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03/12/2015 11:36 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

'A presidente mentiu à Nação', reage Eduardo Cunha após indignação de Dilma com processo de impeachment

Montagem/Estadão Conteúdo

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), reagiu às palavras da presidente Dilma Rousseff na manhã desta quinta-feira (3). O deputado acusou a petista de ter ‘mentido à Nação’ em seu pronunciamento na noite desta quarta-feira (2), horas após Cunha ter admitido um pedido de impeachment contra Dilma.

A presidente afirmou ter ficado ‘indignada’ com a decisão do peemedebista e que não aceitava fazer “barganhas que atentam contra o livre funcionamento das instituições democráticas”. Nesta quinta-feira, Cunha rebateu Dilma ao dizer que, ao contrário do que diz a petista, havia uma negociação momentos antes do anúncio de admissão do pedido na Câmara.

“Eu quero deixar bem claro que a presidente mentiu a Nação quando disse que o seu governo não autorizou qualquer barganha. Ela (Dilma) simplesmente estava participando de uma negociação, o ministro levou um deputado ao gabinete e lá a presidente queria que tivesse o comprometimento de aprovar a CPMF. Eu não sabia da presença do deputado e sequer do conteúdo do diálogo e simplesmente foi me trazida a proposta”.

A negociação em questão estaria sendo conduzida entre o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, e o deputado federal André Moura (PSC-CE) – este aliado de Cunha. O governo tentava obter garantias de votação e aprovação da CPMF na Câmara.

“André Moura que esteve com ela, levado pelo Wagner. A barganha veio sim, proposta pelo governo, e eu me recusei a aceitar. A presidente mentiu, esse é o ponto fundamental que eu queria dizer”, revelou Cunha, que garantiu que é ele quem não aceita chantagens ou barganhas. “É um governo que está habituado a barganhas”.

O presidente da Câmara negou querer os votos de petistas no Conselho de Ética, que analisa um pedido de cassação do seu mandato por quebra de decoro. “Sempre preferi não ter os votos do PT no Conselho de Ética”, emendou.

Wagner nega encontro de Moura e Dilma

O Palácio do Planalto enviou Jaques Wagner para rebater as palavras de Cunha. Em entrevista coletiva a jornalistas, o ministro-chefe da Casa Civil negou que Dilma tenha estado com André Moura e que quem mente sobre a barganha política é o peemedebista.

"O presidente da Câmara mentiu porque ele afirmou que ontem (quarta-feira) o deputado André Moura teria estado, levado por mim, com a presidente da República. O deputado André Moura não esteve com a presidente Dilma, esteve comigo", afirmou Wagner.

O ministro disse mais de uma vez que 'quem mentiu foi o presidente Eduardo Cunha' e que a admissão do pedido de impeachment não passa, de acordo com ele, de uma 'artificialidade' e que o peemedebista atua apenas para "paralisar o País e paralisar a vida do Congresso Nacional".

Cunha nega ‘guerra’

Apesar do tom da sua entrevista coletiva, Cunha garantiu que as suas palavras não representam que estaria declarando ‘guerra’ contra Dilma. O presidente da Câmara disse que não faria ‘ataques contra a presidente’, ironizando nas entrelinhas o fato da petista ter o atacado em seu discurso, ao falar que “não possui contas no exterior”.

O presidente da Câmara mencionou ainda que conversou brevemente com o vice-presidente Michel Temer (presidente licenciado do PMDB) e com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Em ambos os casos, ele informou que admitiria o pedido de impeachment. Com Renan, ele apontou que é preciso discutir um eventual avanço das discussões sobre o impeachment durante o recesso de fim de ano, algo que demanda uma definição por parte das duas casas.

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