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08/12/2015 17:40 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Adriano de Souza, o Mineirinho, quer ser o segundo brasileiro a trazer o mundial de surfe para o país

adriano souza surf

Adriano de Souza, o Mineirinho, quer ser o segundo brasileiro a trazer o título mundial do surfe para o país. Confira abaixo a entrevista com o atleta.

O peso da camiseta amarela

"Liderei o campeonato mundial durante algumas etapas, mas perdi a camiseta amarela [com a qual o líder compete] na Califórnia [em setembro]. Tem atletas que se fortalecem usando a peça e vão crescendo ao longo do campeonato. Para outros, tem um peso você não ter mais referência – e sim ser a referência. Este ano, no começo da temporada, senti muita pressão com ela. Mas depois passei a me sentir favorecido. Na verdade, ser líder não significa nada. O importante é finalizar o ano em primeiro. Agora é o Mick [Fanning] que está com ela. Todo mundo quer pegar o Mick. E eu estou mais livre".

Efeito Medina

"Sempre foi meu sonho ser o campeão do mundo. Estou há dez anos no circuito e luto até hoje por isso. Nosso esporte é individual, cada um briga por seu espaço. Mas, quando não conquisto algo, torço por alguém do Brasil, como Gabriel [Medina, quarto no ranking hoje], Filipinho [Toledo, segundo colocado]. Por isso fiquei muito feliz pelo Gabriel, que, ganhando o mundial no ano passado, deu mais visibilidade pro nosso país, trouxe mais investimento, mais público. O esporte mudou da água pro vinho. Não existia mais circuito brasileiro profissional, e ele retornou agora. Os patrocínios melhoraram bastante. Nós aparecemos no Jornal Nacional. Só tenho a agradecer por Gabriel ter feito isso por nós".

Surfe com sorte

adriano souza surf

"O surfe teve sorte. A gente teve a maior decepção do mundo com o futebol em 2014. Ano de Copa do Mundo aqui, apostávamos nossas fichas. Aí aconteceu aquilo tudo e o surfe caiu como uma luva. A final foi transmitida ao vivo e o país inteiro viu um brasileiro se consagrar campeão do mundo. Estávamos lá para dar um campeão para o país na hora em que ele mais estava precisando. A gente estava no lugar certo na hora certa. Se o futebol fosse campeão do mundo, isso ofuscaria o surfe e nós não estaríamos onde estamos".

Viver o sonho (ou não)

"Sei que vivo o sonho de muitas pessoas, e isso é muito prazeroso. Mas sei o quanto é difícil se manter do esporte, há muita competitividade. Tem muita gente querendo estar no meu lugar, por isso que dou muito valor a ele e me dedico diariamente a não deixar isso acontecer. E minha vida não é só coisa boa. Não passo meu aniversário em casa há 15 anos. Não sei o que é ter vida social há milhares de anos. Não consigo me lembrar o dia em que enchi minha geladeira pra passar um mês em casa. É muita viagem, perrengue. E é uma vida bem solitária".

Deslumbramento

"O atleta tem poucos anos para extrair o máximo do máximo do esporte, porque na sequência vai vir outro cara atropelando e roubar seu espaço. Por isso é importante ter o pé no chão. É fácil se deslumbrar com essa vida, com certeza. Mas caminhar da mesma forma que iniciou é o segredo. Vi de tudo na carreira. Muitos atletas que poderiam ter dado certo, hoje olham pra trás e têm muito arrependimento. Achavam que o surfe era uma fonte sem fim e misturaram de tudo um pouco: muita agressividade, droga".

Festas

"Gosto de tomar uma cerveja, de curtir, ir pra uma festa. Só que eu estou prestes a subir no altar [com a catarinense Patrícia Eicke]. Hoje em dia as redes sociais mostram tudo, então o assédio é menor, as meninas sabem que eu tenho namorada e acabam respeitando. Particularmente, se pudesse escolher, não gostaria de ter conhecido a mulher da minha vida cinco anos atrás. Eu ficaria um pouquinho mais de tempo solteiro [risos]".

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