NOTÍCIAS
04/12/2015 10:15 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Com metade da Câmara a seu favor, Dilma não correria riscos se votação do impeachment fosse hoje, aponta jornal O Globo

DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

A presidente Dilma Rousseff não correria o risco de ver avançar o pedido de impeachment na Câmara dos Deputados se a votação fosse hoje. É o que mostra um levantamento feito pelo jornal O Globo, que ouviu as lideranças dos 17 maiores partidos da Casa. A petista teria a seu favor ao menos 258 dos 513 deputados – 50,3% do total da Câmara.

A margem pode ser considerada confortável quando o assunto é o impeachment. O relatório a ser produzido pela Comissão Especial a ser formada pelos deputados será levado ao plenário da Câmara, e lá todos votarão pelo prosseguimento ou não do processo. Para barrar o andamento do impeachment, o governo precisaria de no mínimo 172 votos – um terço do total.

Contudo, segundo as lideranças dos maiores partidos da Câmara, o cenário atual dá ao governo uma ‘gordura’ de 86 votos a mais do que a margem mínima necessária. A atual situação justifica a pressa de Dilma e seus aliados em avançar rapidamente com a discussão do processo de impedimento, ao passo que a oposição tem opiniões divergentes sobre manter o recesso de fim de ano ou não, a fim de poder mobilizar as ruas a favor da saída da presidente.

De acordo com o levantamento de O Globo, a oposição só teria hoje 182 votos, bem distantes dos dois terços necessários (342 votos) para que o processo do impeachment avance na Câmara. O líder do DEM, Mendonça Filho (PE), disse ao HuffPost Brasil na quinta-feira (3) que há tempo para a oposição reunir os votos necessários até o momento da discussão no plenário.

A volatilidade, aliás, foi levantada por vários líderes de diversas bancadas. Salvo os dois polos distintos – DEM, PSDB, PPS e Solidariedade somam 99 votos pró-impeachment, enquanto PT, PCdoB e PSol, mais Rede e PDT levam aqueles contra o processo a um total de 100 –, os demais partidos e seus deputados podem votar segundo a maré vinda das ruas no momento.

Nenhum partido representa melhor as divergências internas do que o PMDB. Ao jornal, o líder da legenda Leonardo Picciani (RJ) afirmou acreditar que “60% dos peemedebistas são contra o impeachment”, contra 20% que seriam a favor e outros 20% de indecisos. Não se pode diminuir o poder de influência do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dentro do partido. Foi ele quem deflagrou o processo nesta semana e agora virou ‘inimigo público número 1’ do governo.

Com 65 membros, a Comissão Especial deve iniciar o seu trabalho na próxima segunda-feira (9), com PMDB e PT tendo direito a oito postos cada. Onze deputados virão da oposição (PSDB, PPS, PSB e SD), com os demais assentos pulverizados entre os demais partidos com representação na Câmara.

Enquanto a questão é analisada, o governo deve buscar apoio junto aos governadores, inclusive os de oposição, para ver enterrada a discussão o mais rápido possível. Já os opositores de Dilma apostam no agravamento da crise econômica para conquistar apoio popular e, consequentemente, ver uma virada dos votos hoje desfavoráveis.

rito impeachment

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS:


LEIA TAMBÉM

- O que o PMDB, partido de Cunha, vai fazer sobre o impeachment de Dilma?

- 'A presidente mentiu à Nação', reage Eduardo Cunha após indignação de Dilma com processo de impeachment

- Governo aposta nos aliados para barrar impeachment. Entenda a tramitação

- Dilma rebate Cunha: 'Não tenho contas no exterior, nunca coagi pessoas ou instituições'