um lugar muito mais desigual e a tendência está se acelerando", disse a diretora-executiva da Oxfam International, Winnie Byanima, em um comunicado que acompanha o estudo.

"Não podemos continuar a permitir que centenas de milhões de pessoas passem fome enquanto os recursos que poderiam ser usados ​​para ajudá-las são sugados por aqueles no topo."

O relatório também citou ações importantes que empresários, líderes e governantes poderiam tomar para diminuir este "gap" entre os mais ricos e os mais pobres.

A principal delas seria a o fim dos chamados "paraísos fiscais". A estimativa é que cerca de US$ 7,6 trilhões dos indivíduos mais ricos estão em contas offshore e, se fosse pago imposto sobre esta renda, geraria um adicional de US$ 190 bilhões disponível para os governos a cada ano, de acordo com o professor assistente da Universidade da Califórnia em Berkeley, Gabriel Zucman.

Cerca de 30% de toda a riqueza financeira da África é mantida no exterior, o que representa uma perda de US$ 14 bilhões de dólares em receitas fiscais todos os anos. Com esta quantia, seria possível pagar pelos cuidados de saúde, salvar 4 milhões de vidas de crianças por ano e empregar professores suficientes para todas as crianças africanas estudarem nas escolas, de acordo com a Oxfam.

Veja outras recomendações da organização para diminuir a disparidade econômica no mundo:

  • Pagar aos trabalhadores um salário digno e acabar com o "gap" com as recompensas entre executivos e funcionários

Segundo a Oxfam, as companhias estão ganhando lucros recordes em todo o mundo e as recompensas (como bônus, PLR e ações) para os executivos aumentaram rapidamente, enquanto mais pessoas estão sem um salário digno e sem condições decentes de trabalho.

De fato, os CEOs das maiores companhias do mundo podem ganhar até mil vezes mais que seus funcionários. Como era o caso do então CEO do Wal-Mart dos EUA, Michael Duke (substituído pelo atual Carl Douglas "Doug" McMillon), que recebeu em 2013 um salário anual de US$ 23 milhões, enquanto um colaborador da varejista ganhava US$ 22.400 por ano, segundo a Fortune.

"Os compromissos devem incluir: o aumento do salário mínimo, no sentido de pagar um salário 'digno'; transparência sobre a proporção dos pagamentos; e proteção dos direitos dos trabalhadores à sindicalização e de greve", especificou a ONG.

  • Promover a igualdade econômica entre homens e mulheres e assegurar seus direitos

"Políticas econômicas devem abordar a desigualdade econômica e a discriminação de gênero", sugere o relatório, acrescentando a o fim da disparidade de salário entre homens e mulheres e levantamento de dados para avaliar a forma como as mulheres e meninas são afetadas pelas políticas econômicas.

Segundo a OCDE (Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico), o salário médio de uma mulher brasileira com educação superior representa apenas 62% do de um homem com a mesma escolaridade. A porcentagem posiciona o Brasil, empatado com o Chile, no primeiro lugar do ranking de maior discrepância de renda entre gêneros no mercado de trabalho.

  • Combater a influência de elites poderosas

Os governantes precisam trabalhar duro para garantir que os processos de formulação de políticas tornam-se menos propensos a beneficiar os interesses de empresários, investidores e de outras elites e priorizar o bem-estar da população.

Algumas das ações citadas pela Oxfam são criar regras, leis e punições mais rigorosas sobre conflitos de interesse; garantir o acesso às informações sobre processos administrativos e orçamentários dos municípios, estados e União; e mais transparência nos governos, incluindo sobre o financiamento de campanha.

  • Deixar os medicamentos mais acessíveis à população

De acordo com a Oxfam, a indústria farmacêutica se beneficia do Sistema de Patentes, dando às empresas do setor um monopólio sobre a fabricação e fixação de preços de medicamentos. "Isto aumenta a disparidade entre ricos e pobres e coloca as vidas em risco", comenta.

Ela sugere um novo tratado global de patentes e aumento do investimento em medicamentos, incluindo em genéricos com preços acessíveis.

"As companhias farmacêuticas tentam justificar os altos preços pelos custos de pesquisas e desenvolvimento, ignorando o fato de que os estudos iniciais e até mesmo alguns ensaios clínicos são geralmente financiados pelo governo. O financiamento em pesquisa e desenvolvimento deve ser desvinculados dos preços dos remédios."

  • Distribuir os impostos de acordo com as classes sociais

Como o relatório comprovou, grande parte da riqueza mundial é concentrada nas mãos de poucos. A Oxfam afirma que enquanto a população paga muita carga tributária, as empresas e pessoas mais ricas pagam muito pouco imposto, proporcionalmente.

Segundo um estudo recente da Fiesp sobre impostos no Brasil mostra que famílias que ganham até dois salários mínimos gastam uma parcela bem maior (46%) de sua renda para pagar tributos embutidos nas despesas de consumo em relação àquelas que ganham acima de 25 salários mínimos (18%).

  • Usar os recursos públicos para combater a desigualdade

"Priorizar políticas, práticas e gastos que aumentem o financiamento para a saúde e educação gratuitas com o intuito de combater a pobreza e, consequentemente, a desigualdade em nível nacional", sugere a ONG.

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