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Jovem conta que foi estuprada por segurança no Réveillon em Brasília; Suspeito nega e diz que foi consensual

04/01/2016 17:34 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
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Uma jovem de 24 anos contou em detalhes, por meio de um post no Facebook, ter sido estuprada pelo segurança de uma festa de Ano Novo em Brasília. O suspeito, Wellington Monteiro, disse ao site Metropoles que o ato foi consensual, e que se arrepende apenas de ter cometido adultério.

A festa, chamada The Box - Reveião, aconteceu no Setor de Clubes Norte. A jovem contou que foi abordada por um segurança que pediu para que ela saísse da festa. "Eu realmente não entendi o motivo e mesmo alcoolizada só atendi por ser uma figura de autoridade", conta.

Segundo o relato, ele a levou para um canto isolado e a estuprou. "Eu tive medo, não reagi (poderia ter sido pior se reagisse, eu poderia apanhar, poderia demorar mais...), só queria que acabasse logo". O segurança ainda teria chamado um colega de trabalho para participar, mas esse segundo homem teria desistido de estuprá-la.

"Voltei pra festa num misto de pavor e dormência. Não contei nada pra ninguém. Me questionei se eu não tinha “pedido por aquilo”, olha que ridículo! É assim que somos ensinadas. A culpa sempre é atribuída à mulher. O dia amanheceu, fui pra casa com meu amigo, eu não conseguia ainda assimilar os fatos."

No dia seguinte, a jovem não conseguia tirar o absorvente interno, e optou por contar aos pais, que a levaram para a Delegacia da Mulher (204 Sul). Também no Facebook, ela postou o registro do boletim de ocorrência, e os medicamentos que recebeu no atendimento hospitalar.

"Eu sei que é muita exposição, mas, sinceramente?! Não é pior ao o que me aconteceu. Decidi redigir esta nota de repúdio por alguns motivos específicos: eu fiz tudo como orienta a lei, tudo certinho, e uau!!! Quanta burocracia! [...] E a mulher que não tem nenhuma assistência como faz? Ela não faz, ela desiste. Porque se eu tivesse sozinha, juro que teria ido ao posto de saúde dizer que transei bêbada com absorvente interno, eu não teria forças pra passar por isso sozinha".

Leia o relato completo.

A Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) está dando continuidade à investigação, segundo o Metropoles. O segurança prestou depoimento na madrugada deste domingo (3).

Em entrevista ao site, Monteiro contou uma versão completamente diferente da jovem. Ele afirma que o ato foi consensual: "Meu maior erro de ter ficado com ela foi pelo fato de eu ser casado. O ato que cometi foi adultério, e não estupro."

Na versão de Monteiro, ela teria se insinuado para ele na festa. Veja o relato:

"Estava trabalhando na festa. Minha função era supervisionar o local. Ela começou a olhar para mim e chamou a minha atenção. Teve um momento que chegou a colocar o seio para fora da roupa. Ela me abordou com mais dois amigos e ficou se esfregando neles. Um dos colegas dela me perguntou como eu conseguia me controlar diante daquilo. E aí perguntei se ela queria sair de lá comigo. Como estava de serviço, uniformizado, não poderia ficar com a menina ali. Ela caminhou ao meu lado. Não estávamos abraçados, nem nada parecido. Não podiam dizer que eu a arrastei. Ela me perguntou para onde iríamos e eu disse que seria em um local mais reservado. Ela foi com as pernas dela, embora tenha bebido. Mas não estava embriagada. Não pensei que ia tomar essa dimensão. Foi tudo rápido, em pé. Não durou mais do que dez minutos."

Monteiro confirma que havia chamado um amigo para ter relações com ela também, mas que ele havia se negado por não ter preservativo.

Ele acha que a jovem divulgou a história por ter ficado com o absorvente preso e por participar de grupos feministas. "Não entendo como uma mulher que se diz de caráter e que preza pelo direto da mulher toma uma atitude dessa. Ela deveria ser mais coerente", disse.

Monteiro é proprietário da empresa de segurança contratada pela organização da festa. Ele conta que sua mulher o deixou e sua empresa "foi para a lama". Estou sendo condenado por pessoas que não sabem o que aconteceu."

O segurança é casado há 13 anos e pai de dois filhos. Ele admite que, no lugar do pai da jovem, também a teria acompanhado no hospital e na delegacia.

A organização do evento também se pronunciou e divulgou uma nota dizendo que está à disposição para ajudar o que for preciso nas investigações. Leia na íntegra:

"Passamos o dia (02/01) na delegacia da mulher disponibilizando toda ajuda e documentação necessária para encontrar o culpado, ajudar nas investigações e a penalização dos envolvidos.

Antes de ir a delegacia entramos em contato com a vítima para dispor também a ela toda documentação necessária. Novamente as sinceras desculpas. Isso é um comportamento inaceitável e nos colocamos a disposição para investigar qualquer outro caso de violência que possa ter ocorrido, por que atos assim não podem passar impunes."