MUNDO
04/12/2015 18:38 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Estão morrendo mais americanos brancos e de meia-idade do que normal, afirma estudo

Spencer Platt via Getty Images
NEW YORK, NY - NOVEMBER 11: A man holds up an American Flag and a Prisoner of War (POW) flag during the nation's largest Veterans Day Parade in New York City on November 11, 2015 in New York City. Known as 'America's Parade' it features over 20,000 participants, including veterans of numerous eras, military units, businesses and high school bands and civic and youth groups. (Photo by Spencer Platt/Getty Images)

Os americanos brancos e de meia-idade estão morrendo em número crescente, e meio milhão de pessoas que não deveriam ter morrido morreram, segundo um novo estudo publicado pelo periódico Proceedings of the National Academy of Sciences. É que houve um aumento assustador no índice de mortalidade das pessoas na faixa dos 45 aos 54 anos.

Co-escrito por Anne Case e Angus Deaton, o estudo analisou os índices de mortalidade de homens e mulheres na faixa dos 45 aos 54 anos nos Estados Unidos, muitas vezes classificada como “meia-idade”.

Case e Deaton, ambos professores de economia na Universidade Princeton, compararam os dados obtidos com os índices de mortalidade de outras categorias raciais nacionais e com as de países igualmente ricos.

A longevidade dos americanos negros, hispânicos e mais velhos (65 anos ou mais) continua a crescer, assim como na Suécia, Austrália, Alemanha e outros países ricos, mas a dos americanos brancos de meia-idade, não.

Os resultados apontaram para um “aumento nítido” da mortalidade entre 1999 e 2013, e a tendência parece “ter revertido décadas de reduções de mortalidade, além de ser peculiar dos Estados Unidos”.

Os autores do estudo apontam que as pessoas com nível de instrução mais baixo também revelam tendência maior a morrer na meia-idade por suicídio e intoxicação com álcool ou drogas.

O estudo vinculou a elevação da mortalidade a uma série de questões problemáticas presentes em todos os setores da sociedade americana, incluindo o aumento do consumo de drogas e álcool e a elevação dos índices de suicídio. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, o índice de suicídios foi mais alto entre os homens brancos que em qualquer outro grupo demográfico em 2013.

Os autores também traçam um vínculo entre o aumento da disponibilidade de opiáceos, incluindo o problema crescente da heroína barata. Eles teorizam que o crescimento da “epidemia de dor, suicídio e overdoses de drogas” possa estar ligado à crise financeira de 2008 e dizem que muitos baby-boomers (pessoas nascidas entre 1946 e 1964) estão entre os primeiros a terem uma vida mais difícil que a de seus pais.

O Washington Post observa que essa elevação grande do índice de mortalidade em um grupo demográfico específico em um país desenvolvido é muito raro. Embora o índice de mortes de homens russos tenha subido depois do colapso da União Soviética, a longevidade geral vem aumentando desde a década de 1970.

Os autores do estudo dizem que, se a longevidade nos EUA tivesse aumentado de modo constante como em outros países, cerca de 500 mil pessoas ainda estariam vivas. Outras, confrontadas com a multiplicação de doenças como a cirrose hepática, vão “chegar à terceira idade, com atendimento pelo Medicare, com a saúde pior que a dos idosos atuais”, fato que pode onerar muito um sistema já sobrecarregado.

O Huffington Post pediu comentários dos autores do estudo.

Se estiver fora dos Estados Unidos, procure a International Association for Suicide Prevention (Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio) para encontrar um banco de dado de organizações internacionais que podem prestar assistência.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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