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Unidas no aumento da tarifa, gestões Haddad e Alckmin se distanciam após violência em atos do MPL em SP

15/01/2016 10:01 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/Eduardo Saraiva/A2img e SSP

Unidos para anunciar o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo, o prefeito da capital, Fernando Haddad (PT), e o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), já não parecem mais tão próximos após os episódios de violência e repressão da Polícia Militar nos atos deste ano do Movimento Passe Livre (MPL). Há críticas de lado a lado.

Na última quarta-feira (13), o secretário municipal de Direitos Humanos, Eduardo Suplicy, questionou a “forma tão violenta com que a PM reprimiu as manifestações em São Paulo”, em postagem publicada na sua página no Facebook. O ex-senador do PT foi o nome indicado por Haddad nesta semana para fazer a interlocução com as lideranças do MPL.

Terei hoje novo diálogo com o Promotor de Justiça Eduardo Valério sobre a forma tão violenta com que a PM ontem reprimiu...

Publicado por Eduardo Suplicy em Quarta, 13 de janeiro de 2016


No mesmo dia, Haddad declarou que as cenas de violência “eram incompatíveis com a cidade”, sem abertamente apontar agressores ou agredidos. O tom ameno, porém, foi se desconstruindo dentro e fora dos bastidores entre a prefeitura e o Palácio dos Bandeirantes, que não digeriu bem o pedido de mediação feito pelo prefeito ao Ministério Público (MP-SP).

Seguindo essa dinâmica, no 3º Ato Contra o Aumento da Tarifa, realizado na tarde desta quinta-feira (14), Suplicy se mostrou solidário a uma das vítimas da repressão policial da manifestação anterior, após uma postagem na qual ele dizia “as razões de os representantes do MPL não terem ido à reunião no MP em protesto às ações violentas da PM”.

Quando a manifestação do Movimento Passe Livre passou em frente à Secretaria de Direitos Humanos, desci à rua para...

Publicado por Eduardo Suplicy em Quinta, 14 de janeiro de 2016


O movimento de Haddad não passou desapercebido por Alckmin e seus aliados. Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo desta sexta-feira (15), o petista e o tucano se estranharam depois da violência registrada nos dois primeiros atos do MPL e a grande repercussão dos episódios. Para a gestão Alckmin, Haddad quer se desvincular de um aumento de tarifa que “é dele”.

“Não dá para tirar casquinha. Se o Haddad quiser, pode revogar”, afirmou ao jornal o vice-governador de SP, Márcio França (PSB). Nos bastidores, a prefeitura tem posição crítica a como a PM age nestas manifestações envolvendo o MPL. Não por acaso, Haddad enviou para a reunião no MP-SP gente graúda da sua gestão: além de Suplicy, foram ao encontro o secretário de Governo, Chico Macena, e o Controlador-Geral do Município, Roberto Porto.

Já Alckmin deixou a cargo do secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, a discussão do assunto. A posição do Palácio dos Bandeirantes segue sendo a de que as ações policiais foram e são justificadas e que o MPL tem uma posição “antidemocrática” ao não informar o trajeto de seus atos, se recusar a participar de encontros e tolerar os ‘mascarados’ adeptos da tática black bloc.

Também não foi coincidência a crítica do governador de SP ao que chamou de ‘vandalismo seletivo’. “Manifestação legítima e pacífica é positivo, é nosso dever acompanhar e dar segurança. Outra coisa é vandalismo seletivo. É estranho não ter tido nenhuma manifestação quando a energia elétrica subiu 70%. Não teve manifestação quando a inflação passou de 10%”, disse o tucano em entrevista nesta quinta-feira, em clara direção ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

Em ano de eleições municipais, a gestão Haddad e o próprio PT temem que a violência policial ajude a fomentar ainda mais os protestos em 2016 – uma preocupação que, inclusive, já chegou ao Palácio do Planalto, já ‘vacinado’ após as Jornadas de Junho de 2013.

“Uma situação de confronto e violência é o que pode dar maior fôlego ao movimento. Tanto é que hoje a discussão hegemônica não é da tarifa e, sim, se houve violência policial, se houve depredações”, comentou à Folha o secretário Chico Macena.

Alheio ao embate político, o MP-SP convocou uma nova reunião para a próxima segunda-feira (18), às 10h, na sede da Procuradoria, com autoridades e representantes do MPL. A promessa do procurador Márcio Fernando Elias Rosa é de que encontros separados entre os manifestantes e enviados de Haddad e Alckmin serão promovidos, a fim de definir algumas diretrizes para novas manifestações – o MPL convocou o 4º Ato para o dia seguinte, dia 19, às 17h, com concentração no cruzamento das avenidas Faria Lima e Rebouças.

Sob chuva, protesto quase todo pacífico e com ‘catracaço’ no Butantã

Correu quase sem nenhum incidente o 3º Ato do MPL, realizado com duas frentes distintas na tarde desta quinta-feira na capital paulista. Horas antes do início das duas caminhadas, uma saindo do Largo da Batata, em Pinheiros, e outra deixando o Theatro Municipal, o MPL divulgou os trajetos que seriam percorridos. Com forte aparato, a PM acompanhou os manifestantes embaixo de chuva pelas ruas da capital.

A tensão era forte entre policiais e manifestantes, mas sem grandes incidentes – uma explosão próximo à Praça Panamericana, no sentido do Butantã, quase pôs fim à paz. Nas duas passeatas eram vistos vários ‘mascarados’, que eram monitorados de perto pelos policiais. De acordo com o MPL, foram 6 mil pessoas no ato do centro e 5 mil na zona oeste. A PM estimou apenas o público da região central, em 2,5 mil pessoas.

No protesto que terminou na estação Butantã, da Linha 4-Amarela do metrô, houve um temor de violência em razão do fechamento da estação, impedindo que os manifestantes se dispersassem. Havia o temor de que ocorresse um ‘catracaço’, nome dado ao ato de pular a catraca sem pagar a tarifa. Após uma negociação com seguranças, a estação reabriu sem a intervenção da polícia.

Manifestantes que conseguiram entrar na estação Butantã antes do bloqueio policial negociaram e liberaram as catracas....

Publicado por Passe Livre São Paulo em Quinta, 14 de janeiro de 2016


A situação foi diferente na estação Consolação, na Avenida Paulista. O grupo que saiu do centro concluiu o ato no vão livre do Masp, mas o fechamento da estação do metrô, que conecta a Linha 2-Verde com a Linha 4-Amarela, causou confusão. Alguns manifestantes queriam pular a catraca e foram impedidos pelos seguranças. Na troca de ofensas e agressões, a PM interveio com bombas de gás, causando pânico para quem estava dentro da estação.

DETENÇÕES NO FINAL DO ATOO ato contra o aumento da tarifa do transporte público na Av. Paulista já chegava ao final e...

Publicado por Jornalistas Livres em Quinta, 14 de janeiro de 2016


Fora dela e durante todo o protesto, oito pessoas foram detidas por depredação, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública. A pasta alega ainda que dois dos detidos na Paulista portavam uma bomba, que pretendiam detonar dentro da estação Consolação. No Butantã, a secretaria informou inicialmente que um manifestante teria sido preso por puxar o freio de emergência de um dos trens e interromper a circulação, o que foi posteriormente corrigido pela pasta.

Presos sem mandado têm soltura autorizada pela Justiça

O ativista Manoel Chaves Braga e outras duas pessoas presas na última segunda-feira (11), detidas sem mandado de prisão pela polícia de SP, tiveram os seus alvarás de soltura autorizados pela Justiça. O pedido de relaxamento foi feito por representantes do coletivo Advogados Ativistas, que apontaram que as detenções foram ilegais.

ATUALIZAÇÃO SOBRE DETIDOS NO PRIMEIRO ATO CONTRA O AUMENTO DA TARIFAOs alvarás de soltura foram expedidos e Manoel...

Publicado por Advogados Ativistas em Quinta, 14 de janeiro de 2016


O trio foi acusado de ter participado das agressões contra um policial à paisana no ato do dia 8 do MPL, além de supostamente terem sido responsáveis pelo roubo do celular do agente – este agredido, segundo os manifestantes, por ter espancado um manifestante momentos antes sem nenhuma razão aparente.

ATUALIZAÇÃO EM 15/01/2016: A assessoria da Linha 4-Amarela entrou em contato para solicitar a correção da informação repassada pela Secretaria de Segurança Pública. O texto já foi atualizado.

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