MULHERES
25/11/2015 16:35 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Tavi Gevinson: blogueira fala sobre a educação sexual e o Planned Parenthood: 'O sexo não deveria punir ninguém'

"Nos ensinaram que o sexo é algo ruim e que as mulheres deveriam ser punidas por participarem, de um jeito que os homens não são, e que os problemas sexuais físicos são uma espécie de castigo. Eu não concordo nem um pouco com isso e fico com bastante raiva com essa diferença. Acho que as mulheres e as pessoas de todos os sexos deveriam poder tomar a decisão que for mais certa para elas, para o seu corpo e para as suas vidas."

Ela pode parecer ter uma voz naturalmente tranquila e metódica, mas Tavi Gevinson sente muito raiva do sistema misógino que afeta as jovens mulheres e a relação que elas têm com a sua sexualidade em geral.

Aos 19, Gevinson é extremamente influente graças ao Rookie, um blog de moda e estilo que lançou aos 11 e que foi aperfeiçoado em forma de "revista feminista", quatro anos mais tarde.

E o que mais a revolta agora são os esforços do partido republicano para acabar com o Planned Parenthood, uma organização sem fins lucrativos que oferece serviços de saúde para mulheres, como métodos anticoncepcionais, abortos e exames para detecção de câncer de mama e câncer do colo do útero, para quase cinco milhões de mulheres no mundo todo.

"Uma das questões atuais que trata de mulheres jovens e pessoas de todos os sexos e que me preocupa muito é o voto para acabar com o financiamento do Planned Parenthood", disse Gevinson ao HuffPost Canada nos bastidores do Toronto's We Day, uma manifestação ativista de jovens onde ela fez um discurso.

Os serviços dessa instituição são destinados, em primeiro lugar, para mulheres e em sua maioria mulheres pobres.

O alvoroço republicano começou depois da divulgação de vídeos, agora já desmascarados, com intenção de mostrar funcionários do Planned Parenthood vendendo tecido fetal (mas, na verdade, eles estavam doando para pesquisas).

Os políticos de direita desde então vêm tentando com toda a força fechar a organização. Os republicanos no Congresso já passaram muitas leis para retirar o financiamento, a mais recente em 23 de outubro. Além disso, eles realizaram audiências, com mais ainda na lista de sentenças compostas pelos republicanos antiaborto.

Enquanto isso, meia dúzia de estados republicanos já votaram para acabar com o financiamento do Planned Parenthood e o governo do Texas, recentemente, até invadiu um escritório do centro de saúde atrás de registros médicos.

"O Planned Parenthood oferece muitos serviços importantes e planos para as pessoas que precisam e não conseguem ir a outro lugar, salvando assim muitas vidas", diz Gevinson. "As consequências de retirar o apoio financeiro do Planned Parenthood seriam fatais."

A batalha tem inclusive cruzado fronteiras, já que o presidente do gabinete de Ottawa escreveu no HuffPost Canada que o financiamento está cada vez menor graças à pressão de quem se opõe ao cuidado de saúde para as mulheres e a comunidade transgênero.

O novo currículo de educação sexual de Ontario, Canadá, tem provocado uma resposta similar de certas áreas. Desde protestos no Queen's Park até ações de pais que retiraram os filhos da escola, pois a ideia de ensinar as crianças sobre os seus corpos e sobre o consentimento têm se transformado em uma batalha feroz.

Gevinson diz aos pais que eles também precisam pensar um pouco mais sobre as vozes mais fortes que eles estão reforçando ao silenciar a conversa sobre sexo e consentimento.

"Eu tenho muita sorte pois eu fui educada em uma escola que tinha um programa de defesa pessoal para meninas. Era algo físico, mas também falava sobre relacionamentos abusivos e conversávamos sobre a autoestima e a imagem corporal.

Os garotos tinham aulas sobre os perigos escondidos na masculinidade e em ter que mascarar as suas emoções e aprendiam basicamente sobre o consentimento e como não machucar ninguém.

"Quando te oferecem tudo mastigadinho o seu impulso é querer se livrar disso. Por isso, era meio que uma piada na escola," admite, "mas eu acho que finalmente todas ficamos bem felizes de saber que esses assuntos eram tratados, como o não estuprar e outras cortesias humanas básicas".

E mesmo fazendo muita coisa através da sua revista online Rookie, Gevinson diz que a escola é provavelmente o melhor lugar para chegar até os adolescentes, especialmente quando os pais não têm essas conversas com eles.

"Às vezes eu ouço dos pais algo do estilo: 'Eu comprei o seu livro para minha filha e vi que falava de sexo.' Vem cá, as suas filhas já estão falando sobre sexo, talvez até fazendo sexo, pelo menos deixe que ela leia sobre isso de uma escritora que é literalmente uma ginecologista".

A censura não é uma resposta válida, diz ela, para mulheres de qualquer idade, e quanto antes elas estiverem abertas para falar sobre a sexualidade, mais benefício isso trará para a sociedade.

"Muita gente tem medo de falar sobre sexo e certamente existe uma tradição de silenciar as conversas sobre sexualidade feminina. Não esperamos que as mulheres sejam sexuais apesar de sermos tão frequentemente sexualizadas por todos," disse Gevinson, com um sorriso meio irônico.

"Quando essas conversas acontecem, existe uma corrente implícita na discussão que tem a ver com o desconforto que as mulheres têm sobre sua autonomia sexual e a forma como elas deveriam lidar com isso.

"O sexo não deveria ser um castigo."

(Tradução: Simone Palma)

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost CA e traduzido do inglês.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: