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01/12/2015 20:26 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:35 -02

PT pede voto contra e aliados de Cunha protelam votação da abertura da investigação

ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO

Peça chave na votação que pode determinar a abertura de processo de quebra de decoro do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o PT pediu a seus três integrantes no Conselho de Ética a votar contra o peemedebista.

A decisão contraria a expectativa de sucesso da suposta chantagem que o presidente da Casa vinha fazendo. Os petistas pesavam a hipótese de que Cunha acatar um dos pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, caso o processo contra ele fosse aberto.

Pela análise de assessores ligados ao peemedebista, o placar pela admissibilidade poderia ser revertido, caso os petistas votassem pelo arquivamento.

O pedido petista pela admissibilidade veio do presidente da legenda, Rui Falcão, no Twitter.

“O partido não pode se render a chantagem de Cunha”, emendou Henrique Fontana (PT-RS) aos jornalistas que acompanhavam o colegiado. Segundo ele, é mais importante neste momento que o País continue. “Temos uma série de votações pela frente”, emendou.

A decisão desmonta a expectativa da defesa de Cunha de que o caso fosse arquivado imediatamente. Embora a votação ainda não tenha ocorrido, a previsão é que, com o voto dos petistas, a investigação seja aberta.

Nesta terça-feira (1º), no Conselho de ética, o advogado de Cunha no Conselho de Ética, Marcelo Nobre disse que Cunha não mentiu na CPI, quando disse que não tinha contra no exterior, nem deixou de declará-las no imposto de renda.

"Meu cliente não omitiu no seu Imposto de Renda os valores que ele detém num truste e não mentiu à CPI. Qual seria o interesse de se abrir um processo aonde já sabemos o fim? Não há a menor chance desse processo prosperar. Esse processo é natimorto. Abrir um processo para sangrar um deputado, para sangrar o presidente da Câmara, a defesa não pode concordar com isso".

Nobre insistiu que a denúncia não traz nenhuma prova.

“Quem condena é o judiciário. Denúncia não pode servir como prova sem a clareza do processo legal, Somente nessa clareza é que talvez as alegações venham a se comprovar, mas no devido processo legal. Da mesma forma que reclama da judicialização da política não podemos politizar a Justiça, com uma denúncia sem prova.”

Para a deputada Eliziane Gama (Rede-MA), a explicação do parlamentar “subestima a capacidade de raciocínio dos deputados”. Na avaliação dela, há provas contundentes contra o peemedebistas.

Até o início da noite desta terça-feira, o Conselho ainda debatia a orientação dos votos. Aliados de Cunha fizeram o possível para protelar a sessão.

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