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09/12/2015 21:16 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Cansados de manobra, deputados traçam estratégia para destituir Cunha

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Cansados da tentativa de votar o parecer que pede a abertura das investigações contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no Conselho de Ética, integrantes da comissão articulam uma maneira de pedir o afastamento do peemedebista do cargo.

Um dos passos foi dado pelo PSol e pela Rede. Os partidos protocolaram um novo pedido de afastamento do peemedebista na Procuradoria-Geral da República.

Outra opção é a apresentação de um projeto de resolução no conselho para pedir o afastamento cautelar do presidente da Casa, sob o argumento de que ele está usando a prerrogativa de presidente para prevaricar.

O projeto de resolução, porém, poderia gerar um desgaste maior na Casa, pois, se aprovado no Conselho, ele segue para o plenário, presidido por Cunha. Os integrantes do colegiado estão ouvindo juristas e ministros do Supremo Tribunal Federal para avaliar a melhor estratégia.

Em outra frente, a cúpula da comissão também cogita pedir ao STF o afastamento de Cunha.

Um dos mais irritados com as manobras para adiar os trabalhos é o presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSD-BA).

"Não sou funcionário do Eduardo Cunha. (...) Os deputados estão querendo propor várias medidas, inclusive ir ao Supremo, ir ao Procurador-Geral da República mostrar que está difícil trabalhar assim. (…) Se eu puder ir ao Papa para afastar o Cunha, eu vou ao Papa."

Novo relator

A última manobra de aliados do peemedebista foi destituir, nesta quarta-feira (9), o deputado Fausto Pinato (PRB-SP) da relatoria do processo que pede abertura da investigação contra Cunha.

Logo em seguida, Aráujo sorteou três integrantes da comissão e anunciou, no início da noite, o deputado Marcos Rogério (PDT-RO) para a relatoria.

A manobra faz com que os prazos da comissão sejam questionados. A expectativa é que não haja grandes alterações. Aliados de Cunha, porém, acreditam que a comissão volta a estaca zero e todos os prazos sejam reabertos.

Manobra

Cunha negou que esteja manobrando. Segundo ele, quem manobra é o Conselho. Ele argumentou que o colegiado não tem respeitado o regimento e citou a escolha do relator.

"Tomar outra decisão que não fosse a troca do relator seria rasgar todas as decisões e todos os atos corriqueiros que são praticados na Casa Legislativa utilizando os blocos parlamentares”

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