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30/11/2015 11:46 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Estudantes protestam nas principais ruas em São Paulo contra a reorganização de escolas

LUIZ CLÁUDIO BARBOSA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

Cerca de cem manifestantes, segundo o coletivo Jornalistas Livres, protestam na manhã desta segunda-feira (30) contra a reorganização das escolas do estado de São Paulo. Desde às 7h30, estudantes e apoiadores do movimento ocuparam o cruzamento da Avenida Faria Lima com a Rebouças, duas das principais vias na zona oeste da capital.

De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), o protesto provocou, no total, cerca de 17 km de congestionamento, atingindo as principais vias ao redor da Faria Lima, como a Marginal Pinheiros, a Professor Francisco Morato e a Eusébio Matoso.

Os manifestantes colocaram mesas e carteiras de sala de aula sobre a via. O corredor exclusivo de ônibus ficou totalmente paralisado nas vias próximas ao local da paralisação, o que forçou as pessoas a descerem dos ônibus e seguirem à pé.

O coletivo Território Livre publicou vídeos mostrando a Polícia Militar intervindo na manifestação e a resistência dos estudantes:

Polícia perde a linha e reprime manifestação dos estudantes que bloqueiam a Av. Rebouças e a Faria Lima. PM ameaça estudante dizendo "você já está conhecido"!

Posted by território livre on Segunda, 30 de novembro de 2015

Tudo parado! Até Alckmin recuar!

Posted by território livre on Segunda, 30 de novembro de 2015


Veja mais imagens da manifestação:

Manifestação dos estudantes na Faria Lima


Pelo menos 190 escolas em todo o estado estão ocupadas por estudantes que protestam contra a reorganização, que, segundo a Secretaria de Educação, prevê o fechamento de 94 instituições de ensino.

O governo defende que as escolas sejam fechadas para que cada uma seja segmentada em um só grupo do ciclo escolar (anos iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio).

"Guerra da informação"

No domingo (29), o chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Educação, Fernando Padula, se reuniu com dirigentes regionais de ensino para dar instruções de como desmobilizar as ocupações.

O site Jornalistas Livres divulgou áudio de parte dessa reunião em que ele defende a necessidade de adotar "tática de guerrilha" contra as invasões. Em um trecho, ele diz:

"Nessas questões de manipular, tem uma estratégia, tem método. O que vocês precisam fazer é informar. Fazer a guerra da informação (para convencer a sociedade), porque é isso o que desmobiliza o pessoal"

Secretaria de Educação prepara “guerra” contra as escolas em l...

PESSOAL! ATENÇÃO, ATENÇÃO! EXCLUSIVO!ESCOLAS EM LUTASecretaria de Educação prepara “guerra” contra as escolas em luta!Em reunião com 40 dirigentes de ensino, braço direito do secretário Herman anuncia que o decreto da “reorganização” sai na terça e lança estratégia para “isolar” e “desmoralizar” as escolas em luta, com o apoio da Polícia MilitarEscute abaixo o áudio da reunião. Por Laura Capriglione, especial para os Jornalistas Livres, às 14h de 29/11/2015Em reunião realizada agora há pouco, na antiga escola Normal Caetano de Campos, a primeira escola pública de São Paulo na era republicana, cerca de 40 dirigentes de ensino do Estado de São Paulo receberam instruções de Fernando Padula Novaes, chefe de gabinete do secretário Herman Jacobus Cornelis Voorwald, sobre como deverão agir a partir de amanhã para quebrar a resistência de alunos, professores e funcionários que estão em luta contra a reorganização escolar pretendida pelo governador Geraldo Alckmin.A reunião foi realizada em uma sala anexa ao próprio gabinete do secretário. Jornalistas Livres estavam lá e escutaram o chefe de gabinete anunciar para os dirigentes de ensino que o decreto da “reorganização sai na [próxima] terça-feira”. Segundo ele, “estava pronto na quinta passada (26/11) para o governador assinar”, mas pareceria que o governador não “tinha disposição para o diálogo”. A maioria na sala (todos “de confiança” do governo), suspirou de alívio, e Padula emendou: “Aí teremos o instrumento legal para a reorganização”.Trata-se de uma gravação esclarecedora, que merece ser ouvida em sua íntegra pelo que tem de revelador. Nela, o chefe de gabinete Padula repete inúmeras vezes que todos ali estão “em uma guerra”, que se trata de organizar “ações de guerra”, que “a gente vai brigar até o fim e vamos ganhar e vamos desmoralizar [quem está lutando contra a reorganização]”. Fala-se da estratégia de isolar as escolas em luta mais organizadas. Que o objetivo é mostrar que o “dialogômetro” do lado deles só aumenta, e que a radicalização está “do lado de lá”.Também importante foi o ponto em que o chefe de gabinete falou da estratégia de “consolidar” a reorganização. A idéia é ir realizando as transferências, normalmente, deixando “lá, no limite” aquela escola que estiver “invadida”. Segundo ele, o máximo que ocorrerá será que aquela escola “não começará as aulas como as demais”.A reunião mencionou também o papel de apoio que a Secretaria de Segurança Pública, do secretário Alexandre de Moraes, está tendo, fotografando as placas dos veículos estacionados nas proximidades das escolas, e identificando os seus proprietários. Com base nessas informações, a Secretaria de Educação pretende entrar com uma denúncia na Procuradoria Geral do Estado contra a Apeoesp.Padula contou como procurou o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, “A gente precisa procurar todo mundo, não é?”, dele recebendo a orientação para responder aos que se opõem à “reorganização”. “Vocês precisam responder”, teria dito dom Odilo ao chefe de gabinete do secretário Herman Jacobus Cornelis Voorwald. Dom Odilo teria afirmado ainda que “as ocupações nas escolas têm o objetivo de desviar o foco de Brasília”.Foi interessante notar que a mesma reunião que insistia em denunciar a presença de partidos e organizações radicais entre os meninos e meninas contou com o anúncio solene da presença de um militante do Movimento Ação Popular, ligado ao PSDB e presença frequente nas manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Posted by Jornalistas Livres on Domingo, 29 de novembro de 2015


Apesar de ter prometido a abertura de diálogo com a população, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) vai publicar na terça-feira (1º) o decreto que oficializa a reorganização do ensino paulista.

(Com informações Estadão Conteúdo)

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