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Quem é beneficiado pelo silêncio de Neymar frente a mais um episódio de racismo?

04/01/2016 15:10 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Manuel Queimadelos Alonso via Getty Images
BARCELONA, SPAIN - JANUARY 02: Neymar JR of Barcelona looks on during the La Liga match between Real CD Espanyol and FC Barcelona at Cornella-El Prat Stadium on January 2, 2016 in Barcelona, Spain. (Photo by Manuel Queimadelos Alonso/Getty Images)

Antes de tudo: Neymar é a vítima.

Não se trata em nenhum momento de culpar ou transmitir o horror do racismo para os alvos da ofensa. Mas fica muito difícil não dizer que Neymar poderia fazer mais.

Ok, a vida está garantida, a conta bancária polpuda e a carreira tem premiado a arte com os pés e a categoria como artista do futebol.

Se o jogo se transformou nesse enorme cassino milionário, ninguém merece mais encher os bolsos de que os atletas, certo?

Mas falta ir além. E, bem, não é justo dizer que o problema nasceu com Neymar. É bem maior, aliás. É secular e se arrasta em pleno século 21. Se a norma é racismo no futebol - no Brasil, na Rússia, na Espanha ou na Argentina -, a resposta dos nossos atletas tem deixado bastante a desejar.

É triste dizer, mas parece que Pelé fez escola. O Rei do futebol adorava dizer que a melhor resposta ao racismo é deixá-lo de lado, como lembrou Luís Augusto Símon, o Menon, em seu blog. "Vou lá e faço um, dois, três gols". Por mais que mostrar a capacidade seja importante - e quem foi mais capaz com a bola do que Pelé? -, reagir ao absurdo é ainda mais potente.

No auge da revolta do goleiro Aranha contra os insultos sofridos em partida contra o Grêmio em 2014, Pelé soltou a pérola: "Quanto mais se falar, mais vai ter racismo".

neymar

Mas racismo é crime, é atraso e a ciência já diz que é mais do que isso.

Talvez o silêncio ensurdecedor deste final de semana seja fruto da desastrada ação que se desenrolou quando o companheiro de Barcelona e seleção Dani Alves comeu uma banana atirada ao gramado, também na Espanha.

Teve hashtag e depois camiseta, lembram?

Agora não tem nada até aqui. É como se o ataque não existisse, como se os urros de macaco, a ofensa e barbaridade desmedida fizessem parte do esporte ou da vida.

Não fazem. E deste marcador sanguinário que é a intolerância vai ser difícil Neymar escapar. A burrice não enxerga status, fama ou habilidade com a redonda aos pés.

Não se aplica chapéu, caneta ou drible da vaca no racismo. Preconceito se combate. E, se preciso, com travas da chuteira à mostra.

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