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09/01/2016 15:37 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Cientista condenado por terrorismo na França e que vive no Brasil é investigado pela PF, diz revista

Montagem/Reprodução

No dia 4 de dezembro de 2013, o Diário Oficial da União publicou que o cargo de professor visitante do Instituto de Física do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza da UFRJ seria ocupado pelo físico franco-argelino Adlène Hicheur, de 39 anos. Este é o nome de um dos estrangeiros investigados pela Polícia Federal quando o assunto é o terrorismo no Brasil.

Reportagem publicada neste fim de semana pela revista Época aponta que Hicheur é investigado e que seu escritório e casa no Rio foram alvo de buscas de policiais federais no mês de outubro de 2015. Foi uma mudança súbita na vida do físico, que buscou no Rio reconstruir a sua vida, bastante turbulenta em um passado recente na Europa.

Em 2012, Hicheur foi condenado pela Justiça francesa por, segundo a acusação, ter planejado atentados terroristas no país europeu. Uma série de mensagens trocadas pelo físico e por Mustapha Debchi, apontado pelo governo francês como um membro da Al Qaeda na Argélia, foram determinantes para a sua condenação.

A sentença demorou quase três anos para sair, já que Hicheur estava preso desde 2009 e aguardou dois anos atrás das grades sem uma acusação formal. O físico declarou inocência na época, negando que tivesse a intenção de cumprir o que constava no teor das mensagens. Poucas semanas após a sentença, ele foi libertado.

Segundo reportagem da Época, Hicheur tentou retomar o seu posto na Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (CERN, na sigla em francês), que mantém em Genebra (Suíça) o maior laboratório de aceleração de partículas do planeta. Mas a condenação na França barrou a entrada do físico no país até pelo menos 2018, de acordo com a revista.

Após a sua vinda para o Rio – viabilizada pela bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) que lhe rendeu R$ 56 mil entre 2013 e 2014, mais o salário de R$ 11 mil como professor visitante da UFRJ –, Hicheur seguiu tentando levar uma vida discreta.

Mas uma investigação da PF, envolvendo a mesma mesquita frequentada pelo físico no País, o tornou alvo. O foco inicial era identificar um homem que se manifestou favoravelmente ao Estado Islâmico, no ano passado, durante uma reportagem da rede CNN En Español sobre os ataques ao jornal francês Charlie Hebdo.

Procurado pela revista, Hicheur pediu para “ser deixado em paz”. “Se você escrever ou falar qualquer coisa, você não imagina as consequências para você e para mim. É só isso. Esse tipo de assunto hoje em dia não é assunto tratado de maneira analítica e com razão. Estamos numa época de histeria”, afirmou o físico.

Não há na reportagem informações sobre eventuais crimes que o físico tenha cometido em solo brasileiro. Todavia, em duas audiências no Congresso Nacional no fim do ano passado, autoridades da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) informaram que existe um trabalho constante de monitoramento de atividades suspeitas, e que até o momento nenhuma célula de uma organização terrorista foi identificada no Brasil.

Ainda em Brasília, há a expectativa de que a Câmara retome ainda no primeiro semestre de 2016, antes das Olimpíadas do Rio, o projeto que trata da tipificação do crime de terrorismo no País. Aprovada pela Casa em agosto, a proposta foi modificada e aprovada pelo Senado, o que necessita uma nova análise dos deputados federais. Há o temor que parte do texto contribua para a criminalização dos movimentos sociais.

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