LGBT
01/12/2015 10:37 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:35 -02

Impunidade faz banheiro virar mural de pichações racistas e homofóbicas na Unesp de Bauru

Mais um capítulo lamentável foi registrado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Bauru, no interior de São Paulo. O banheiro masculino do Departamento de Comunicação Social foi lacrado após servir como mural para pichações racistas e homofóbicas. O alvo são alunas do Coletivo Abre Alas, grupo feminista criado para discutir machismo, racismo, 'gordofobia' e relacionamento abusivo na universidade.

Fomos informadas hoje sobre pichações racistas, machistas e gordofóbicas no banheiro masculino do DCSO. Além de covarde,...

Posted by Coletivo Abre Alas on Segunda, 30 de novembro de 2015


As ofensas junto aos nomes das estudantes acontecem uma semana após a direção da Unesp apresentar um relatório final de um processo interno que investigou outra ocorrência de pichações racistas, em julho deste ano, que tiveram como alvo principal o professor Juarez Xavier, coordenador do curso de Jornalismo e do Núcleo Negro de Pesquisa e Extensão (Nupe). O relatório foi concluído com um pedido de desculpas da Unesp ao professor e aos alunos negros, mas sem punições.

“O fascismo volta a mostrar a cara na Unesp/Bauru. Agora, surgem pichações contra alunas do curso de comunicação social. Terminamos a apuração dos crimes de racismo. Temos que ter a mesma energia na denúncia e apuração dos crimes de ódio. Essas ações ofendem nossa consciência política e social”, escreveu o professor em sua página no Facebook.

Também na rede social, o Coletivo Abre Alas chamou a agressão de “covarde”, após o grupo sair “da posição de oprimidas que simplesmente silenciam, se calam, abaixam a cabeça e nos tornamos agentes”. E a promessa é de não recuar.

A postura foi a mesma adotada por duas das alunas citadas nas pichações. Thamires Motta, de 21 anos, deixou um recado claro ao autor das ofensas: “Queridinho racista, homofóbico, machista e lesbofóbico, tenho um péssimo recado pra você: você não vai conseguir nos desmoralizar. Pelo contrário, isso nos dá ainda mais fôlego pra destruir seus privilégios e fazer você sair chorando dessa universidade o quanto antes”.

Irônica a vida: você sai de manhã pra um bairro distante pra conversar com a molecada da periferia e propor uma revista...

Posted by Thamires Motta on Segunda, 30 de novembro de 2015


Já Nathália Rocha seguiu pela mesma linha. “Esse tipo de atitude machista, racista e covarde é resultado de toda uma construção histórica de silenciamento de minorias. A diferença é que agora não mais abaixaremos a cabeça. Vai ter ‪#‎bucetasfaac‬, sim. E muito mais: vai ter negras, trans, lésbicas. E estamos apenas começando”.

Há pouco tempo, em uma discussão, disse que, quando os oprimidos reagem, os opressores resolvem dar as caras. Antes...

Posted by Nathália Rocha on Segunda, 30 de novembro de 2015


Em nota divulgada por sua assessoria de comunicação, a Unesp de Bauru repudiou as pichações, as quais classificou como “um ato contra o Estado Democrático de Direito”. A instituição abriu um procedimento para investigar as pichações e punir os responsáveis.

Essa não é a primeira polemica envolvendo a Unesp neste ano. No início do ano, um aluno de engenharia do campus de Bauru morreu em uma festa organizada por estudantes. Já no campus de Botucatu, também no interior paulista, o uso de trajes que lembravam os da organização racista Klu Klux Klan criou polêmica em um trote organizado por alunos da Faculdade de Medicina.

(Com Estadão Conteúdo)