NOTÍCIAS

Relançamento da obra de Hitler pode impulsionar extrema direita, diz professora da Unicamp

10/01/2016 09:30 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
Michael Gottschalk/dapd/AP

Pela primeira vez, desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), o livro Mein Kampf (Minha Luta, em tradução livre), um manifesto de Adolf Hitler, é publicado na Alemanha. O lançamento da obra comentada do líder nazista foi feito na última sexta-feira (8) pelo Instituto de História Contemporânea de Munique (IFZ, na sigla em alemão). O objetivo do relançamento do livro, cujos direitos passaram a ser recentemente de domínio público, é contextualizar a obra e desmistificar declarações do ex-líder alemão.

Para a professora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Adriana Dias, a reedição da publicação, no entanto, acontece em um momento delicado para a Europa, em que se registra o crescimento de movimentos de extrema direita e de aumento de casos de xenofobia e racismo, principalmente contra imigrantes e refugiados.

“A Europa vive um cenário de crise econômica e atentados, o que cria um caldeirão na narrativa social muito parecido com o das décadas de 1920 e 1930. O cenário não é bom, o livro é uma Caixa de Pandora, que abre todas as portas de ódio, com mentiras, que infelizmente são compráveis em tempos de opressão social e econômica”, avalia a pesquisadora.

Indagada sobre a possível repercussão do livro no Brasil, a antropóloga, que pesquisa há mais de 15 anos sobre os grupos nazistas na internet e também fora dela, disse acreditar que o movimento de extrema direita deve se intensificar também no País. “No Brasil, mais de 200 mil pessoas já leem livros e materiais neonazistas e com a ascensão da direita isso tende a piorar.”

Para ela, os simpatizantes brasileiros do neonazismo (que estão espalhados pelo País, mas concentrados majoritariamente nos Estados do Sul e do Sudeste), são muito influenciados pelas ações dos seus pares na Europa.

“O movimento no Brasil é extremista, se apoia muito no modelo americano e europeu, e como característica singular desenvolveu um ódio extremo ao nordestino”. Além disso, segundo ela, é comum estarem envolvidos em ataques homofóbicos, contra negros e judeus.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS:


LEIA TAMBÉM

- Anne Frank, Hitler e Mário de Andrade: As polêmicas do domínio público em 2016

- ASSISTA: Sósia de Hitler dá apoio a projeto do filho de Bolsonaro no Rio

- Hospital abandonado de Hitler é o lugar mais assustador do mundo

- Hitler fechou sala de cinema para assistir 'O Grande Ditador', de Chaplin