ENTRETENIMENTO
15/01/2016 16:14 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

'Making a Murderer': 9 coisas que não estão na série da Netflix que você precisa saber (SPOILERS)

Divulgação

O seriado original do Netflix Making a Murderer virou fenômeno em questão de semanas e está pondo o estado da justiça nos Estados Unidos sob a mira de holofotes intensos.

O documentário em dez capítulos que detalha como Steven Avery foi libertado da prisão depois de ter sido condenado injustamente por agressão sexual violenta, apenas para ser condenado por homicídio em um processo de valor dúbio, também fascinou plateias em todo o mundo.

A ideia de que um homem inocente possa estar na prisão, falsamente incriminado por agentes da justiça por um crime que não cometeu, está gerando não apenas reações de indignação –também levou ao surgimento de um exército de detetives amadores online, todos tentando averiguar a verdade.

A reação – que incluiu um abaixo-assinado enviado à Casa Branca, pedindo que Avery seja perdoado – também levou alguns dos envolvidos com a promotoria a manifestar-se para defender o tratamento dado ao caso.

Tudo isso junto chamou a atenção para várias questões que não foram mostradas no documentário original.

1. Ken Kratz alega que evidências cruciais foram deixadas de fora do seriado, intencionalmente

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O promotor afirma que os criadores de Making a Murderer não querem atrapalhar um filme muito bom de conspiração, revelando o que aconteceu de fato”.

Ele cita o depoimento de uma testemunha, segundo a qual a vítima Teresa Halbach lhe disse que uma vez Avery veio atender a porta usando apenas uma toalha. Essa evidência foi rejeitada pela corte porque não foi possível determinar as datas e os detalhes.

2. O DNA de Steven Avery foi encontrado no capô do carro de Halbach

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De acordo com Kratz, DNA de Avery foi encontrado numa amostra tirada do capô do carro de Halbach. A amostra foi tirada cinco meses depois de Avery ser indiciado e também depois de os investigadores Fassbender e Wiegert terem interrogado Brendan Dassey, quando eles próprios aventaram a ideia de que Avery teria feito alguma coisa com o capô do veículo.

3. Brendan Dassey disse à sua mãe que Steve o bolinou

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Making a Murderer omite um trecho em que Brendan Dassey, em telefonema feito da prisão, diz à mãe dele que Avery o tocou de modo inapropriado. Vale observar, porém, que isso aconteceu na época em que Dassey ainda dizia que a história de seu envolvimento no assassinato era verdadeira. Leia a transcrição integral da conversa aqui.

4. Dois membros do júri tinham vínculos com as autoridades do Condado de Manitowoc County

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O filho de um jurado trabalhava para o Departamento do Xerife do Condado de Manitowoc e a a esposa de outro jurado trabalhava para o escritório de escrivãos do Condado de Manitowoc.

5. Kratz cita telefonemas feitos a Halbach como prova de que Avery teve más intenções em relação a ela

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Ele disse: “Os registros telefônicos mostram que no dia 31 de outubro foram feitas três ligações de Avery para o celular de Teresa. Um às 14h24 e um às 14h35 –nas duas ligações Avery usou o *67, para que Teresa não pudesse identificá-lo. Essas duas ligações foram feitas antes de ela chegar.

“O último telefonema foi às 16h35, sem o *67. Inicialmente Avery acha que pode simplesmente dizer que Teresa nunca apareceu, então ele procura fazer a ligação que seria seu álibi quando ela já tinha ido à casa dele – é a razão da ligação às 16h35. É claro que ela jamais atenderia essa ligação, de modo que ele não precisou usar o *67 para esse último telefonema.”

Mas o segundo capítulo de Making a Murderer começa com uma mensagem que Halbach deixou na secretária eletrônica de Avery na manhã do desaparecimento dela, pedindo para ela retornar a ligação.

6. O promotor Ken Kratz recebeu o diagnóstico de transtorno de personalidade narcisista

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Na ação movida contra Kratz em 2014 pelo Escritório de Regulamentação de Advogados, é revelado que “ele recebeu o diagnóstico de transtorno de personalidade narcisista e buscou tratamento para isso”.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais traz uma lista de sintomas do transtorno, conforme segue:

- Tem uma noção desmesurada de sua própria importância (por exemplo, exagera suas conquistas e seus talentos, espera ser reconhecido como superior sem ter realizações condizentes com a expectativa).

- Alimenta fantasias de sucesso ilimitado, poder, brilho, beleza ou amor ideal.

- Acredita que é “especial” e singular e que só pode ser compreendido ou só deve conviver com outras pessoas (ou instituições) especiais e de status elevado.

- Sente necessidade de admiração excessiva.

- Tem o sentimento de ter direitos inatos, por exemplo, tem expectativas irracionais de receber tratamento especialmente favorável ou de que as pessoas irão automaticamente corresponder às suas expectativas.

- É explorador em suas relações interpessoais, isto é, tira vantagem dos outros para buscar alcançar seus próprios fins.

- Falta-lhe empatia: ele ou ela não reconhece ou se identifica com os sentimentos e necessidades de outros.

- Frequentemente sente inveja de outros ou acredita que os outros têm inveja dele.

- Tem atitudes e comportamentos arrogantes.

7. Steve Avery tinha comprado apenas recentemente os grilhões que foi acusado de colocar em Halbach

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Avery disse que os comprou para usar com sua namorada. Não foi encontrado DNA de Halbach nos grilhões.

8. A especialista em DNA que trabalhou para a promotoria tinha o pior histórico profissional de seu laboratório

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Sherry Culhane foi a testemunha perita em DNA no julgamento de Avery em 2007 e no julgamento original de 1985, do qual acabou sendo exonerado. A defesa citou o histórico profissional da perita, observando que, de todos os peritos do Laboratório Criminal Estadual, em Madison, Culhane é a que teve o maior índice de erros.

9. Ken Kratz disse recentemente que pode haver bases para um novo julgamento

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Em entrevista ao TMZ em 4 de janeiro deste ano, o promotor disse que, se a ciência avançar o suficiente para que seja possível provar que o sangue encontrado no carro de Halbech foi plantado ali, isso será um argumento suficiente para solicitar um novo julgamento.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost UK e traduzido do inglês.

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