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09/12/2015 14:38 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Temer diz que comissão do impeachment é legítima e País vive 'normalidade democrática'

DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

Em sua primeira declaração pública após a instalação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o vice-presidente Michel Temer afirmou nesta quarta-feira, 9, que as instituições estão funcionando e que "o País vive uma normalidade democrática extraordinária". Ele evitou comentar a relação com a presidente, confirmou um encontro entre os dois hoje à noite e negou que o PMDB desembarcará do governo.

Ao comentar a derrota governista na formação da comissão que analisará o impeachment, Temer disse que a formação da comissão foi feita no exercício legítimo da competência da Câmara dos Deputados. Ele afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) também atuou dentro das suas atribuições ao suspender a formação do grupo.

"Isso revela exatamente que nós vivemos num regime de uma normalidade democrática extraordinária. As instituições estão funcionando, devemos preservar aquilo que as instituições estão fazendo. E revelar com isso a democracia pela do País", afirmou o peemedebista.

Temer fez uma breve declaração à imprensa e não comentou a respeito de sua relação com a presidente Dilma, arranhada após o envio de uma carta do vice, na qual ele se queixou de falta de confiança e de ter um papel decorativo no governo. Ele apenas confirmou que haverá um encontro entre os dois na noite de hoje. Ao sair, Temer fez um gesto negativo ao ser questionado se o PMDB romperia com o governo.

Nessa terça-feira, o governo atribuiu a derrota no primeiro teste do impeachment à atuação do vice, que é presidente do PMDB. Na avaliação do Palácio do Planalto, o clima de rebelião na Câmara piorou com o vazamento da carta escrita por Temer à presidente. O gesto de Temer teria funcionado como um gatilho para que alas do PMDB e de outros partidos da base aliada se rebelassem contra Dilma.

Deputados elegeram na terça-feira a chapa organizada por partidos da oposição e dissidentes do PMDB para a comissão especial que vai elaborar parecer sobre o processo de impeachment da presidente Dilma na Casa. Intitulada "Unindo o Brasil", a chapa foi eleita por 272 votos a 199 votos, em uma votação marcada por confusão e tentativa de obstrução de governistas. A eleição representou uma derrota para o governo, que apoiava a chapa organizadas por governistas e terá minoria na comissão.

Logo depois, entretanto, o ministro Luiz Edson Fachin, do STF, suspendeu a instalação da comissão especial. Com a decisão e o impedimento dos trabalhos do colegiado, o ministro do STF suspende todo o andamento do impeachment - incluindo prazos que estiverem correndo, como o da defesa da presidente. A suspensão é mantida até análise do plenário do STF sobre o caso, que está marcada para ocorrer na próxima quarta-feira, dia 16. Na ocasião, caberá à Corte analisar se os atos que já foram praticados - como a votação da chapa - são ou não válidos. Até então, o que já foi feito continua preservado.

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