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Em Lesbos, brinquedos de piscina são provas da viagem perigosa

27/12/2015 18:20 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Pacific Press via Getty Images
IDOMENI REFUGEE CAMP, IDOMENI, CENTRAL MACEDONIA, GREECE - 2015/10/23: A child has lost its toy just ahead of the border crossing with the Republic of Macedonia. Thousands of refugees cross the border between Greece and Macedonia daily at the small Greek town of Idomeni, despite the worsening weather and heavy rain. Here they take a short stop for some supplies and wait for their turn to cross the border. (Photo by Michael Debets/Pacific Press/LightRocket via Getty Images)

Para onde quer que se olhe, em toda a costa, há provas da perigosa travessia da Turquia para a Grécia. Coletes salva-vidas, câmaras de pneu e botes destruídos estão por toda parte nas praias da idílica ilha de Lesbos.

Tinha visto imagens de montanhas de coletes salva-vidas laranjas nas praias, então não fiquei surpreso ao encontrá-las. Mas o que não esperava era encontrar brinquedos de piscina misturados lá no meio.

A primeira coisa que notei foi um salva-vidas de criança do Super Homem, feito para usar na piscina. A alguns metros, vi uma boia de braço com o desenho de um caranguejo sorridente. Comecei a caminhar na praia e pela primeira vez observei a enorme quantidade de brinquedos de piscina ali. Fiquei embasbacado. A cada poucos metros, havia mais um.

Uma boia de princesa. Um carro de corrida para crianças pequenas. Dora a Exploradora e outros personagens infantis se desinflando lentamente no sol do Egeu. Foi um golpe duro – lembrei de quando eu brincava na piscina com esse tipo de brinquedo. Itens criados para crianças felizes e sorridentes tinham sido usados no desespero por famílias fugindo da guerra em busca de uma vida melhor. Brinquedos feitos para piscinas em dias ensolarados são usados para potencialmente salvar a vida de uma criança aterrorizada na travessia escura e fria entre Grécia e Turquia.

Se algo representa quem são os refugiados, são essas imagens. Esses brinquedos não foram usados para evitar que terroristas se afogassem, mas sim para proteger crianças inocentes – protegê-las na travessia que elas não deveriam ser obrigadas a fazer.

Olhei para um dos pequenos coletes salva-vidas. As instruções me deram arrepios. “Aviso: não é um salva-vidas.” Todos os dias, crianças refugiadas atravessam o Mar Egeu agarradas a brinquedos, na esperança de que esses infláveis salvem suas vidas.

Mais tarde, soubemos que um barco naufragou logo depois de partir da Turquia. Três crianças teriam morrido.

O RYOT e o The Huffington Post se uniram para criar “A Travessia”, uma série de reportagens imersivas apresentada por Susan Sarandon que conta a crise dos refugiados na Grécia. Leia o post de Susan Sarandon sobre o projeto.

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