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Lama de barragem da Samarco avança no Oceano Atlântico e ameaça vida marinha no arquipélago de Abrolhos (VÍDEO)

08/01/2016 11:40 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

“Praticamente a certeza de que é a lama da Samarco”. Foi assim que a presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marilene Ramos, definiu nesta quinta-feira (7) a enorme mancha que alcançou o litoral sul da Bahia. Técnicos acompanham a situação, a qual pode trazer sérios prejuízos à vida marinha.

A mancha atingiu a região de Trancoso e Porto Seguro, ambas próximas ao arquipélago de Abrolhos. De acordo com o Ibama, esperava-se que os rejeitos que seguiam no mar, a partir da foz do Rio Doce – ‘morto’ pela tragédia de Mariana (MG) em 5 de novembro –, inverteram a tendência se seguir para o sul, como vinha sedo observado.

“A mancha que vinha se espraiando na direção sul ao longo do litoral do Espírito Santo, nos últimos dois dias, em função de um vento sul muito forte, também se espraiou para o litoral norte”, afirmou Marilene.

A mancha de turbidez mais densa, com maior concentração de lama, cresceu de 260 km quadrados para 392 km quadrados só entre terça-feira e quarta-feira desta semana. Assim, ela se expandiu por cerca de 40 km ao norte da costa capixaba – além de outros 30 km ao sul. Por enquanto, os técnicos não sabem estimar se o avanço pode atingir a Bahia.

abrolhos ibama

Análise do Ibama mostra a evolução da lama no mar (Reprodução/Ibama)

E o que o rejeitos de lama podem ocasionar para o Parque Nacional de Abrolhos? O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Cláudio Maretti, avaliou que consequências sérias podem ser registradas em “uma das maiores diversidades ambientais do Atlântico”.

“O primeiro impacto que vem disso é a diminuição da produtividade da vegetação marinha, o fitoplâncton, e da produtividade dos corais. É como se agente pusesse uma mancha preta, uma fumaça preta, escura, tapando a Mata Atlântica ou a Floresta Amazônica que ela não pudesse receber o sol todo dia e continuar sua fotossíntese”, explicou.

O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos conta com 91,3 mil hectares e é buscado por peixes e outros animais, como as baleias jubarte, para se reproduzirem. A riqueza da fauna local chegou a levar o britânico Charles Darwin a visitar a região em 1830. Todavia, a lama e seus efeitos sobre a vegetação marinha e os animais podem trazer danos incalculáveis - sem falar no turismo, uma das principais fontes de renda da região.

Por enquanto as autoridades evitaram mensurar a quantidade de metais pesados na água do mar. Testes estão sendo feitos e os primeiros resultados deverão ser divulgados em até dez dias. Uma vez comprovada a origem da mancha, é provável que a Samarco e suas controladoras, a Vale e a BHP, sejam multadas pelo Ibama e pelo ICMBio.

Falando em punições, a presidente do Ibama criticou o que chamou de judicialização do tema por parte da Samarco. Já são cinco multas aplicadas pelo órgão e que somam R$ 250 milhões, cujo pagamento era esperado para o dia 21 de dezembro. Contudo, a mineradora está recorrendo das penalidades, medida condenada por Marilene Ramos.

“As empresas podiam entrar com uma solicitação de entrar com um pedido de conversão da multa em investimento na região. Mas buscaram judicialização, o que é uma pena. A atitude que se espera é que a empresa e suas controladoras, ao invés de travar uma disputa judicial, busquem propor um plano de trabalho num horizonte de dez anos que leve a bacia (do Doce) a uma situação que ela tinha antes desse desastre”, concluiu.

Praias são interditadas no Espirito Santo

Três praias de Linhares, na região norte do Espírito Santo, foram interditadas pela prefeitura da cidade, nesta quarta-feira (6). De acordo com o órgão, as praias de Pontal do Ipiranga, Degredo e Barra Seca estão impróprias para banho. Toda região foi afetada pela lama de rejeitos da mineradora Samarco.

As três praias agora se juntam a Regência, Povoação e Comboios, que tem suas áreas interditadas desde a chegada da lama. Segundo a prefeitura de Linhares, placas avisando da interdição começariam a ser instaladas na região ainda nesta quinta-feira. O órgão informou que está monitorando a turbidez da água do mar na costa linharense desde quando começou a sofrer os impactos no Rio Doce, no dia 20 de novembro.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente detectou mudança rápida nos níveis nos últimos dias. Segundo eles, no dia 25 de dezembro a turbidez do mar em Pontal do Ipiranga era de apenas 7 NTU (Unidades Nefelométricas de Turbidez) e no último domingo estava em 13. O índice chegou à marca de 130 NTU na manhã desta quarta.

Segundo o biólogo Luciano Cabral, tudo isso indica que as correntes marítimas e o vento predominantemente da região sul, levaram os rejeitos de minério do mar aberto para a costa, o que agora preocupa os órgãos municipais.

"Até que as condições de tempo levem esse rejeito para longe da costa, por precaução, a prefeitura de Linhares indica que as praias estão temporariamente impróprias para banho, esportes aquáticos, pesca e demais atividades de contato primário com a água. Assim que forem constatados parâmetros aceitáveis de balneabilidade, a prefeitura informará a população", explicou o biólogo.

(Com Estadão Conteúdo)

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