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Como os ataques em Colônia podem agravar a crise de refugiados na Europa

11/01/2016 14:45 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
ASSOCIATED PRESS
Right-wing demonstrators hold a sign "Rapefugees not welcome - !Stay away!" and a sign with a crossed out mosque as they march in Cologne, Germany Saturday Jan. 9, 2016. Women’s rights activists, far-right demonstrators and left-wing counter-protesters all took to the streets of Cologne on Saturday in the aftermath of a string of New Year’s Eve sexual assaults and robberies in Cologne blamed largely on foreigners. (AP Photo/Juergen Schwarz)

A Alemanha conduz, desde o começo do ano, uma investigação sobre uma série de ataques contra mulheres em Colônia.

O governo alemão divulgou nesta segunda-feira (11) que quase todos os suspeitos eram de origem estrangeira, sobretudo requerentes de asilo chegados recentemente ao país.

"Existem muitos elementos que indicam que se tratam de pessoas originárias da África do Norte e do mundo árabe. No atual estado das investigações, há também, entre os suspeitos, refugiados que chegaram [à Alemanha] no ano passado."

Mais de 500 queixas, cerca de 40% reportando crimes sexuais, foram registradas na cidade.

De acordo com informações da BBC, 19 indivíduos estão sob investigação, entre eles 14 marroquinos e argelinos. Dez deles são solicitantes de asilo, e nove chegaram ao país após setembro de 2015. Os outros nove, de acordo com a emissora, estariam no país ilegalmente.

Neste domingo (10), vários imigrantes paquistaneses e um sírio foram violentamente agredidos por desconhecidos no centro da cidade. Segundo informações do Telegraph, os agressores faziam uma "caça aos suspeitos" dos ataques.

De acordo com a CNN, pelo menos duas vítimas estão hospitalizadas e dois homens responsáveis pelo espancamento foram presos.

O ministro da Justiça, Heiko Maas, condenou os ataques, e disse que o incidente era tão abominável quanto os ataques registrados em Colônia.

A situação, agora, se mostra bastante desafiadora para o governo alemão: ao mesmo tempo em que é necessário identificar e punir os culpados, também é imprescindível acalmar os ânimos da população, para evitar uma onda de xenofobia que fortaleceria e serviria aos interessas da extrema-direita do país.

No sábado (9), o grupo extremista Pegida - contrário à imigração de muçulmanos do Oriente Médio - voltou a mobilizar milhares de pessoas nas ruas de Colônia. Houve confronto com a polícia e cerca de 15 pessoas foram presas em uma marcha contra os imigrantes.

"Onde você estava na noite de ano novo?", disse um manifestante à polícia, segundo a CNN. "E por que você não protegeu aquelas mulheres?".

"Estigmatizar um grupo [da população] como agressores sexuais é, não apenas um erro, mas também perigoso. É isso que pretende a extrema-direita", disse ministro do Interior do Estado da Renânia do Norte-Vestefália, Ralf Jager. Ele também salientou que não tem "qualquer importância" se os suspeitos das agressões têm passaporte árabe, africano ou alemão, se nasceram e viveram na Alemanha ou se acabaram de chegar ao país.

"Todos os homens são iguais perante a lei", garantiu.

Os crimes também colocam a chanceler alemã, Angela Merkel, sob intensa pressão. Diante da crise, a mandatária cancelou sua visita ao Fórum Econômico Mundial em Davos para conter a "fúria pública".

"Tudo deve ser feito para investigar, de forma completa e rápida, aqueles que são responsáveis e puní-los, independente de como eles são, de onde vêm, e qual a sua história", afirmou a mandatária,

Merkel condenou os ataques e prometeu uma resposta "severa", cogitando, inclusive, a mudança de leis para que a expulsão dos estrangeiros seja mais rápida. Ela, no entanto, não voltou atrás no compromisso de receber imigrantes e integrá-los à sociedade alemã. Cerca de 800 mil imigrantes - muitos deles refugiados - chegaram ao país no último ano, de longe, o maior contingente registrado em um país europeu.

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