ENTRETENIMENTO
27/11/2015 14:50 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Enganei todo mundo com meu projeto artístico em que fingia ser uma EDM

Reprodução


Dois anos atrás, eu estava de saco cheio da noite. Depois de iniciar minha vida adulta como promoter, não demorou muito para que eu começasse a desprezar este mundo "drogadito" onde tudo é superficial, os homens estão no comando — só aceitando as mulheres nos flyers, de calcinha — e as drogas são o lubrificante social capaz de manter as engrenagens funcionando. Além disso, me irritavam as hordas de DJs que eram venerados pelos promoters e donos de clubes, convencendo orgulhosamente o público de que eram músicos e artistas de verdade. A atitude deles trai as origens vanguardistas da música que eles tocam.

Mas eu estava ainda mais enojada com os DJs que contribuíam para a supercomercialização dessa música. Aqueles que são pagos para atirar bolos nos clubes (e em cima de cadeirantes) enquanto tocam sets pré-gravados. As massas se arrastam em bando para esses sets, desesperadas para serem entretidas. A música só importa na medida em que é necessário um drop previsível para dar à molecada ofegante uma deixa de quando eles devem jogar as mãos para cima e berrar coletivamente. É tudo entretenimento de massa, ao passo que o conteúdo e a cultura se tornaram completamente irrelevantes.

Leia: "Afinal o que É EDM?"

O fenômeno EDM — não o gênero, mas os megaeventos que nasceram a partir dele — é a expressão triste de uma geração para a qual a música não é mais cultura ou arte, mas apenas outro bem de consumo. O EDM não é nada além de espetáculo: boom boom e pirotecnia. É a versão carnavalesca da dance music.

Então me fiz uma pergunta: hoje em dia, o DJ é só um fantoche que toca música no palco e joga confetes na cara do seu público eufórico? Ele ainda precisa mesmo ter habilidades técnicas, agora que até um equipamento básico vem com um botão sync integrado? A discotecagem, em grande escala, não tem mais a ver com uma performance espalhafatosa do que com substância autêntica? Então junto com Tobias, um amigo da cena de clubes, decidi fazer meu próprio experimento e me tornar DJ de EDM. Alerta de spoiler: funcionou.

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