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06/01/2016 12:40 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

PMs não entregam arma usada para executar vigia em farsa montada em São Paulo

Reprodução/Facebook

A arma usada por policiais militares paulistas para matar o vigia Alex de Morais, assassinado por engano durante uma perseguição, ainda não apareceu. O Ministério Público Estadual (MP-SP) considera que a pistola calibre 380 usada na ação é uma prova muito importante para incriminar os dois PMs acusados pelo crime.

Morais foi morto na madrugada de 11 de outubro, em Sapopemba, na zona leste da capital paulista. Ele desceu do ônibus e caminhava para casa, depois de trabalhar como vigia de uma casa noturna na zona oeste, quando dois rapazes em uma moto passaram por ele em alta velocidade. Em seguida, um dos policiais que os perseguia atira de dentro da viatura e o disparo acerta a nuca de Morais. A sequência foi gravada por câmeras de segurança do bairro.

Segundo as investigações, os policiais José Rogério de Souza e Paulo Rezende da Silva registraram o caso inicialmente como atropelamento. Os primeiros socorros prestados ao vigia levaram a informação dos PMs em consideração. Morais morreu no hospital, mas, durante o exame necroscópico, os legistas encontraram parte do projétil calibre 380 na nuca da vítima. "Eles (PMs) induziram todos a erro: bombeiros, médicos, todos que prestaram atendimento para tentar salvar o rapaz", disse o delegado Luiz Marturano à época.

Os PMs entregaram três pistolas da corporação para perícia. Mas, depois que a farsa foi oficialmente revelada, os policiais admitiram que o tiro foi disparado com uma arma particular do PM José Rogério de Souza, que confessou que atirou no vigia por engano. Durante as buscas, uma pistola 380 foi apreendida.

No entanto, o laudo assinado pela perita criminal Miriam Garavelli afirma que "quatro armas de fogo foram encaminhadas: três são de calibre ponto 40 (da PM) e uma de calibre 380. O exame de confronto balístico restou (resultou) negativo. Ou seja, aquele projétil não foi disparado por nenhuma das quatro armas em tela".

Sem mudança

Para o promotor Tomás Busnardo Ramadan, responsável pelo processo, a ausência da arma usada no crime não muda as convicções da promotoria. Segundo ele, há provas materiais de que os policiais atiraram e tentaram montar uma farsa para escapar das acusações. Sobre o fato de o PM ter usado uma arma particular no caso, ele afirmou que "infelizmente, maus policiais têm se utilizado desse recurso para cometer outros crimes". "Seria importante criar mecanismos para coibir isso."

Os dois PMs foram denunciados por homicídio doloso qualificado. A juíza Débora Faitarone, presidente do 1º Tribunal do Júri da capital, aceitou a denúncia e decretou a prisão preventiva dos agentes.

Os advogados dos acusados não foram localizados. Em depoimento, os PMs afirmaram que, durante a perseguição aos rapazes, a arma disparou acidentalmente.

Corregedoria apura participação de PMs na chacina de Guarulhos

A Secretaria da Segurança Pública informou na noite desta terça-feira (5) que a Corregedoria da Polícia Militar investiga a "eventual participação de policiais militares" na chacina que aconteceu em Guarulhos na madrugada de sábado (2). Quatro pessoas morreram e outra ficou ferida na primeira ocorrência dessa natureza em 2016.

A pasta acrescentou que a decisão foi tomada pela Corregedoria após a identificação de indícios nos depoimentos de testemunhas do crime ouvidas nesta terça. Não foi informado quantos policiais estão sob investigação, nem quais foram os indícios fornecidos. A apuração ocorre no âmbito de um Inquérito Policial Militar (IPM).

O crime aconteceu na madrugada de sábado, quando as vítimas estavam na frente do Bar do Bebeto, localizado na Rua Domingos de Abreu, periferia de Guarulhos. Por volta da meia-noite, criminosos encapuzados desembarcaram de um carro preto, de quatro portas, e atiraram nos rapazes. O bando escapou em seguida.

Adriano José Silva Araujo, de 28 anos, foi atingido por três tiros na cabeça e um no ombro. Leonardo José de Souza, de 23, também foi alvejado na cabeça. Segundo a Polícia Civil, os dois tinham passagem por furto e tráfico de drogas. Um homem de 29 anos, baleado na mão e no tórax, também tinha antecedente por tráfico. Ele foi submetido a cirurgia e permanece internado. O seu estado de saúde não foi divulgado pelo hospital.

Hermes Augusto Inácio Moreira, de 19, baleado nas costas e no abdome, e Francisco Fernando Pereira Caetano, de 23, atingido por um tiro na cabeça, não tinham antecedentes. Os dois foram socorridos por moradores locais, mas morreram antes de receber atendimento médico.

Aos policiais, uma testemunha relatou que "dois ou três homens" participaram do crime e que o veículo dos assassinos seria um Chevrolet Fox. Os investigadores buscam imagens de câmeras de segurança na região para confirmar. O bar não tem sistema de monitoramento.

Uma das hipóteses investigadas pela polícia é de que a chacina tenha ocorrido em vingança pela morte do cabo Felipe Rebelato Nocelli Ramalho, de 30 anos, que atuava no 5º Batalhão. Ele foi morto no dia 30 de dezembro após intervir em um assalto a uma autopeça, a 1,5 km do bar onde aconteceu a chacina.

O PM estava de folga e havia ido na loja comprar um farol. Houve troca de tiros e Ramalho acabou baleado. Ferido, o assaltante foi socorrido por um comparsa. Depois, o suspeito foi encontrado em um hospital em Itaquaquecetuba. Das vítimas, três tinham passagem por tráfico e, por isso, a Polícia Civil também investiga as hipóteses de dívida ou disputa de pontos de venda de droga.

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