MULHERES

Esta comediante americana denunciou estupro e agressões cometidas pelo ex-namorado em corajoso post no Instagram

30/12/2015 20:49 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Acostumada a fazer graça de sua vida em seus shows de stand up, a comediante norte-americana Beth Stelling não estava sendo totalmente honesta sobre a sua vida pessoal. Por medo do que as pessoas iriam pensar, ela vinha escondendo que, durante um tempo, esteve em um relacionamento abusivo.

E não foi só isso! Ela não conseguia dar um basta e continuou nesse namoro por dois meses mais após ser estuprada, sofrer agressões físicas e verbais de seu abusador. Agora não mais!

Depois de colocar um fim a essa situação, Beth resolveu contar a sua história - com muita coragem - no Instagram. Em um emocionante post, no qual ela também mostra algumas imagens da violência sofrida, a comediante revelou momentos que passou e o que sentiu, para que outras mulheres com o mesmo problema não guardem mais isso para si.

Same girl in all of these photos (me). I've had an amazing year and you've seen the highlights here, so these photos are an uncommon thing to share but not an uncommon issue. You may be weirded out but do read on. I have a point. There are many reasons not to make an abusive relationship public, mostly fear. Scared of what people will think, scared it makes me look weak or unprofessional. When I broke up with my ex this summer, it wasn't because I didn't love him, it was because of this. And I absolutely relapsed and contacted him with things I shouldn’t have, but there are no “best practices” with this. When friends or comics ask why we broke up it's not easy or comfortable to reply; it doesn't seem like the appropriate thing to say at a stand-up show, a party or a wedding. It's embarrassing. I feel stupid. After being verbally, physically abused and raped, I dated him for two more months. It's not simple. After I broke up with him he said, "You're very open and honest in your stand-up, and I just ask that you consider me when you talk about your ex because everyone knows who you're talking about." And I abided. I wrote vague jokes because we both live in L.A. and I didn't want to hurt him, start a war, press charges, be interrogated or harassed by him or his friends and family. I wanted to move on and forget because I didn’t understand. I don't want revenge or to hurt him now, but it's unhealthy to keep this inside because my stand-up is pulled directly from my life. It's how I make my living. My personal is my professional. That is how I've always been; I make dark, funny. So now I'm allowing this to be part of my story. It's not my only story, so please don't let it be. If you live in L.A., you've already started to hear my jokes about this and I ask you to have the courage to listen and accept it because I’m trying. Already since talking about this onstage, many women have come to me after shows asking me to keep doing it. Men have shown their solidarity. An ex-girlfriend of this ex-boyfriend came to me and shared that she experienced the same fate. Then there was another and another (men and women) who shared other injustices at his hand that..

Uma foto publicada por Beth Stelling (@bethstelling) em


Leia o texto traduzido na íntegra (vale muito a pena!):

"A mesma garota em todas essas fotos (eu). Tive um ano incrível e vocês viram as melhores partes aqui [no Instagram], então, essas imagens são algo incomum de compartilhar, mas não um problema incomum. Você pode até se sentir desconfortável, porém continue a ler, vou chegar lá. Existem muitos motivos para não tornar um relacionamento abusivo algo público, o principal deles é o medo. Medo do que as pessoas vão pensar, medo de parecer fraca e antiprofisisonal.

Quando eu terminei com meu ex neste verão, não era por que eu não o amava, foi por causa disto. E eu recaí e entrei em contato com ele com assuntos que não deveria, mas não tem um jeito melhor para tratar disto. Quando amigos ou a imprensa perguntam por que nós terminamos não é fácil responder; não é a coisa mais apropriada para se dizer num show de comédia stand up, numa festa ou em um casamento. É embaraçoso. Me sinto estúpida. Depois de ser verbalmente, fisicamente abusada e estuprada, eu fiquei com ele mais dois meses. Não é simples.

Depois que eu terminei, ele disse, “você é tão aberta e honesta no seu show de stand up, e eu só peço que você pense em mim quando for falar de seu ex porque todo mundo vai saber sobre quem você está falando”. E eu respeitei. Escrevi piadas vagas porque nós dois moramos em Los Angeles e eu não queria machucá-lo, começar uma guerra, dar queixa, ser interrogada ou assediada por ele ou pelos amigos dele ou pela família dele. Eu queria seguir em frente e esquecer porque eu não entendia. Eu não quero vingança ou machucá-lo agora, mas não é saudável continuar com isso dentro de mim porque meu show de comédia é sobre minha vida. É assim que eu vivo. Meu lado pessoal é meu lado profissional. É assim que eu sempre fui; eu faço da tragédia, riso.

Então, agora, eu estou me libertando dessa parte da minha história. Não é só minha história, por favor, não “deixe estar”. Se você mora em Los Angeles, você provavelmente já ouviu minhas piadas sobre isso e eu pergunto se você tem coragem de escutar e aceitar isso porque eu estou tentando. Desde que comecei a falar disso no palco, muitas mulheres vieram até mim pedir para que eu continuasse. Homens mostraram solidariedade.

Uma ex-namorada do meu ex me contou que ela passou pela mesma coisa. E aí tem outra e outra (homens e mulheres) que compartilham injustiças como essa..."

Se você ou outra conhecida estiver precisando de ajuda, ligue para o 180, Central de Atendimento à Mulher.

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