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18/12/2015 15:38 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Construtoras são acusadas de explorar trabalhadores em obras para Copa do Catar

MARWAN NAAMANI via Getty Images
Foreign laborers working on the construction site of the al-Wakrah football stadium, one of the Qatar's 2022 World Cup stadiums, walk back to their accomodation at the Ezdan 40 compound after finishing work on May 4, 2015, in Doha's Al-Wakrah southern suburbs. The Qatari government has announced new projects to provide better accommodation for up to one million migrant workers. Today they organised a media tour of existing housing camps and new ones. AFP PHOTO / MARWAN NAAMANI (Photo credit should read MARWAN NAAMANI/AFP/Getty Images)

A Confederação Internacional de Sindicatos (Ituc) acusou as empresas de construção estrangeiras que trabalham nas obras para o Mundial de Futebol do Catar de explorar os trabalhadores e reduzí-los a “escravos dos tempos modernos”.

Relatório da Ituc divulgado nesta sexta-feira (18), Dia Mundial dos Migrantes, diz que as empresas têm “lucro da ordem dos 15 bilhões de euros", recrutando “cerca de 1,8 milhão de migrantes, que são escravos dos modernos”.

A secretária-geral da Ituc, Sharan Burrow, afirma que os lucros “são favorecidos por níveis de salários assustadoramente baixos, muitas vezes baseados num sistema de discriminação racial”. Ela acusou as construtoras de exporem os migrantes “a riscos elevados de acidentes de trabalho”.

Segundo o levantamento, “cerca de 7.000 trabalhadores poderão morrer no Catar, antes do início do Mundial de 2022”, mas não foram especificadas as prováveis causas das mortes.

Os projetos de construção referentes ao Mundial2022, com custos estimados em US$ 200 bilhões, têm atraído construtoras estrangeiras que, de acordo com o relatório, pagam salários próximos de US$ 1,5 dólar por hora, baseando-se no sistema kafala. Esses sistema, que as autoridades do Catar já manifestaram a intenção de alterar, permite aos empregadores confiscar os passaportes dos trabalhadores, impedindo que os migrantes mudem de emprego ou saiam do país.

No levantamento, a Ituc pede às autoridades que alterem o sistema e apela por uma intervenção da Federação Internacional de Futebol (Fifa) em “defesa dos direitos dos trabalhadores”.

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