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2015: O ano em que o mundo olhou NOVAMENTE para o terrorismo

31/12/2015 01:36 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
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Estado Islâmico, Boko Haram, Al-Shabaab, Al Qaeda... Algum desses nomes você certamente ouviu em 2015.

Desde 2001, quando a Al Qaeda atacou os Estados Unidos em 11 de Setembro, nunca se falou tanto em terrorismo como no ano que está terminando.

Para especialistas ouvidos pelo HuffPost Brasil, no entanto, o fato de o terrorismo ser "assunto" não reflete, necessariamente, um aumento nos ataques.

"A partir da divulgação do terrorismo de uma forma mais volumosa, ele fica mais perto. Até porque houve os ataques em Paris, o que também mostra que o problema deixa de estar centralizado apenas no Oriente Médio e atinge um país ocidental, central para o sistema de segurança global e membro permanente do Conselho de Segurança da ONU", explica Rodrigo Gallo, professor de Relações Internacionais na Fespsp e na FMU.

Bernardo Wahl, especialista em Segurança Internacional e professor das mesmas instituições, afirma que desde setembro de 2001 observa-se um aumento na atenção dado pela imprensa e pela comunidade internacional ao terrorismo. Mas ele pondera que o fenômeno não é novidade.

"O terrorismo sempre existiu, é uma tática que existe desde a antiguidade, mas a partir do 11 de Setembro ganhou mais espaço na agenda de Segurança Internacional. Com redes sociais, imprensa e toda a oferta de comunicação que temos hoje, esse fenômeno atingiu mais corações e mentes. Isso, além do impacto, cria a impressão de que o número de atentados cresceu."

Para Rita do Val, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Faculdade Santa Marcelina, não é possível afirmar que as ações terroristas cresceram expressivamente em 2015. Porém, foram a imprensa e as redes sociais que mantiveram os atentados como assunto da vez.

"Houve um avanço, mas não aquele que se quer fazer acreditar. Existe um olhar mais intenso para essas ações, que são uma questão contemporânea, mas também o terrorismo acaba pautando outras discussões, como no debate dos pré-candidatos à presidência norte-americana."

Ela se refere, principalmente, às declarações proferidas por Donald Trump, pré-candidato republicano à Presidência dos EUA. Logo após os ataques de Paris, o candidato chegou ao absurdo de sugerir que todos os muçulmanos fossem impedidos de entrar no país.

"O terrorismo envolve um novo desenho no cenário internacional e das políticas internacionais, como por exemplo a mudança na legislação sobre o ingresso de estrangeiros em vários países, ações mais pontuais na Síria e até mesmo a crise dos refugiados", afirma.

Relembre abaixo alguns dos atentados terroristas que chocaram o mundo em 2015.

  • França: Charlie Hebdo
    Getty Images
    No dia 7 de janeiro de 2015, Paris viveu um dia de terror. Conhecida por seu conteúdo satírico, a revista Charlie Hebdo foi palco de um ataque terrorista, reivindicado pelo Estado Islâmico. Além da redação da Charlie Hebdo, onde 12 pessoas morreram e 11 ficaram feridas, um mercado judeu também foi alvo dos terroristas na capital francesa. No total, 17 pessoas perdem a vida no ataque de janeiro: 12 dentro da Charlie Hebdo, quatro no mercado e uma policial. Rapidamente, uma onda de solidariedade se espalhou pela França e pelo mundo (inclusive no Brasil), por meio da hashtag #JeSuisCharlie. Na época, o presidente da França, François Hollande, anunciou uma série de duras medidas para combater o terrorismo, e a revista Charlie Hebdo voltou a circular, com uma tiragem na casa dos milhões e uma procura sem precedentes.
  • Nigéria: Boko Haram ataca Baga
    Mohammed Abba/Anadolu Agency/Getty Images
    Na mesma semana em que o mundo inteiro se comoveu com os atentados na França, a Nigéria – cuja capital, Abuja, fica a 4.450 km de Paris – viu o grupo terrorista Boko Haram perpetrar o que, segundo a Anistia Internacional pode ter sido o ataque mais mortal do grupo - que foi a organização terrorista que mais matou em 2014. No sábado, 3 de janeiro, homens armados invadiram e saquearam a cidade de Baga e vilarejos vizinhos, no nordeste do país, e podem ter massacrado até 2.000 pessoas. De acordo com a CNN, quem conseguiu escapar, fugiu em ônibus ou a pé. Houve também relatos de pessoas queimadas vivas, dentro de suas casas. Segundo números do governo da Nigéria, cerca de 150 pessoas morreram no ataque, incluindo “muitos terroristas”, de acordo com o Ministério da Defesa do país. Por meio da hashtag #BagaTogether, a internet lembrou que, apesar de o ataque ter sido muito menos noticiado do que os de Paris, nenhuma vida vale mais do que a outra.
  • Tunísia: Museu sob ataque
    AP Photo/Hassene Dridi, File
    Tendo os milhões de turistas – principalmente da Europa e do norte da África - que visitam o país, dois homens armados atacaram o maior museu de Tunis, capital da Tunísia. Vinte e três pessoas morreram quando dois homens trajando roupas militares abriram fogo dentro do local, no mês de março. O Estado Islâmico assumiu o ataque, e elogiou os autores do atentado – os dois foram mortos após ficarem sem munição. Um dos atiradores já era conhecido da polícia, segundo o primeiro-ministro Habib Essid. Poucos dias após o ataque, nove pessoas foram presas sob suspeita de colaborarem com o Estado Islâmico.
  • Quênia: Ataque à Universidade
    AP Photo
    Pelo menos cinco extremistas do grupo Al-Shabab invadiram, em abril, a Universidade Garissa, na fronteira do Quênia com a Somália: 148 pessoas foram mortas e 79 ficaram feridas. O ataque foi o mais violento no Quênia desde 1998, quando a embaixada dos Estados Unidos foi bombardeada por integrante da Al-Qaeda e mais de 200 pessoas morreram. Segundo o porta-voz do grupo, o ataque foi em resposta à presença militar queniana na Somália, que foi intensificada após ataques do grupo extremista nos últimos anos, dentre eles um ataque contra um shopping center de Nairóbi que deixou 67 mortos.
  • Tunísia: Tiros na praia
    AP Photo/Darko Vojinovic
    No mês de junho, 38 pessoas foram mortas durante um ataque à praia de Sousse, um destino popular para europeus que visitam a Tunísia. Seifeddine Rezgui, terrorista responsável pelo ataque, foi treinado em uma base do Estado Islâmico, na Líbia. Mais uma vez, ficou claro que o alvo dos ataques eram turistas estrangeiros - foram mortos turistas de nacionalidade britânica, alemã, belga, portuguesa e russa. Junto com o ataque ao museu em Tunis, o atentado foi um golpe para o setor do turismo no país, que é responsável por mais de 7% do PIB tunisiano.
  • Turquia: Ataque em Ancara
    Getty Images
    Quase cem pessoas morreram e 160 foram hospitalizadas – dezenas em estado grave – quando explosões coordenadas atingiram uma manifestação pela paz, em Ancara. O ataque aconteceu a poucas semanas das eleições legislativas antecipadas no país, e transformou uma manifestação pacífica em uma verdadeira zona de guerra. Foi o maior ataque em solo turco no país em anos, mas nenhum grupo assumiu a autoria do atentado. Autoridades turcas, no entanto, afirmaram que havia “fortes sinais” de que o Estado Islâmico estava envolvido nas explosões.
  • Egito: Queda do Avião da Metrojet
    Maxim Grigoriev/Russian Ministry for Emergency Situations via AP, File
    O voo, que partiu de Sharm el-Sheikh, cidade egípcia polo de turismo, rumo a São Petersburgo, na Rússia, caiu ainda sob solo Egípcio, pouco depois da decolagem. Todas as 224 pessoas que estavam a bordo, a maioria de cidadania russa, morreram. Egito, Rússia, CIA e outros organismos que investigam o acidente envolvendo a aeronave da Metrojet divergem sobre as causas. A principal questão consiste em esclarecer se o avião foi ou não atingido por uma bomba. Poucos dias após o acidente, que ocorreu em outubro, o Estado Islâmico assumiu a autoria, afirmando tratar-se de um ataque em represália ao apoio dado pela Rússia ao presidente da Síria, Bashar Al-Assad. O grupo chegou a publicar uma foto de uma bomba - feita com uma lata de refrigerante - que teria sido responsável por derrubar a aeronave.
  • Bataclan: Paris sob ataque novamente
    AP Photo/Peter Dejong
    Uma série de ataques coordenados levou caos, medo e desespero à capital francesa na noite de 13 de novembro. Restaurantes, bares, um estádio de futebol e uma casa de shows foram os alvos dos terroristas, que mataram 130 pessoas e feriram centenas. Entre os locais atacados, estava a casa noturna Bataclan, onde a banda Eagles of Death Metal se apresentava. Armados com fuzis, pelo menos três homens abriram fogo dentro da casa de shows, matando mais de 80 pessoas. O Estado Islâmico assumiu a autoria dos atentados, e afirmou que os ataques eram uma represália pelos ataques da França contra o grupo. O presidente François Hollande, no entanto, intensificou os ataques e tentou engajar outros líderes – como Barack Obama e Vladimir Putin – na luta contra o grupo. Mais uma consequência – terrível – dos ataques: além do crescimento da islamofobia na Europa, a Câmara dos EUA resolveu suspender o programa de acolhimento dos refugiados sírios e iraquianos, alegando preocupações com a segurança. A medida, que não faz NENHUM sentido, foi duramente criticada por Obama, que chamou a decisão de "histeria".
  • Nigéria: Cotidiano com o Boko Haram
    STRINGER/AFP/Getty Images
    Ao mesmo tempo em que o mundo estava em alerta por conta dos ataques em Paris, a Nigéria sofria com os ataques do Boko Haram: em 24 horas, dois ataques no país deixaram dezenas de mortos. Um dos ataques, na cidade de Kano, envolveu uma “mulher-bomba” de apenas 11 anos. Um dia antes, um ataque em Yola também matou mais de 30 pessoas. Não houve reivindicação imediata da autoria dos atentados, mas acredita-se no envolvimento do grupo terrorista Boko Haram, que já matou milhares de pessoas e planeja estabelecer um estado islâmico no nordeste da Nigéria. Em mensagem publicada no seu Twitter, o presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, expressou condolências às famílias e disse que "os inimigos da humanidade não vão vencer". Ele foi eleito neste ano, com a promessa de intensificar o combate ao grupo.
  • San Bernardino: O pior desde 11 de setembro
    Getty Images
    Foi o ataque terrorista mais mortífero dos EUA desde 11 de setembro de 2001. Um casal de atiradores invadiu uma organização sem fins lucrativos que trabalha com o desenvolvimento de pessoas com deficiência e abriu fogo durante uma confraternização. Syed Farook, um homem de 28 anos e de nacionalidade americana, e Tashfeen Malik, uma mulher de 27 anos e de nacionalidade saudita, foram identificados como os autores do massacre. Eles juraram lealdade ao Estado Islâmico. Logo após o incidente, classificado pelo presidente dos EUA como um “ato de terrorismo projetado para matar inocentes”, Obama voltou a pedir um maior controle na venda de armas no país.

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