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10/12/2015 21:09 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Os 10 dias que escancararam a política brasileira

Montagem/Estadão Conteúdo

Nos últimos dez dias, o Brasil assistiu à exposição de tudo que se falava nos bastidores sobre a política nacional. Acordos, conchavos, barganhas, chantagem, brigas, baixaria… Todos os jargões e clichês foram evidenciados e se tornaram públicos em uma sequência de episódios que pode terminar com a queda dos três primeiros da linha sucessória do comando do País.

Com a iminente abertura de um processo que pede a cassação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e decisões recentes da Justiça que poderiam sustentar um pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, o clima político esquentou.

Nos corredores da Câmara dos Deputados falava-se que Cunha, responsável pela abertura do impedimento, barganhava com o Planalto votos no Conselho de Ética para evitar que o processo contra ele fosse aberto.

No dia em que o partido da presidente cedeu a forte pressão de integrantes da legenda e decidiu anunciar que votaria contra Cunha, o peemedebista chamou uma coletiva de imprensa para dizer que havia acatado um dos pedidos de impeachment.

Daí para frente foi uma sucessão de baixarias:

2/12 - "Não coagi pessoas"

Investigado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Cunha acata o pedido de impeachment e a presidente Dilma Rousseff faz um pronunciamento no qual ataca o peemedebista. Ela diz que não cometeu nenhum ilícito e não coagiu pessoas. "Não existe nenhum ato ilícito praticado por mim. Não paira contra mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público.”

3/12 - Quem mentiu?

Irritado, Cunha diz que Dilma mentiu à nação ao negar que tenha feito barganha política com os votos no conselho em troca da aprovação da CPMF e arquivamento do impeachment.

"Ontem, o deputado André Moura (PSC-SE) esteve com a presidente da República que quis vincular o apoio dos deputados do PT [para votarem a favor do arquivamento do processo contra Cunha no Conselho de Ética] à aprovação da CPMF”, disse Cunha.

O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, rebateu: "Ele é que mentiu, na medida em que disse que ontem o deputado André Moura teria estado com a presidenta Dilma, levado por mim. O deputado André Moura não esteve com a presidenta Dilma, esteve comigo, sempre discuti com ele como emissário do presidente da Câmara, sempre discuti com ele pauta econômica”. Em seguida, Wagner acrescentou que não conversou sobre impeachment com o parlamentar.

4/12 - Me dê motivo para ir embora

Com clima de incerteza sobre o impeachment, o ministro da Aviação Civil e braço direito do vice-presidente Michel Temer, Eliseu Padilha, decidiu tomar partido e pedir demissão do cargo.

Oficialmente, o argumento foi que a presidente não acatou o pedido dele de nomear um aliado para Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

7/12 - “Você nunca confiou em mim”

O vice-presidente enviou uma carta à presidente, que vazou à imprensa, expondo todas as mágoas que ele guardava da mandatária.

No texto, ele elencou 11 razões dos desentendimentos, disse que era um vice "decorativo", que foi preterido e que o PMDB era "mero acessório". Reclamou da demissão do aliado Moreira Franco e da ausência de convite para ele para encontro com o vice dos Estados Unidos, Joe Biden.

8/12 - Quem manda?

Presidente da Câmara, Eduardo Cunha articulou duas vezes em benefício próprio nesta semana. Patrocinou a criação de uma chapa paralela, formada por oposicionistas e dissidentes do governo, para a comissão que analisará on impeachment e marcou a sessão para o mesmo horário do Conselho de Ética, o que inviabilizou a votação do parecer contra ele.

Indignados com a série de manobras, parlamentares questionaram a ação de Cunha, e o Supremo Tribunal Federal suspendeu a sessão que elegeu a chapa dissidente. Todo o processo do impeachment - e os trabalhos da Câmara dos Deputados - foram paralisados. Os deputados prometem voltar a trabalhar apenas quando o STF decidir o rito do impeachment.

9/12 - Tropa de choque em ação

Em mais uma manobra, aliados do presidente da Câmara conseguiram pela sexta vez adiar a votação do processo contra Cunha no Conselho de Ética.

Desta vez, o vice-presidente da Casa, em resposta a uma questão de ordem do aliado de Cunha, deputado Manoel Júnior (PMDB-PB), destituiu o relator do pedido de abertura das investigações.

Com isso, os aliados conseguiram voltar todo o trâmite para estaca zero. De acordo com o artigo 105 do Regimento da Casa, todos os prazos serão reabertos novamente.

10/12 - Clima de escola? Deputados entram no tapa e trocam de lugar para evitar confusão maior

A sessão do Conselho de Ética para oficializar o deputado Marcos Rogério (PDT-RO) como novo relator foi marcada por clima de tensão.

Após um questionamento sobre questão de ordem para tirar o presidente do colegiado do cargo, iniciou-se um bate-boca sobre a possibilidade de golpe na comissão.

O tumulto culminou com os deputados Wellington Roberto (PR-PB) e Zé Geraldo (PT-PA) trocando tapas. Os dois trocaram de lugar na sala para evitar aprofundamento da confusão.

As cenas que tiveram como palco as sedes dos três poderes, o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto, prometem ser só o início de um longo caminho que promete mudar a cara política brasileira.

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