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06/01/2016 09:30 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Existe gente boa e gente ruim no PT, no PSDB, em todas as agremiações, diz Haddad

Wilson Dias/Agência Brasil

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, evitou falar sobre o impacto da impopularidade do PT, partido do qual faz parte, nas eleições de outubro, quando ele deve concorrer à reeleição. O prefeito, no entanto, destacou que as pessoas que cometeram equívocos no partido não representam a maioria de filiados e militantes e que a sigla não pode ser punida por aqueles que se desviam "do bom caminho".

"Eu acredito muito na base social que forjou esse projeto. As pessoas que cometeram equívocos não respondem pela maioria dos filiados e militantes, que acreditam num projeto de um Brasil mais justo, com menos desigualdade, com mais oportunidade", afirmou, após encontro com o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, no Palácio do Planalto.

Haddad disse que ética é um atributo de indivíduos e que cada um deve responder pela sua conduta. "Existe gente boa e gente ruim em todas as agremiações humanas e tem gente boa e ruim no PSDB, no PT, no PMDB, no PP", disse.

Para o prefeito, não faz sentido criminalizar os partidos por atitudes individuais. "Isso não faz sentido porque os coletivos estão sujeitos a indivíduos que eventualmente se desviam do bom caminho", opinou.

Haddad afirmou ainda que não pensa em um provável encolhimento do PT no pleito de outubro e que a prefeitura de São Paulo é um "farol de bons exemplos" em termos de administração e gestão. "Acho que a Prefeitura de São Paulo dá a demonstração muito clara de como bem administrar, de como fazer com transparência, com lisura. É uma prefeitura hoje que está na vanguarda do combate à corrupção, isso não dito por ela própria, mas dito pelos órgãos de controle", afirmou.

Apesar de fazer a defesa de seu mandato e ser considerado candidato natural à reeleição, Haddad afirmou que só falará da disputa "depois em abril".

Haddad cobra R$ 400 milhões do Planalto

Em Brasília nesta terça-feira (5), Fernando Haddad cobrou do governo federal o reembolso de R$ 400 milhões que, segundo ele, foram investidos pelo município em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Neste ano eleitoral, o petista, que é provável candidato à reeleição, tenta alavancar recursos que permitam à administração cumprir parte das promessas assumidas na campanha de 2012 e que ainda não saíram do papel.

Em um encontro com Jaques Wagner, Haddad também pediu que o governo construa mais unidades do Minha Casa Minha Vida na capital e dê prioridade à renegociação da dívida da cidade. A cobrança pública feita pelo prefeito escancara o que ele tem reclamado reservadamente: o pouco apoio da gestão da presidente Dilma Rousseff à sua administração.

O prefeito também espera ajuda do Palácio do Planalto para tirar do papel uma das suas principais promessas, a de construir hospitais em regiões carentes da metrópole. Das três unidades, apenas a de Parelheiros deve ser entregue este ano e, até agora, o hospital está sendo financiado somente com verbas municipais. A construção dos centros de saúde sempre foi uma aposta de Haddad para ter uma vitrine durante a campanha à reeleição.

Segundo auxiliares de Haddad, o prefeito saiu do Planalto confiante após conversa com o ministro, braço direito de Dilma. "Este ano é o ano dos prefeitos. Ele (Jaques Wagner) falou que vai responder com a maior brevidade possível", disse.Segundo fontes do Planalto, Wagner evitou se comprometer com a liberação dos recursos cobrados por Haddad, mas prometeu encaminhar os pleitos do prefeito diretamente à presidente Dilma e ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. "A palavra final é da presidente", teria dito o ministro.

Durante a reunião, que foi acompanhada por um técnico da Casa Civil, Haddad exibiu dezenas de documentos mostrando com pormenores os recursos desembolsados pelo Município em obras do PAC, sempre sublinhando os prazos de vencimento dos repasses da União.

De acordo com um interlocutor de Wagner, o ministro teria comentado que "é difícil dizer não" diante da riqueza técnica dos pleitos de Haddad mas as demandas feitas por ele são de difícil execução não só pela falta de dinheiro nos cofres da União, mas também porque poderia abrir um precedente para que outros prefeitos de capitais fizessem uma "romaria" na porta do Planalto em busca de ajuda.

Pleitos

Entre as demandas apresentadas está o reembolso por parte do governo federal de cerca de R$ 400 milhões que a prefeitura desembolsou em 2015 para tirar do papel obras do PAC. "No nosso PAC a gente adianta para a construtora os valores com recursos do Tesouro municipal e há o reembolso do Tesouro nacional", explicou o prefeito.

Haddad pediu, ainda, prioridade à situação de São Paulo após a assinatura do decreto que regulamenta a aplicação do novo indexador das dívidas de Estados e municípios com a União. Haddad disse que também discutiu com o ministro sobre o programa Minha Casa Minha Vida e afirmou que a prefeitura já investiu cerca de R$ 700 milhões em desapropriação de terras. Mas, com as mudanças das regras para o programa, será preciso refazer os planos para a cidade.

Apesar das dificuldades por conta da crise econômica, Haddad fez questão de afirmar que a prefeitura conseguiu investir mais em 2015 do que em 2014 e que pretende fechar seu mandato com "recorde" de investimentos, que poderá chegar à casa dos R$ 18 bilhões.

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