Luxo nem sempre está relacionado com preços estratosféricos. Mais importante que pagar caro são os valores intangíveis envolvidos, como bom gosto, elegância, a experiência proporcionada e o prazer de vivenciar algo que poucos podem ter. Selecionamos sete luxos que são, sim, valiosos, mas carregam com eles muito mais que o valor impresso na etiqueta.

Onde comer

Restaurante Caprice, Hotel Four Seasons em Hong Kong

restaurante caprice honk kong

Comandado pelo chef francês Fabrice Vulin, o restaurante duas estrelas da Michelin é um dos poucos aos quais foi confiado o privilégio de trabalhar com a carne mais cara do mundo. Não estamos falando do wagyu beef, de procedência japonesa, cujo preço pode chegar facilmente a 200 euros o quilo, mas da carne produzida pela família francesa Polmard. Um rib steak da “safra ano 2000” custa exorbitantes 3 000 euros.

O segredo da família, que mora em Saint-Mihiel, no nordeste da França, é um processo de armazenamento da carne a -43°C com ventos de 120 quilômetros por hora, chamado “hibernação”. Antes do abate, as vacas são criadas sem confinamento, e somente quatro são abatidas por semana, para evitar que o estresse altere o sabor da carne.

A maioria das peças é envelhecida por até dois meses, no máximo, mas existem cortes com 15 anos de idade. São esses que vão parar no restaurante Caprice, também famoso por sua adega de vinhos e variedade de queijos. A refeição custa 700 euros por pessoa – sem vinho.

A textura marmorizada torna a experiência única. Por isso, mesmo o alto valor não afugentou os clientes. Existe uma longa lista de espera para jantar no Caprice. E outra ainda mais longa para comprar a carne com os Polmard.

Onde ir

Castello di Ama, Província de Siena na Itália

castelo di ama

Castelos na Itália existem aos montes. O que diferencia o Castello di Ama dos outros não são os ótimos vinhos de sua enoteca ou as ricas acomodações em suítes do século 18. É tudo isso e mais: uma inesperada coleção de arte contemporânea produzida por artistas do primeiro time, como o britânico Anish Kapoor.

Os proprietários do castelo, Lorenza Sebasti e Marco Pallanti, vêm convidando essa turma faz 15 anos para deixar sua marca pelo castelo. Entre os convidados estão o francês Daniel Buren, o japonês Hiroshi Sugimoto, o cubano Carlos Garaicoa (que também possui obras em exposição em Inhotim, em Minas Gerais), entre outros grandes nomes da arte contemporânea. São, no total, 19 artistas que deixaram 14 instalações como legado para os visitantes.

Se tudo isso não bastasse, as vinícolas adjacentes ao Castello di Ama produzem o vinho com o nome do castelo que foi considerado o sexto melhor do mundo ano passado pela revista Wine Spectator.

O que dirigir

DeLorean DMC-12

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Este foi o ano em que o futuro finalmente chegou: 2015, quando os carros e skates voadores, as jaquetas autossecantes, os tênis que se amarram sozinhos e os tubarões holográficos previstos no filme De Volta para o Futuro II deveriam se tornar realidade.

Obviamente, nada disso passou da fase do protótipo, mas um ícone daquela época está prestes a voltar à vida. Ter um carro DeLorean zero-quilômetro não será mais um privilégio de Marty McFly.

Desde o fechamento da fábrica, em 1983, o automóvel era encontrado apenas nas mãos de dedicados colecionadores. Agora, o inglês Steve Wynne vai retomar a produção de uma série limitada de DeLorean usando o espólio que comprou da fabricante original dos veículos. Com as peças nunca usadas produzirá 500 novos automóveis.

O preço inicial será de 65 000 dólares, o equivalente a mais de 250 000 reais (valor na data de fechamento desta reportagem). É mais do que custa um Mercedes-Benz de luxo no Brasil. A boa notícia é que não é preciso se deslocar até o Texas – sede da empresa – para comprá-lo. O fabricante vai exportá-lo para vários países, inclusive o Brasil.

O que ler

Cartier Panthère

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Existem livros de arte que, a despeito das belas imagens que contêm, não servem para muita coisa além de decorar mesinhas de centro. Certamente não é o caso de Cartier Panthère, da editora francesa Assouline. Com textos de especialistas em história da arte e luxo, o livro conta a trajetória de uma das mais duradouras e influentes linhas de joias dos últimos 100 anos, a Panthère, da Cartier.

São 150 ilustrações detalhando as principais peças que caíram no gosto da realeza e da elite europeia e, sem nenhum exagero, mudaram o modo de as mulheres usarem joias. Antes de a Duquesa de Windson, Wallis Simpson, começar a usá-las, apenas atrizes e prostitutas eram vistas com peças figurativas. A partir de então, a pantera estampada em relógios, anéis, colares e pingentes se tornou um dos símbolos mais reconhecíveis da Cartier em todo o mundo.

O livro ainda conta a enorme contribuição de Jeanne Toussaint, diretora criativa da joalheria entre 1933 e 1970 e amante de Louis Cartier, para o legado duradouro das peças.

Onde morar

Vancouver House by BIG

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Vancouver não tem uma paisagem tão diversa quanto Toronto, nem possui a atmosfera vibrante de Montreal. Mas, em breve, a cidade canadense deve receber um edifício capaz de deixar as coirmãs com uma certa ponta de inveja.

Premiado no Festival Mundial de Arquitetura como o Projeto Futurístico do Ano, o edifício Vancouver House, projetado pelo arquiteto dinamarquês Bjarke Ingels, deve mudar o panorama da cidade.

A torre de 52 andares (Ingels a chama de escultura viva) tem penthouses de até 540 metros quadrados com vista para o Oceano Pacífico, com várias opções de customização, desde o material até o projeto final. Por isso, nenhum dos apartamentos, garante Ingels, será igual ao outro.

Entre outros luxos disponíveis haverá uma frota dos mais recentes modelos de veículos BMWs, disponíveis mediante reserva.

O que beber

Peter Michael Cabernet Sauvignon Au Paradis 2012

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O vinho número 1 do planeta em 2015, de acordo com a revista Wine Spectator, vem do Napa Valley, na Califórnia, da surpreendente e pouca conhecida vinícola de Peter Michael, inglês que fez fortuna com empresas de engenharia e tecnologia.

É a primeira vez na história da revista que um Cabernet produzido no Napa Valley fica em primeiro lugar no Top 100, numa combinação perfeita de solo e clima.

A primeira tentativa de produzir o Au Paradis foi feita em 2010, mas o começo foi de fato em 2011. A safra 2012 coroou o trabalho, angariando 96 pontos no ranking da revista. Não há ainda distribuidor desse californiano no Brasil, mas isso deve mudar em breve.

Como ver as horas

Baume & Mercier Five Minute Repeater Pocket Watch

divulgação

Esqueça os smartwatches. Em comemoração aos 185 de fundação da empresa, a Baume & Mercier lançou apenas 30 unidades do relógio de bolso com repetidor de cinco minutos. Além de vir gravado o número de série, há detalhes nas peças, como a quantidade de joias presentes no aparelho (17 no total).

O mecanismo repetidor, inventado em 1710 e conhecido como “complicação” no jargão do mundo dos relógios, é raramente usado atualmente. Quanto mais detalhes um relógio possui, mais difícil é produzi-lo. Não é à toa que cada peça da Baume & Mercier, feita de ouro vermelho de 18 quilates, custa 54 000 euros.