COMPORTAMENTO

Não podemos nos esquecer disto: David Bowie também é um ícone LGBT

12/01/2016 17:45 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

David Bowie (1947-2016) quebrou barreiras. Na música, na moda, no cinema – mas não podemos nos esquecer de que ele também desafiou os padrões sociais de orientação sexual e identidade de gênero.

Sua beleza andrógina e visuais transgressores deixaram o mundo em estado de choque. Alguém estava mudando a percepção da sociedade sobre os temas.

Em plena década de 1970, ele criou e encarnou o personagem Ziggy Stardust, um alienígena bissexual que também era uma estrela do rock de visual flamboyant.


david bowie 1972


Sua trajetória é narrada no disco The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972), que lançou Bowie ao estrelato em definitivo e mudou o rock.

Àquela época, o comportamento do cantor já era controverso. Isso se devia, entre outros fatores, à ambiguidade de sua orientação sexual.

Para divulgar o disco, Bowie se apresentou no Top of the Pops, famoso programa de TV da BBC. A histórica performance de Starman, carro-chefe de Ziggy Stardust, mudou o universo da cultura pop – e também deixou os conservadores da Inglaterra de cabelos em pé.



Como Bowie reagiu a isso tudo?

Ele não se importou e seguiu em frente, mostrando para a sociedade que é possível você viver sua vida sexual livremente.

"Fora do palco, sou um robô", disse. "No palco, eu alcanço a emoção. Provavelmente é por isso que eu prefiro me vestir como Ziggy a me vestir como David."

No mesmo ano, ele se identificou publicamente como gay em entrevista à Melody Maker: "Eu sou gay. E sempre fui".

Boatos sobre a vida sexual de Bowie a classificavam como agitada e cheia de aventuras.

Dizia-se que ele e sua então esposa, Angela Bowie – com quem teve seu primeiro filho, o cineasta Duncan Jones –, organizavam grandes orgias na cama de um metro e meio de profundidade que tinham em casa, conhecida como "the pit" ("o buraco", em português).

Segundo a esposa, Bowie e Mick Jagger, vocalista dos Rolling Stones, já esteve presente em algumas.

"É verdade – eu sou bissexual", disse o cantor à Playboy em 1976. "Acho que é a melhor coisa que já me aconteceu."

Ainda nos anos 70, boatos sugeriam que ele se envolveu com Romy Haag, ícone transexual europeu considerada musa de Bowie no período em que ele morou em Berlim e gravou a trilogia de álbuns Low (1977), "Heroes" (1977) e Lodger (1979).


david bowie roomy haag


No videoclipe de Boys Keep Swinging, música de Lodger, Bowie encarna drag queens, que aparecem "construídas" em uma passarela e se "desconstroem", tirando a peruca e limpando o batom da boca.

A letra do clássico diz: "Quando você é menino / Outros meninos te olham (...) / Desenjaule as cores / Desenrole a bandeira / A sorte acabou de te dar 'oi' / Quando você é menino".



Em 1983, ele se contradisse novamente, em entrevista para a Rolling Stone:

"O maior erro que já cometi foi dizer ao jornalista da Melody Maker que eu sou bisexual. Cristo, eu era tão jovem, naquela época. Eu estava experimentando".

Nove anos depois, mais uma década após se divorciar de Angela, ele se casou de novo, desta vez com a modelo Iman:



No ano seguinte, ele disse à Rolling Stone: "Sempre fui um heterossexual no armário. Nunca senti que fui realmente bissexual. Era como se eu estivesse tendo todas as atitudes, a ponto de chegar a tentar algo com alguns caras".

A primeira filha de ambos, Alexandria "Lexi" Zahra Jones, nasceu em 2000.

Em entrevista à Blender em 2002, ele reforçou que se declarar como bi anteriormente foi um grande erro. "Não na Europa", disse, "mas foi mais difícil na América".

"Eu não me importava se pessoas ficassem sabendo que eu era bissexual. Mas eu não tinha a inclinação de levantar bandeiras ou representar qualquer grupo. Eu sabia que queria ser compositor e performer, e achei que [minha bissexualidade] foi minha manchete aqui durante muito tempo. A América é um lugar muito puritano e acho que isso estava no caminho do que eu queria fazer."

Em 2013, ele lançou o videoclipe de The Stars (Are Out Tonight) – de The Next Day, seu penúltimo disco –, com a atriz Tilda Swinton, em que a androginia de momentos passados de sua carreira é revisitada.



Segundo Strange Fascination (1999), biografia de Bowie escrita por David Buckley, o comportamento de sexual foi mais um meio que o artista teve para desafiar padrões de comportamento através de seu trabalho do que expressão de suas identidades reais.

Independente de ele ter se valido ou não de destruir fronteiras de comportamento para construir sua arte, ou de suas orientação sexual e identidade de gênero, é fato que ele também foi pioneiro na transformação e na liberdade sexual.

Este é mais um legado que a lenda nos deixa.

Obrigado, Bowie.

david bowie 1974

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