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03/01/2016 14:16 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Após execução de clérigo, Líder supremo do Irã diz que Arábia Saudita vai enfrentar 'castigo divino'

ADEM ALTAN via Getty Images
Iranian and Turkish demonstrators hold pictures of Shiite cleric Sheikh Nimr al-Nimr as they protest outside the Saudi Embassy in Ankara, on January 3, 2016, to protest against the execution by Saudi Arabia of a prominent Shiite cleric which they saw as a deliberate sectarian aggression. Nimr and other Shiite activists were among a total of 47 people executed, most of them described by the interior ministry as involved in killings by Al-Qaeda. / AFP / ADEM ALTAN (Photo credit should read ADEM ALTAN/AFP/Getty Images)

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse neste domingo que a Arábia Saudita deverá enfrentar um castigo divino por ter executado o influente clérigo xiita al-Nemer Nemer, um movimento que atiçou as tensões sectárias em uma região já repleta de conflitos.

Na manhã de ontem, o governo da Arábia Saudita executou 47 pessoas condenadas por terrorismo, entre eles Nimr al-Nimr, que tinha 56 anos. Ele fazia oposição à dinastia sunita Al-Saud - que manda no país desde a sua criação, em 1932 - e foi condenado à morte em outubro de 2014, com a acusação de encorajar a intromissão estrangeira e desobediência a governantes da Arábia Saudita.

Khamenei disse ainda que a execução foi um "erro político" que não ficará impune. "Sem dúvida, a mão divina de vingança vai se voltar contra os tiranos que tomaram sua vida", afirmou. Tendo anteriormente advertido que a realização de uma sentença de morte contra al-Nemer "custaria caro à Arábia Saudita", o governo iraniano também convocou os sauditas encarregados de negócios em Teerã a protestar contra a execução.

A Arábia Saudita acusou o Irã de tentar estimular tensões e apoiar o terrorismo. "O regime iraniano tem revelado o seu verdadeiro rosto em apoio ao terrorismo, que é considerado uma continuação de sua política com o objetivo de desestabilizar a segurança dos países da região", disse o Ministério das Relações Exteriores saudita, no sábado.

A execução de al-Nemer, ocorrida no sábado, gerou indignação em líderes xiitas do Irã, enquanto multidões invadiram a embaixada saudita em Teerã. A polícia foi chamada para restaurar a calma e 40 pessoas foram presas, informou o promotor de Teerã Abbas Jafari-Dolatabadi, segundo a agência de notícias estatal.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, classificou o ataque à embaixada saudita como "injustificável". Rouhani disse que ordenou ao Ministério do Interior a prender os responsáveis pelo ataque à embaixada e levá-los a tribunal. Ele também chamou os responsáveis pelo ataque de "extremistas".

O principal clérigo xiita do Iraque, o aiatolá Ali al-Sistani, reagiu negativamente à execução do xeque Nimr al-Nimr. Em comunicado publicado neste domingo, o aiatolá disse que o saudita era um "mártir" e estendeu suas condolências a outros do oeste da Arábia Saudita, onde está concentrada a minoria xiita do país.

A morte do clérigo também causou indignação entre lideranças iranianas. A Guarda Revolucionária do Irã comparou a execução a ataques realizados pelo grupo extremista Estado Islâmico. "O ato medieval de selvageria da Arábia Saudita levará à queda da monarquia", diz comunicado.

Rompimento de alianças

A oposição parlamentar alemã pediu hoje (3) ao governo de Angela Merkel para romper a “aliança estratégica”, política e comercial com a Arábia Saudita, após as 47 execuções de ontem.

O líder do partido Os Verdes, Cem Ozdemir, afirmou que o governo da chanceler deve pôr fim à sua linha de “silêncio intolerável” contra as autoridades sauditas.

Para o líder de Os Verdes, a coligação de Merkel coloca os “interesses econômicos e as exportações de armamento” na defesa dos direitos humanos e defende relações com a Arábia Saudita no suposto papel estratégico do país na luta contra o grupo extremista Estado Islâmico.

Também o grupo parlamentar de esquerda criticou a “relação de parceiros estratégicos” que Berlim mantém com a Arábia Saudita.

(Com informações da Agência Brasil e Estadão Conteúdo)

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