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21/12/2015 17:17 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Racismo, violência, vergonha e opressão. Ser negro nos EUA é viver sempre com medo

black woman crying

Tiros se espalharam pela multidão predominantemente negra reunida em Minneapolis, na noite de 23 de novembro, para exigir justiça pela morte de Jamar Clark, um jovem de 24 anos. Cinco negros ficaram feridos.

"Nessa noite, supremacistas brancos atacaram o ‪#‎4thPrecinctShutDown‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬ em um ato de terrorismo doméstico", escreveu o Black Lives Matter (“A Vida dos Negros Importa”, em tradução livre) Minneapolis no Facebook.

"Nós não nos intimidaremos".

Embora certamente a valentia deles seja admirável, o tiroteio expôs o fardo fundamental de ser negro: nós não nos sentimos seguros em nenhuma parte.

Clark foi fatalmente ferido por um policial branco, no dia 15 de novembro. O oficial afirma que agiu em autodefesa. Entretanto, depoimentos de testemunhas diferem drasticamente. Por oito dias consecutivos, os manifestantes exigiram o julgamento dos dois policiais envolvidos.

Alguns manifestantes disseram que grupos de homens brancos tinham participado dos encontros desde sexta e “agiam de forma suspeita”.

Outros disseram que os homens se encaixavam na descrição daqueles captados em um vídeo publicado no Facebook que mostra dois homens brancos mascarados falando abertamente de seus planos de penetrar um protesto na região. Um dos homens mostra a arma e diz que ela está "carregada e pronta".

manifestação

"Aparentemente, uma leve reprimenda por agredir a polícia e agredir os paramédicos é suficiente – especialmente quando você opta por agarrar a arma de um oficial", disse um dos homens brancos no vídeo. "Tá bom, então. Isso é culturalmente enriquecedor, só que um pouco invertido. Nós vamos fazer o circo pegar fogo".

Os ferimentos causados por esses tiros foram reportados como “sem risco de vida” e embora um suspeito fosse preso e identificado como um homem branco, mais informações ainda não foram divulgadas.

No entanto, é justo presumir que baseado nos depoimentos de testemunhas, este ataque covarde foi realizado por homens cuja ideologia está enraizada pelo ódio. A intenção era ameaçar a segurança da vida dos negros.

"Eu te digo o que a liberdade significa para mim – nenhum medo!". Nina Simone

Aos poucos vão surgindo mais detalhes sobre o ocorrido. Enquanto isso nós devemos imediatamente reconhecer que os negros americanos são forçados a viver com medo antes, depois e ao mesmo tempo que sofremos com atos como esse horrível tiroteio.

Em um estudo recente, os supremacistas brancos – provavelmente parecidos aos atiradores dessa noite – foram identificados como a maior ameaça terrorista ao país.

O racismo se infiltra em nossas vidas a todo instante e permite que os negros não recebamos a igualdade que merecemos e nos é prometida por lei.

Mesmo assim, só nos resta reunir a força para protestarmos juntos, elevarmos as nossas vozes e exigirmos um tratamento justo, especialmente quando ele é tão frequentemente negado. É uma busca infinita e uma que tem mobilizado o movimento Black Lives Matter que fala sobre o poder das vozes negras que são ignoradas há tanto tempo.

Os negros americanos são forçados a lidar com um peso inimaginável; nós vivemos em constante medo e ainda lutamos contra a opressão que nos assola.

Nós tentamos manter nossas cabeças erguidas e lutar enquanto os nossos choros são abafados pelos sons dos tiros dados por aqueles que farão qualquer coisa para nos silenciar.

Mas..

Se nós não podemos encontrar segurança em nossas ruas, carros, casas, rodovias, parques, piscinas ou igrejas...

Se nós não podemos encontrar refúgio do medo em nossas escolas, faculdades, calçadas ou espaços públicos

Se nós não podemos falar o que pensamos e compartilhar as nossas preocupações para um futuro político nos Estados

Unidos da América sem sermos repreendidos ou atacados...

...então onde devemos recorrer?

Eu recorro à lendária ativista e cantora Nina Simone que uma vez disse: "Eu te digo o que a liberdade significa para mim – nenhum medo". .

Suas palavras são especialmente relevantes em dias como o que marcam um ano do julgamento do ex-policial de Ferguson, Darren Wilson, que foi liberado de culpa no disparo mortal ao garoto de 18 anos Michael Brown.

E em dias como os que comemoram o aniversário de 3 anos da morte de Jordan Davis, um garoto negro de 17 ano baleado por um homem branco na Florida por ouvir música muito alta.

E também em dias de domingo, que marcam um ano da morte de Tamir Rice, um menino negro de 12 anos que foi baleado por um policial branco em Cleveland, Ohio.

Isso é comprovado a cada momento de cada dia para os negros americanos. Mas nós continuamos a perseverar para termos a liberdade de nos sentirmos seguros – e não é porque queremos, é porque devemos.

(Tradução: Simone Palma)

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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