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4 golpes certeiros que 'Creed: Nascido para Lutar' dá no espectador

14/01/2016 14:19 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

creed

Funciona um pouco como se Adonis Johnson (Michael B. Jordan) encarnasse o Rocky do filme original de 1976 em Creed: Nascido para Lutar, que estreia nesta quinta-feira (14) por aqui. Parece e é simplista, mas é que os filmes se falam bem.

Ryan Coogler é quem assina o roteiro e a direção da estrada do boxeador Adonis, o Creed do título, para recuperar no ringue a "linhagem" de campeão mundial peso-pesado Apollo Creed, seu pai a quem não conheceu.

Desde que estreou nos Estados Unidos, no final de semana de Ação de Graças, Creed, o sétimo round cinematográfico de Rocky, já faturou mais de US$ 100 milhões (R$ 401 milhões) em bilheteria.

"A paixão do meu pai pelos filmes vem de uma fase que ele lutava pela vida", explicou Coogler, sobre como se aproximou da franquia que agora comanda. E Creed luta. Luta muito. Pelo nome do pai, pelo direito a fazer o que realmente importa para ele e para se recolocar na maré de dúvidas. Deixa Los Angeles bem financeiramente para tentar tudo de novo na Filadélfia, a cidade de Balboa.

O filme dá um novo gás à franquia, presta homenagens, presenteia os fãs, mas não pretende parar nisso. Para entender um pouquinho melhor por que ele tem sido bastante festejado por público e crítica, veja abaixo quatro golpes certeiros da produção.

1. A classe média negra pede passagem


creed



"A maioria dos personagens por aí não foram escritos por nenhum de nós (negros)". É o ator principal lembrando a falta de representatividade crônica no cinema. Os problemáticos estereótipos são os mesmos, ligam sempre os negros à pobreza e à criminalidade. Em Creed é hora de respirar outro ar.


A Filadélfia de Balboa e dos trabalhadores brancos de baixa renda que lutam no ringue ou fora dele abre espaço para a enorme cultura negra local. A cultura de rua entra com tudo: referências musicais (The Roots, um dos filhos pródigos da cidade), a brilhante cena hip hop local, os jovens que aceleram suas motos preparadas e os rabiscos e grafites por quase toda parte.

2. Stallone é coadjuvante brilhante. Patriotismo vazio some


rocky



Não é todo dia que Sylvester Stallone, 69 anos, fatura o Globo de Ouro. Agora ele entra na briga com boas chances para faturar o Oscar também. Mas o papel do Rocky tutor fora do ringue fez bem demais ao veterano e pioneiro da franquia. Stallone sabe que não foi de graça: Agradeceu, via Twitter, ao diretor Coogler. Sobra para Stallone a reviravolta mais interessante do plot.


Michael B. Jordan é entrega física, suor, vontade. Viu Whiplash: Em Busca da Perfeição? Miles Teller tinha bateria para esmurrar. Adonis tem adversários. Um deles não é o ator com quem divide as cenas. "Ei... O personagem é você. Não pense em competir com Rocky".

O murmurante e resmungão Ivan Drago, a caricatura do lutador soviético, não se cria mais. Coogler se centra em conflitos pessoais, num sem número de transtornos emocionais e nas motivações próprias, longe de falar em certo ou errado.

Para subir no ringue, motivos não faltam a adrenalina de trocar uma imensidão de cruzados, jabs e ganchos ou trazer o cinturão de volta para casa. Engraçado ver o patriótico calção de Apollo ser usado por Adonis como um presente do pessoal, não como uma diretriz de vida.

3. Trilha sonora que vale festa

Future, The Roots, John Legend, 2Pac, Joey Bada$$. Conhece alguém que nunca ouviu a trilha original de Rocky: Um Lutador? Ela surge como um sampler em Last Breathe para acabar recontada num rap. As 18 canções estão todas por perto: hip hop, r'n'b, soul, blues e um belo resumão da música negra.

A cerejinha no bolo é a atriz Tessa Thompson, uma das protagonistas no filme como cantora e par de Adonis. Tessa domina a tela e os ouvidos em três canções (Grip, Breathe e Shed You). Mais alguém pensou em FKA Twigs, Nao e Little Dragon?

4. Não é um filme apenas sobre boxe. Ainda que as cenas de luta gritem


creed ringue



"Não tive dias livres", contou Jordan, o protagonista. Como chega ao nível de intensidade dos golpes vistos na tela? "É coreografado ao ponto de entender o alcance do adversário", revela Stallone.

Muita gente já filmou e escreveu sobre boxe. Touro Indomável, de Martin Scorsese, e Menina de Ouro, de Clint Eastwood, por exemplo. Creed tem um caminho próprio nas cenas de luta. Em ao menos três momentos o enredo para e abre a janela para o boxe fluir. Não entra na conta sparrings nem treinamentos. Coogler tem câmera ágil, que invade o ringue.

Detalhe: três boxeadores profissionais (Anthony Bellew, Andre Ward e Gabriel Rosado) e uma equipe especial de treinadores do esporte foram os responsáveis para atingir tal nível de imersão.


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