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Chuva de críticas a Jean Wyllys por viagem a Israel expõe cenário reacionário também à esquerda no Brasil

08/01/2016 15:06 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
Montagem/Reprodução Facebook

O ano parlamentar no Congresso Nacional ainda não começou, mas o deputado federal Jean Wyllys (PSol-RJ) vem recebendo nos últimos dias uma enxurrada de críticas. Nas redes sociais, são muitos os que não aceitam a viagem que Wyllys está fazendo a Israel, como parte de uma série de encontros e palestras em Jerusalém.

“Vou ministrar uma palestra na Universidade Hebraica de Jerusalém, a convite da mesma, junto ao professor James Green. Vamos debater sobre antissemitismo, racismo, homofobia e outras formas de ódio e preconceito e suas relações com a política contemporânea”, escreveu Wyllys no dia 5 de janeiro.

Estou muito feliz e emocionado pela oportunidade de visitar, pela primeira vez, esta cidade cheia de história, terra...

Publicado por Jean Wyllys em Terça, 5 de janeiro de 2016


Rapidamente o parlamentar passou a ser criticado por “ecoar a propaganda e o sistema de ocupação, apartheid e limpeza étnica que Israel desenvolve na Palestina desde 1947”, como escreveu um internauta na página de Wyllys. A resposta foi rápida:

"Muita gente me questionou sobre o 'boicote a Israel' ou BDS. De acordo com esse boicote, para ser solidário com os palestinos, eu não deveria ter aceitado um convite de uma universidade israelense (a mesma pressão foi feita para que Caetano e Gil não fizessem um show em Israel). Eu sou contra boicotes contra qualquer povo. Acho equivocado confundir governo, estado e população. O boicote detona as pontes e favorece os extremistas de ambos os lados, seja o Likud ou o Hamás".

CIDADE DOS POVOS(Primeiro relato da viagem a Jerusalém)Hoje foi um dia muito intenso, de muitas emoções e muita...

Publicado por Jean Wyllys em Quarta, 6 de janeiro de 2016


O movimento Frente em Defesa do Povo Palestino chegou a divulgar uma carta aberta a Wyllys – compartilhada no Facebook pelo líder do PSTU, Zé Maria –, na qual o deputado estaria se colocando “na contracorrente da campanha global de BDS (boicotes, desinvestimento e sanções) a Israel, a qual tem a adesão inclusive do PSol, sempre atuante na solidariedade ao povo palestino e denúncia da ocupação”.

“A tática de Israel de convidar personalidades e autoridades a participarem de palestras em suas instituições acadêmicas - cujo histórico de cumplicidade com a ocupação é amplamente comprovado - objetiva transmitir ao mundo a ideia de normalidade, enquanto mantém o apartheid, a colonização e ocupação de terras palestinas”, diz a nota, mencionado o chamado pinkwashing (‘lavar de rosa’), que seria uma forma de vender Israel como um ‘paraíso LGBT’, o que estaria longe da verdade.

Querido companheiro Jean Wyllys,É com surpresa que tomamos conhecimento de sua ida à Universidade Hebraica de Jerusalé...

Publicado por Frente em Defesa do Povo Palestino em Quinta, 7 de janeiro de 2016


A ida de Wyllys a Israel chegou até mesmo a originar charges.

ISRAEL LAVA MAIS ROSA[A propósito da visita do deputado Jean Wyllys a Jerusálem]Pinkwashing significa “lavar de rosa”...

Publicado por Laboratório de Direitos Humanos de Manguinhos em Quinta, 7 de janeiro de 2016


Diante da forte repercussão da sua viagem, o parlamentar do PSol se defendeu das acusações de apoio ao regime israelense. Wyllys insistiu que a política de boicote aos israelenses “é um equivoco”, uma vez que “só produz ressentimento, fortalece os extremistas de ambos os lados, detona as pontes e impede o diálogo”.

“Concordamos também que parte da esquerda precisa superar sua homofobia. Se outro deputado do PSol tivesse viajado a Israel, não teria sido subestimado e visto como sensível à ‘lavagem rosa’. E que conceito horrível! Os direitos conquistados pelos LGBTs israelenses são uma luz numa região dominada pelo fundamentalismo, o totalitarismo, a misoginia e a homofobia, e eu parabenizo esse povo por seus avanços. Contudo, isso não me impede de ser solidário com outros oprimidos nessa terra, como os palestinos, por exemplo, da mesma forma que muitos judeus israelenses o são.

E a solidariedade com os palestinos não deveria impedir a esquerda de denunciar a opressão que (por exemplo) os homossexuais sofrem nos países islâmicos, ou reconhecer as conquistas democráticas em Israel! De fato, eu também gostaria de ir a outros países do Oriente Médio, mas não posso, porque em muitos deles poderia ser enforcado ou preso por ser gay. A esquerda também precisa ver isso (e ver a barbárie do terrorismo e dos regimes teocráticos e as ditaduras da região) e parar de priorizar umas causas em prejuízo de outras e subestimar o sofrimento de tanta gente”.

"VER: AMOR"(Segundo relato da viagem a Jerusalém. Leitura só para os fortes)As emoções e o aprendizado prosseguem....

Publicado por Jean Wyllys em Quinta, 7 de janeiro de 2016


Wyllys promete seguir publicando boletins diários de sua viagem a Israel. E é bem possível que o ódio que ele combate siga se voltando contra ele na sessão de comentários.

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