ENTRETENIMENTO

'Jessica Jones' é a prova de que precisamos de mais super-heroínas cativantes

29/12/2015 16:15 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Meninos! Agora entendo esse lance de vocês com os "super-heróis".

Já faz mais de uma década desde que Hollywood descobriu que as adaptações dos super-heróis dos quadrinhos eram o segredo para uma fonte de receitas de vários bilhões de dólares que parece não ter fim. Mas preciso confessar: eu não assisti a nenhuma delas. Opa!

Bem, não, não é bem assim. Eu assisti a metade do Batman Begins no quarto de algum colega da faculdade. Mas é só.

Nunca assisti Os Vingadores. Nunca vi Thor, embora aquele irmão Hemsworth é bem interessante de se ficar olhando.

Nunca me importei com a vida dupla do Super-Homem para assistir "O Homem de Aço" nem me preocupei em espiar qualquer um dos outros filmes da DC Comics ou universo da Marvel dominado pelos homens. Eles são imensamente populares com mulheres assim como com homens, é claro.

E milhares de palavras têm circulado nesse espaço ocupado pelas figuras heroicas em nossas consciências culturais – porque as pessoas se apegam a elas e não as querem soltar. Eu simplesmente penso que a maioria dos super-heróis dos quadrinhos são profundamente desinteressantes.

É mais uma história onde um quase-trágico herói triunfa na sua missão de salvar [preencha-o-espaço-em-branco]? Já vi. Já ouvi. Passo.

Mas esta semana eu comecei a assistir Jessica Jones. Enquanto os outros quadrinhos do DC Comics e da Marvel reciclam velhas histórias que poderiam ser mais agradáveis se não fossem pelo fato de que o seu único atributo heroico variável é o gosto pelo nylon "Jessica Jones" parece ser -- finalmente – algo novo. É fantástico.

O herói é uma bagunça, bebe muito, tem a fala franca e trabalha como detetive desde o seu apartamento de merda em um cenário dark no Hell's Kitchen.

Uma vidraça com as palavras Alias Investigations completa a imagem de estilo neue noir – que já vimos antes, com uma exceção que muda tudo nesta série que tem como personagem principal uma mulher (!), chamada Jessica Jones.

A heroína foi adaptada do Marvel Comics para a telona por uma mulher que escreveu todos os filmes Twilight(Crepúsculo), Melissa Rosenberg, e interpretado por Krysten Ritter. Ela não pede desculpas nem está vestida com roupas apertadas, mas ela também não é nenhuma "outra" -izada princesa guerreira do Amazonas ou de origem alienígena.

Em vez disso, Jones é uma mulher humana complexa, com quem nós nos identificamos e faz um excelente trabalho nesse sentido apesar dos seus inúmeros defeitos. Como com qualquer outro ator, ela deixa de lado qualquer dúvida sobre sua popularidade.

Ela tem vários parceiros sexuais. Ela aparece em cenas de ação. É sensacional – especialmente por sua presença nos meios de comunicação de massa.

Televisão e filmes são aspectos da cultura. No mínimo, eles nos informam o que é OK e o que não é sobre o comportamento no nosso mundo, refletindo a moral e os valores. Mas eles também têm o poder de formar essa moral e esses valores – seja ao perpetuar imagens frequentemente associadas com indivíduos ou por permitir que esses indivíduos sejam caracterizados de novas formas.

O que Jessica Jones nos oferece é uma super-heroína que reflete uma realidade que não é vista comumente na telona: uma mulher no papel de líder do crime-drama com a mesma profundidade e presença que um homem. É recompensador ver alguém com quem possamos nos identificar, que parece com você, lutando contra o mal na tela grande.

Todos querem interpretar o herói. É divertido. Além disso, o “mal” no programa está completamente fundado no que é, para muitas mulheres, um perigo real: uma manipulação nociva e um controle emocional por um parceiro, perturbadoramente ficcionalizado via controle mental.

É claro, as grandes produções têm incluído outras super-heroínas – Viúva Negra, algumas das agentes de S.H.I.E.L.D. – mas nenhuma delas têm a permissão para brilhar tanto como a nossa mal-humorada detetive. (Embora exista um pouco de esperança para a Mulher Maravilha no mais próximo Batman vs Super-Homem.)

Por alguma razão, os estúdios operam sob a presunção que um "homem branco" é o padrão representativo da experiência humana e os outros personagens não vendem ingressos nem ganham altos índices de audiência.

Sim, Hollywood é uma criatura avessa ao risco. Quando encontra algo que dá certo – como os super-heróis (ou super-heroínas trabalhando lado a lado com um número igual ou até maior de homens) – os grandes estúdios seguirão essa fórmula até que não sirva mais.

Certo. Mas as histórias contadas de uma perspectiva alternativa estão prosperando, mesmo que só na telinha. A mulher que lidera o programa Supergirl da CBS que acabou de ser escolhido para toda uma temporada, sem contar a popularidade de programas de diversidade racial como o How to Get Away with Murder da ABC ou o Master of None da Netflix ou qualquer coisa que é tocada pela Shonda Rhimes.

Talvez essas séries possam ajudar a mostrar uma fórmula que dá certo: uma onde os diferentes tipos de pessoas veem uma imagem de herói contada por alguém com quem elas possam se identificar. Eu não só a única que mal pode esperar para ver o que Jessica Jones vai tramar na próxima temporada.

Siga a Sara Boboltz no Twitter: @sara_bee

(Tradução: Simone Palma)

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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