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03/12/2015 09:51 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Em dia de novas prisões na Suíça por corrupção, Fifa abre processo contra Del Nero, presidente da CBF

FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO

Atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero está sendo investigado pelo Comitê de Ética da Fifa. Em caso de punição, o dirigente – que foi vice de José Maria Marin, um dos presos no mais recente escândalo do futebol mundial em maio – pode ser suspenso ou banido do esporte, além de ser obrigado a deixar o comando da CBF.

“Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o porta-voz da Fifa, Andreas Bantel, confirmou que o processo contra Del Nero foi aberto em 23 de novembro. A notícia é mais um revés para o presidente da CBF, que viu a CPI do Futebol, em andamento no Senado, aprovar a quebra do seu sigilo telefônico, além da quebra do sigilo de uma ex-namorada.

Desde o início das apurações envolvendo a corrupção na Fifa, Del Nero evita viajar ao exterior. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, na semana passada o cartola obrigou a Conmebol a realizar sua reunião no Rio de Janeiro para evitar uma nova viagem. No encontro, foi escolhido um substituto para seu lugar no Comitê Executivo da Fifa - Fernando Sarney assumirá a função.

Investigações

Nos Estados Unidos, a apuração sobre Del Nero se debruça sobre pagamentos feitos por José Hawilla, dono da Traffic. A Justiça aponta como o empresário brasileiro foi obrigado a compartilhar um contrato que tinha com a CBF para os direitos da Copa do Brasil com a Klefer a partir de 2011. Para o período entre 2015 e 2022, a Klefer pagaria à CBF R$ 128 milhões pelo torneio, minando a posição privilegiada que Hawilla tinha desde 1989.

Para evitar uma guerra comercial, Hawilla e a Klefer entraram em um entendimento. Mas só neste momento é que a Klefer informou que havia prometido o pagamento de uma propina anual a um cartola da CBF, cujo nome não foi revelado. Essa mesma propina teria de ser elevada a partir de 2012 quando dois outros membros da CBF entrariam em cena. Um deles é José Maria Marin, preso em Zurique e extraditado aos Estados Unidos. O outro, segundo os americanos, seria Del Nero.

Dois documentos revelados no dia 27 de maio pelo Departamento de Justiça dos EUA confirmam a suspeita. Del Nero nega que ele seja a pessoa indiretamente apontada nos informes. Num deles, um empresário "informa Hawilla que o pagamento de propinas aumentou quando outros dois executivos da CBF - especificamente o co-Conspirator #15 e co-Conspirator #16 - pediram propinas também".

O documento explica que o co-conspirador 15 era membro do alto escalão da CBF e membro da Fifa e da Conmebol - a descrição pode ser preenchida somente por José Maria Marin. Naquele momento, ele era o presidente da CBF, era membro da Fifa e da Conmebol. Já o co-conspirador 16 seria membro do alto escalão da Fifa e da CBF. Nesse caso, apenas Del Nero mantinha um cargo na CBF (vice-presidente) e na Fifa (membro do Comitê Executivo).

"Hawilla concordou em pagar metade do custo da propina, que totalizava R$ 2 milhões por ano, para ser dividido entre co-conspirator #13, co-conspirator #15, e co-conspirator #16", indicou o documento que pede o indiciamento do empresário.

O mesmo caso é contado no documento que serve de base para o indiciamento de José Maria Marin e, neste caso, o nome do ex-presidente da CBF é apresentado. No indiciamento, a Justiça traz até mesmo um diálogo entre Marin e Hawilla, em que o cartola insiste que o dinheiro precisa ir para ele também. A reunião gravada ocorreu nos EUA em abril de 2014.

No documento que cita Marin, Del Nero não é mencionado nominalmente na acusação. Mas a Justiça explica que um "co-conspirador 12" teria também recebido parte da propina. Esse co-conspirador 12 seria um "alto funcionário da Fifa e da CBF". Uma vez mais, apenas Del Nero se enquadra nessa descrição.

Novas prisões na Suíça

Autoridades suíças detiveram nesta quinta-feira (3) dois dirigentes da Fifa, em cumprimento a pedidos de prisão feitos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, informou a Justiça Federal da Suíça. As detenções foram feitas no hotel Baur au Lac, de Zurique, o mesmo onde decorreu a operação de maio.

"Eles estão sob custódia pendendo extradição", informou a Justiça em comunicado. "De acordo com os pedidos de prisão norte-americanos, eles são suspeitos de aceitar propinas de milhões de dólares". Os dois detidos seriam os cartolas Alfredo Hawit, de Honduras, e Juan Ángel Napout, do Paraguai, de acordo com informações do jornal The New York Times.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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