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Lucros obtidos por investimentos de Cunha são mais difíceis que levar a Mega-Sena, diz a PGR

09/01/2016 13:01 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
Alex Ferreira/Câmara dos Deputados/19.11.2015

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem mais sorte do que um ganhador da Mega-Sena. Pelo menos é isso o que aponta um documento protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Procuradoria Geral da República (PGR), com base num inquérito da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O teor do documento, divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo neste sábado (9), expõe que Cunha teria lucrado R$ 917 mil entre abril de 2004 e fevereiro de 2005, após acertar 100% em operações no mercado de dólares e 98% em apostas em outro papel.

A PGR teria apontado que a probabilidade de se obter uma taxa de sucesso de 98% ocorre em uma vez a cada 257 septilhões (o número 257 seguido de 24 zeros). Em comparação, a Mega Sena confere à aposta mínima uma chance em 50 milhões.

De acordo com a Folha, os lucros de Cunha aconteciam ao mesmo tempo em que um fundo de pensão de servidores públicos do Rio de Janeiro – a Prece, de funcionários da Cedae, companhia de água do Rio – acumulava grandes perdas. A Prece operava sete fundos de investimento por meio de várias corretoras, entre elas a Laeta, que tinha Cunha como cliente, além do corretor Lúcio Bolonha Funaro.

Entre 2003 e 2005, a Prece perdeu uma montante de R$ 56 milhões em valores da época não atualizados.

A CVM informou, segundo a Folha, que é “indissociável o indício de ocorrência de irregularidades” nas operações, e que a PGR afirmou que a taxa de sucesso do presidente da Câmara e de Funaro “somente se tornava viável mediante a manipulação na distribuição dos negócios fechados, pela fraude verificada, com a conivência dos 'perdedores', ou seja, os fundos da Prece”.

Em sua defesa na CVM, Cunha teria afirmado que seu desempenho na época decorreu de operar “com convicção”. O deputado não foi localizado para comentar o assunto. O discurso é semelhante ao apresentado para defender os seus recursos depositados no exterior, os quais seriam fruto de ‘negócios de venda de carne’, e não pagamentos de propina investigados pela Operação Lava Jato.

Funaro, de acordo com a Folha, havia afirmado no ano passado, por meio de assessoria de imprensa, que a investigação da CVM “está sob sigilo e a defesa será apresentada no tempo oportuno”.

(Com Estadão Conteúdo)

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