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Coreia do Norte diz ter realizado com sucesso primeiro teste com bomba de hidrogênio

06/01/2016 09:15 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Reuters

A Coreia do Norte disse que testou com sucesso um artefato nuclear de hidrogênio em tamanho reduzido nesta quarta-feira (6), reivindicando um avanço significativo em suas capacidades de ataque e acionando um sinal de alerta no Japão e na Coreia do Sul.

O teste, que representa a quarta vez que o Estado isolado detona um dispositivo nuclear, foi ordenado pelo líder Kim Jong Un e realizado com sucesso às 10h do horário local [23h30 de terça-feira no horário de Brasília], segundo a agência de notícias oficial norte-coreana, a KCNA.

"Que o mundo olhe para o forte e autossuficiente Estado com armas nucleares", escreveu Kim em uma nota manuscrita exibida pela TV estatal da Coreia do Norte.

A Coreia do Norte busca há muito tempo o reconhecimento diplomático dos Estados Unidos, mas vê seu poder de dissuasão nuclear como crucial para garantir a sobrevivência de sua ditadura de terceira geração.

“Enquanto persistir a política dos Estados Unidos contra a Coreia do Norte, não vamos parar de desenvolver o programa nuclear”.

O regime norte-coreano afirmou que não é o primeiro a recorrer à bomba e indicou que continuará a desenvolver sua capacidade de ataque nuclear.

No mês passado, durante uma inspeção militar, Jong-un sugeriu que o país já tinha desenvolvido uma bomba de hidrogênio, apesar de o anúncio ter sido acolhido com ceticismo por especialistas internacionais.

Vários centros de atividade sísmica detectaram hoje um abalo no país, levantando-se, de imediato, a possibilidade de ter sido causado por um teste nuclear.

A agência de notícias sul-coreana Yonhap disse que o serviço de inteligência de Seul acredita que a potência da explosão provocada pelo teste norte-coreano foi equivalente a 6.0 quilotons.

A bomba de hidrogênio, ou termonuclear, usa a fusão nuclear numa reação em cadeia que resulta em explosão poderosa.

O país já tinha feito três testes nucleares, em 2006, 2009 e 2013, o que lhe valeu sanções da ONU. Várias resoluções das Nações Unidas proíbem o governo norte-coreano de desenvolver atividades nucleares ou ligadas à tecnologia de mísseis balísticos.

Repercussão

O teste nuclear provocou condenação internacional e recebeu a condenação de diversos países, entre eles os Estados Unidos, a China, Coreia do Sul, França e o Japão

.A presidente da Coreia do Sul, Park Geun-Hye, considerou o teste nuclear uma “grave provocação” e ameaça à segurança nacional. Ela pediu sanções internacionais “severas” ao país.

“O teste não é apenas uma grave provocação à nossa segurança nacional, mas também uma ameaça ao nosso futuro e um forte desafio à paz e estabilidade internacionais”, afirmou Park, durante reunião de emergência do Conselho Nacional de Segurança.

O porta-voz do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca, Ned Price, disse que apesar de ainda não poder confirmar as informações, o governo norte-americano condena qualquer violação às resoluções do Conselho de Segurança da ONU. "Voltamos a pedir à Coreia do Norte que cumpra as suas obrigações e compromissos internacionais”. Os Estados Unidos, acrescentou Price, vão “responder adequadamente a qualquer provocação norte-coreana”.

Em Londres, o chefe da diplomacia britânica, Philip Hammond, também considerou o teste uma “provocação”, além de “grave” violação das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Em sua conta no Twitter, Hammond escreveu: “Se os relatos de um teste de bomba H da Coreia do Norte foram verdade, é uma grave violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e uma provocação que condeno sem reservas”.

A China, o principal aliado da Coreia do Norte, disse que se “opõe firmemente” ao teste nuclear de Pyongyang, acrescentado que o ensaio foi feito “apesar da oposição da comunidade internacional”.

“Apelamos fortemente à DPRK [Coreia do Norte] a respeitar o seu compromisso de desnuclearização, e a suspender qualquer ação que possa tornar a situação ainda pior”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying.

Para a França, o teste nuclear é “violação inaceitável” das resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Em comunicado, o governo francês pediu uma “reação forte da comunidade internacional”.

(Com informações das agências de notícias)