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16/12/2015 14:10 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Fitch retira grau de investimento do Brasil; Levy diz que é 'preciso agir'

Bloomberg via Getty Images
Pedestrians walk past the logo for Fitch Ratings Ltd. outiside their offices in New York, U.S., on Tuesday, Feb. 21, 2012. Fitch provides the world's credit markets with independent and prospective credit opinions, research, and data. Fitch also provides enterprise risk management solutions. Photographer: Scott Eells/Bloomberg via Getty Images

A agência de classificação de risco Fitch retirou nesta quarta-feira, 16, o grau de investimento do Brasil. A instituição rebaixou o rating do nível BBB- para BB+, com perspectiva negativa. Segundo a agência, o rebaixamento reflete a depressão mais profunda da economia que o antecipado e também acontecimentos fiscais adversos e crescente incerteza política.

A Fitch informou também que a perspectiva negativa reflete contínua incerteza e risco de piora econômica. Também envolve risco de piora fiscal e política. No comunicado, a agência ainda citou efeitos negativos das investigações de corrupção na Petrobras e a deterioração econômica contínua, diante de condições econômicas mais fracas.

De acordo com a Fitch, o ambiente externo segue difícil, com queda das commodities e desaceleração na China.

A agência de classificação de risco destacou também que repetidas mudanças nas metas fiscais minaram a credibilidade da política fiscal e que o início do processo de impeachment contra a presidente da República, Dilma Rousseff, amplia incertezas políticas.

A Fitch prevê que o déficit fiscal pode chegar a ultrapassar 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015. Segundo a agência, o déficit fiscal deve permanecer elevado em 2016 e 2017, em média acima de 7% do PIB. "O grande déficit em 2015 também é devido a taxas de juros mais altas, particularmente refletindo as perdas em swaps cambiais oferecidos pelo banco central", afirma a agência.

No comunicado que informa o rebaixamento do Brasil e a perda de seu grau de investimento, a agência de classificação de risco Fitch afirma que a deterioração fiscal do País continua, em meio a um cenário de condições econômicas mais fracas. Em dezembro, o governo garantiu a aprovação de um déficit primário de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2015, refletindo um desempenho de receita adverso, a fraca capacidade de cortar gastos e gastos únicos potenciais equivalente a cerca de 1% do PIB, diz a agência. Ela acrescenta:

"As repetidas mudanças nas metas fiscais têm minado a credibilidade da política fiscal. Para além disso, a aprovação de medidas para melhorar estruturalmente a perspectiva para as finanças públicas e garantir a credibilidade da consolidação fiscal no médio prazo parece difícil, no atual ambiente político."

Além disso, a Fitch diz que o ponto de partida pior das contas fiscais, a contração econômica pior que a prevista e o aumento da incerteza política nas últimas semanas lançam mais dúvidas sobre a capacidade do governo de conseguir a aprovação no momento adequado para atingir sua meta de superávit fiscal para 2016.

"Os déficits fiscais maiores, junto com a contração econômica maior, está levando a um crescimento maior no peso da dívida sobre o governo que o anteriormente esperado", diz a Fitch, prevendo que a dívida do governo geral atinja mais de 70% do PIB em 2016 e avançando ainda mais em 2017. Esses patamares são significativamente maiores que as medianas para os países detentores das notas BBB (43% do PIB, nesse caso) e BB (44,4% do PIB), diz a agência.

Reação

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, avaliou nesta quarta-feira, 16, como "séria" a perda do grau de investimento do Brasil pela Fitch e defendeu que "é "preciso agir".

Segundo ele, a resposta está na aprovação das medidas do ajuste fiscal necessárias para a retomada do crescimento. Levy permaneceu em silêncio todas as vezes em que foi questionado sobre se permanecerá no governo.

"A perda do grau de investimento é séria e por isso temos que agir", afirmou em entrevista coletiva após reunião com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Para o ministro, o rebaixamento "indica preocupação" de que tudo que o Brasil precisa fazer não tem sido feito no "passo necessário".

Segundo ele, a "atenção" sobre essas questões tem sido desviada por assuntos diversos, que fogem à área econômica. O ministro rechaçou que o downgrade signifique fuga de investidores do País. "As pessoas querem investir no Brasil", disse.

“Nós temos que tomar as medidas necessárias. Agora, o mais importante é a votação da MPs [medidas provisórias], que dão suporte ao nosso Orçamento. Em vista do rebaixamento, temos que partir em defesa do Brasil. Temos que votar, tanto na Câmara, quanto no Senado. Tive agora com o presidente do Senado, Renan [Calheiros], e ele está disposto a apoiar esse esforço. Acho que tem que ser de todos os brasileiros neste momento”, disse Levy, ao chegar ao Ministério da Fazenda após encontro com o presidente do Senado, no Congresso, segundo a Agência Brasil.

“A gente não pode começar o ano sem votar as coisas que são essenciais e que vão permitir suportar o nosso Orçamento. Depois, no ano que vem, vamos ter que continuar fazendo também as reformas e ajustar o que a gente tem que ajustar para a economia brasileira voltar a crescer, para as famílias brasileiras terem tranquilidade. É isso que a gente tem que fazer agora em defesa do Brasil”, ressaltou.

(Com informações da Agência Brasil)

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