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04/12/2015 14:07 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Em clima de 'normalidade', Dilma Rousseff recebe o presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri

Estadão Conteúdo

Em meio a um clima de tensão política, Dilma Rousseff recebe nesta sexta-feira (4) o presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri. O encontro, a convite de Dilma, terá o formato de uma audiência, pois o argentino ainda não assumiu o cargo.

O novo chefe de Estado e de Governo do país vizinho toma posse no próximo dia 10. A viagem ocorre em meio a divergências entre Macri e Dilma em relação à adoção da cláusula democrática contra a Venezuela no âmbito do Mercosul. A cláusula democrática prevê desde a aplicação de sanções comerciais atá a suspensão do país acusado de romper a ordem democrática, mas precisa de consenso para ser aplicada.

Em sua primeira entrevista após a eleição, na semana passada, Macri prometeu invocar a cláusula "pelos abusos que [o governo venezuelano] está cometendo, como a perseguição de opositores e [a suspensão] da liberdade de expressão”.

No dia 30 de novembro, durante entrevista em Paris, onde participou da abertura da Conferência do Clima, a COP21, Dilma discordou de Macri sobre posicionamentos a serem tomados no âmbito do Mercosul. Ela disse que não vai apoiar a utilização da cláusula democrática, como pretende o argentino, com o objetivo de retaliar a Venezuela.

Segundo a mandatária, é necessário um fato determinado para que a medida seja adotada no bloco regional que reúne, além dos três países, o Paraguai e o Uruguai. A próxima cúpula de líderes do Mercosul está marcada para o dia 21 de dezembro, na capital paraguaia, Assunção.

Segundo a assessoria de imprensa da Presidência a intenção do encontro é tratar dos temas da agenda de integração bilateral, bem como de assuntos de interesse comum nos planos regional e internacional. O Brasil será o primeiro destino internacional do presidente eleito da Argentina.

Após a visita a Brasília, Macri segue para São Paulo, onde vai se reunir com empresários.

Impeachment

Segundo o jornal La Nación o processo de impeachment contra Dilma também foi assunto no encontro entre os dois.

Macri disse ao jornal que Dilma explicou "o que está passando na política local", e reafirmou seu compromisso em trabalhar em uma agenda do Mercosul.

"Fica claro que são dois processos paralelos", contou Macri.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a recepção ao presidente eleito também faz parte de uma tentativa de manter "uma certa normalidade no governo".

(Com informações da Agência Brasil)

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