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05/12/2015 14:44 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Estado Islâmico diz que assassinos da Califórnia eram seus seguidores

AP

O Estado Islâmico disse neste sábado (5) que o casal que matou 14 pessoas na Califórnia (EUA) em ataque investigado pelo FBI como "ato de terrorismo" eram seguidores do grupo militante baseado na Síria e no Iraque.

A declaração do grupo em uma rádio online, aparece três dias depois de Syed Rizwan Farook, 28 anos, nascido nos EUA, e sua mulher Tashfeen Malik, 29 anos, do Paquistão, realizarem um ataque a uma festa de feriado para funcionários públicos em San Bernardino, a cerca de 100 km leste de Los Angeles. Os dois morreram horas depois, em tiroteio com a polícia.

Fontes do governo norte-americano disseram que Malik e seu marido podem ter sido inspirados pelo Estado Islâmico, mas não havia nenhuma evidência de que o ataque era direcionado pelo grupo militante ou que a organização sabia quem eles eram. A festa que o casal atacou era para trabalhadores da mesma agência governamental que empregava Farook.

Se o tiroteio de quarta-feira (2) se provar como tendo sido trabalho de pessoas inspiradas por militantes islâmicos, como os investigadores suspeitam, isso marcaria o ataque mais fatal deste tipo nos Estados Unidos desde 11 de setembro de 2001. "Dois seguidores do Estado Islâmico atacaram alguns dias atrás um centro em San Bernadino na Califórnia", disse a rádio online do grupo, al-Bayan, no sábado.

Uma versão em inglês da transmissão foi divulgada mais tarde, chamando os atacantes de "soldados" do Estado Islâmico, ao invés de "seguidores" como na versão original em árabe. Não ficou claro se a versão em inglês os colocava como membros, ou o motivo de haver inconsistência.

A transmissão veio um dia após o Facebook confirmar que comentários louvando o Estado Islâmico foram postados perto do horário do tiroteiro em uma conta da rede social feita por Malik sob um pseudônimo. No entanto, era incerto se os comentários foram postados por Malik ou por outra pessoa que teve acesso à sua página.

Autor de ataque teve contato com grupo ligado à Al Qaeda

O atirador de San Bernardino, Syed Farook, teve contato com pessoas de ao menos duas organizações militantes, incluindo o grupo ligado à Al Qaeda na Síria, Nusra Front, informou o jornal Los Angeles Times, citando uma autoridade federal.

Segundo essa autoridade, houve "algum tipo" de contato entre Farook e as pessoas do Nusra Front e do grupo radical Al Shabaab, na Somália, informou na sexta-feira o jornal. Não ficou claro o tipo de contato nem com quem.

"Não ficaremos aterrorizados", diz Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu neste sábado que investigações federais descobrirão o motivo que levou um casal da Califórnia a atirar e matar 14 pessoas, e pediu aos norte-americanos que fiquem unidos após os ataques. "Somos fortes. E somos resilientes. Não ficaremos aterrorizados", disse Obama.

"É totalmente possível que estes dois atacantes fossem radicalizados para cometer este ato de terror", emendou. "E se forem, reforçaria uma ameaça na qual estamos focados por anos - o perigo de as pessoas sucumbirem a ideologias extremistas violentas."

Os norte-americanos já estavam sob tensão com os ataques do Estado Islâmico em Paris, que deixaram 130 mortos em 13 de novembro. Os Estados Unidos estão liderando uma coalizão internacional de combate ao grupo na Síria e no Iraque. A nação foi paralisada pela cobertura dos ataques de San Bernardino.

Obama, que já enfrenta críticas por sua estratégia na Síria, tem sido criticado por republicanos por inicialmente focar na questão do controle de armas após os ataques. Obama tem se frustrado por sua incapacidade de convencer o Congresso a aprovar leis mais duras sobre armas, apesar da série de tiroteios trágicos ocorridos durante seu mandato.

A Constituição dos EUA garante o direito de possuir armas, tornando o assunto de reformas - com oposição do pesado lobby de armas- uma preocupação política.

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