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Manifestantes são presos por suposta agressão contra policial à paisana em protesto do MPL em São Paulo

12/01/2016 11:15 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/Reprodução Facebook

Três pessoas foram presas nesta segunda-feira (11) em São Paulo com características que relembram a atuação policial durante a ditadura militar. É o que denunciam diversos movimentos sociais nesta terça-feira (12) nas redes sociais. O trio teria envolvimento com a agressão de um policial à paisana na última sexta-feira (8), no 1º Ato contra o Aumento da Tarifa na capital paulista.

Um dos detidos é Manoel Chaves Braga, identificado como integrante do grupo Observadores Legais (pessoas que acompanham manifestações para verificar ações ilegais da PM) e companheiro de militância de Fábio Hideki, professor da USP que foi preso sem provas e passou mais de 40 dias atrás das grades em 2014. Braga foi detido em casa por policiais militares, sem um mandado judicial para ser preso.

MAIS PRISÕES DE MANIFESTANTES INOCENTES! IMPORTANTE DIVULGAR E ACOMPANHAR!Repentinamente pego em casa, Manoel Chaves...

Publicado por Liberdade para Fábio Hideki Harano em Segunda, 11 de janeiro de 2016


“Ele foi preso sem mandado, que só apareceu na delegacia já na madrugada. Acusam-no de ter envolvimento na agressão desse P2 (codinome para policial à paisana), mas estou convencido na inocência dele, sobretudo pela ilegalidade da prisão. Se a lei for cumprida, ele terá a prisão relaxada rapidamente”, disse ao HuffPost Brasil o representante do coletivo Advogados Ativistas que acompanha o caso, que preferiu ter a sua identidade preservada.

Outros dois homens, cujos nomes não foram revelados, também foram presos pelo suposto envolvimento na agressão – um deles no 3º Distrito Policial, onde se apresentou espontaneamente para explicar que não tinha qualquer envolvimento. Acabou recebendo voz de prisão e aguarda preso junto aos demais na delegacia.

Para o advogado do trio, as detenções tem ligação com uma postagem feita na página Admiradores da Rota, conhecida por exaltar o trabalho da PM paulista. Nela foram exibidos frames dos rostos dos que seriam os agressores do policial à paisana. O que se seguiu foram ameaças nos comentários, e a prisão de três pessoas.

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Publicado por Admiradores Rota em Segunda, 11 de janeiro de 2016


Segundo os coletivos que denunciaram as prisões dos manifestantes, o que o vídeo compartilhado pela página a favor da polícia não mostra seriam agressões que o mesmo P2 teria feito contra um jovem no meio do protesto. Teria sido essa a causa da revolta de outras pessoas no ato, o que desembocou nas agressões ao policial, que registrou boletim de ocorrência e identificou o trio como integrantes do grupo que o agrediu.

“Em primeiro lugar: a infiltração de policiais é ilegal. Só isso deveria servir para derrubar tais prisões. São prisões ilegais. A justiça implicitamente está reconhecendo a ilegalidade, pois está acusando os presos de… furto de celular do policial! Ou seja: a polícia não os está acusando de bater no policial, pois isso seria reconhecer que a PM ilegalmente infiltrou policiais para bater em manifestantes”, escreveu o grupo Observadores Legais.

[São Paulo] "LIBERTEM OS PRESOS POLÍTICOS!Três manifestantes foram presos pela PM em suas casas ontem (segunda) à...

Publicado por Observadores Legais em Terça, 12 de janeiro de 2016


Para o advogado dos manifestantes detidos, há sinais de procedimentos que eram comuns na época da ditadura militar, quando eram comuns prisões sem mandado. “É bem incomum o que aconteceu ontem (segunda-feira). Dá a impressão que pais de família foram presos para ‘dar um recado’ a outras pessoas. É uma ação repressiva do Estado, já que viaturas chegaram na casa do Manoel sem nenhum mandado, sem nada”, completou.

A prisão temporária tem duração de cinco dias e aconteceu às véspera do 2º Ato contra o Aumento da Tarifa, marcado para esta terça-feira, às 17h. Para o professor de Gestão de Políticas Públicas da USP, Pablo Ortellado, as prisões dos manifestantes, pela forma com que se deu, pode acirrar ainda mais os ânimos entre policiais e manifestantes - soma-se à denúncia de 'provas plantadas' contra um outro manifestante. “Estou preocupado com o que pode acontecer”, avaliou.

A reportagem do HuffPost entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) para obter mais informações sobre as prisões dos manifestantes, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

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