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04/12/2015 16:54 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Operação contra corrupção no futebol recuperou R$ 720 milhões aos EUA

loretta lynch

Procuradora-geral dos EUA, Loretta Lynch, é um das principais responsáveis

A operação da Justiça norte-americana contra a corrupção no futebol já recuperou aos cofres dos EUA mais cerca de US$ 190 milhões (cerca de R$ 720 milhões), em multas e acordos de delação premiada. O valor não inclui as fianças pagas pelos dirigentes para que possam aguardar o julgamento em liberdade condicional.

Dos 41 indiciados no caso, pelo menos oito deles já fecharam acordos para cooperar nas investigações. Os entendimentos envolveram o pagamento do valor considerado pelos americanos como parte da fraude cometida.

Tordin, que trabalhava na Traffic de José Hawilla, pagaria cerca de US$ 600 mil. Hoje, ele já trabalhava normalmente pela empresa Media World, em Miami. Mas confessou os crimes de evasão fiscal e fraude. Seu acordo foi fechado no dia 9 de novembro.

Há uma semana, foi a vez de José Margulies aceitar pagar US$ 9,2 milhões ao admitir fraude e lavagem de dinheiro. Ele controlava duas empresas - a Valente Corp. e a Somerton Ltd - e serviam para realizar os pagamentos das propinas de Hawilla aos cartolas.

Os acordos ainda incluem o empresário Zorana Danis, que deixou aos cofres americanos US$ 2 milhões, o ex-presidente da Federação Colombiana, Luis Bedoya, que abriu mão de todos os seus recursos num banco suíço, o empresário argentino Alejandro Burzaco, que pagou US$ 21 milhões por sua participação na corrupção na Copa América, além do ex-vice-presidente da Fifa, Jeff Webb, que desembolsou US$ 6,7 milhões.

Sem fim

Mas se no dia 27 de maio de 2015, a Fifa viveu um terremoto, com a prisão de sete cartolas em Zurique, o que o FBI descobriu nos meses seguintes é que os dirigentes continuaram a pedir e receber propinas, mesmo depois de ver seus colegas nas prisões.

Nas investigações, a Justiça americana se deparou com cenas, encontros e telefonemas entre dirigentes negociando propinas e até combinando formas para melhor esconder do FBI as transações. Para fontes próximas ao caso, isso apenas demonstra que a corrupção no futebol é "endêmica" e "sistemática".

"Em algumas instâncias, a conduta criminosa continuou mesmo depois das denúncias", indicou o Departamento de Justiça dos EUA. Nos dias 31 de maio e 5 de junho, a seleção de El Salvador disputou amistosos em Washington e no Chile. O empresário brasileiro Fabio Tordin, porém, havia fechado um acordo para pagar uma propina de US$ 5 mil por jogo para um dos dirigentes centro-americanos para que a partida pudesse ocorrer.

Com as prisões do dia 27 de maio, Tordin não fez o depósito. "Em resposta, o dirigente de El Salvador e aliados pressionaram Tordin de forma repetida para que fizesse o pagamento", indicou o documento oficial da Justiça. Isso ocorreu por telefone, cartas e viajando de El Salvador para os EUA para se reunir com o empresário.

Em outros casos, a ordem era criar formas para esconder a propina. "Em junho de 2015, Alfredo Hawit se tornou o presidente da Concacaf e vice-presidente da Fifa", indicou o indiciamento do Departamento de Justiça dos EUA. Ele ocuparia o cargo de Jeff Webb, preso em maio.

No dia 9 de julho, Tordin esteve com o cartola Brayan Jimenez, da Guatemala, em um encontro em Chicago. A reunião serviu para discutir como ele receberia a propina para as Eliminatórias para a Copa de 2022. Ao final do encontro, Jimenez disse: "Nada deve ser dito pelo telefone. Nada! Nada! Nada!".

Alfredo Hawit, presidente da Concacaf, detido na quinta-feira, parecia apenas querer esconder a propina, mesmo depois das prisões. "Após o indiciamento inicial de 27 de maio, Hawit direcionou um co-conspirador para criar contratos falsos com o objetivo de camuflar pagamentos de propinas e para que fizesse declarações falsas sobre esses pagamentos aos agentes da polícia".

Ele havia viajado meses antes em um jato privado para uma reunião em Punta del Leste, no Uruguai, para se encontrar com os empresários Hugo e Mariano Jinkis. Ao lado de outros dirigentes, ele concordou em influenciar a Concacaf para vender direitos de marketing para a empresa Full Play. Ele ficaria com US$ 250 mil pelo serviço, pagos em uma conta no Panamá.

No dia 1 de julho de 2015, já depois das prisões, um dos agentes da empresa se encontraria com Hawit e sua esposa, em Houston. O empresário se mostrava preocupado diante do indiciamento de Hugo e Mariano Jinkis e com a possibilidade de que eles cooperassem com a Justiça americana, denunciando o cartola também.

No encontro, a solução encontrada foi a de pedir que o agente mentisse ao FBI sobre a origem dos recursos. Um contrato falso de compra de um terreno em nome da esposa do dirigente ainda foi elaborado, indicando que o valor teria saído da aquisição de um terreno em Honduras.

Quando Hawit foi questionado semanas depois, ele ainda insistiu que o agente da Full Play não o pagou. "Ele comprou terras em Honduras, de minha esposa". Mas Rafael Salguero, cartola da Guatemala e que também recebeu US$ 100 mil no mesmo pacote, se mostrava preocupado e pediu que todos os envolvidos se reunissem para acertar uma estratégia. "Estamos todos na mesma merda", disse, segundo o documento da Justiça americana.

Na Conmebol, a situação não seria diferente. Um ex-tesoureiro da entidade, Romer Osuna, manteve sua posição no Comitê de Auditoria da Fifa mesmo depois das prisões e de saber que estava sendo investigado.

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