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Cunha, 2015 foi dele: para nosso desespero

28/12/2015 21:47 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Este ano o Brasil inteiro foi apresentado ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Certamente, um dos principais nomes de 2015.

Foi neste ano que ficaram ainda mais evidentes as atribuições do presidente da Câmara dos Deputados.

Nesta função, Cunha mostrou que é o presidente quem monta a pauta, decide as regras do jogo, cuida dos cargos e é o responsável pela abertura do processo de impeachment contra o presidente.

Já no início do ano, Cunha conseguiu deixar a Bancada Feminina revoltada com a intromissão na nomeação da presidente do grupo.

Isto porque, pela regra de proporcionalidade do bloco, avalizada por ele, as mulheres não puderam decidir quem comandaria a bancada.

Também no início da legislatura, Cunha fez um intenso trabalho de articulação para organizar as presidências das comissões.

Exemplo disso foi ter prometido o comando do colegiado responsável pelo Estatuto da Família ao deputado Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ) para que ele desistisse da candidatura avulsa à presidência da Comissão de Direitos Humanos.

Cunha também criou cargos. Deu ao deputado e aliado Cleber Verde (PRB-MA) a chefia da Comunicação da Casa. Essa função não existia.

Na presidência da Mesa Diretora, Cunha tentou pagar as promessas de campanha, como as passagens para mulheres de deputados e a construção de um shopping na Casa.

Polêmicas e manobras

Aproveitou ainda para desenterrar uma série de projetos e pautar outros tantos.

Foi sob a orientação dele que a Casa analisou o projeto que amplia a terceirização para todas as atividades, o que reduz a maioridade penal e a reforma política.

Nesses três casos, as manobras da presidência da Câmara e o conhecimento sobre o regimento permitiram que Cunha sobressaísse.

Quando o resultado não era favorável, ele recorria ao regimento, que possibilitava uma nova votação da matéria.

Também sob o comando de Cunha outras pautas polêmicas foram centro de discussão. Entre elas a PEC 215, a revogação do Estatuto do Desarmamento e o projeto, de autoria do peemedebista, que dificulta o atendimento às vítimas de estupro.

Protagonista da sua própria história

Já no fim do ano, a artilharia do parlamentar continuou a se mostrar forte. Acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato, Cunha não se intimidou nem com a chuva de dólares. Em reação, dificultou a entrada de turistas na Casa.

Foi graças a sua cadeira na Mesa Diretora que o processo de quebra de decoro contra ele que tramita no Conselho de Ética foi protelado ao máximo.

Quando se irritou, Cunha deu a última cartada e aceitou o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Com um empurrão do próprio parlamentar, a decisão sobre o futuro dele (e da presidente) ficou para 2016.

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