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25/11/2015 20:15 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Revista Nature condena distribuição de fosfoetanolamina no Brasil

Marcello Casal Jr. / Arquivo Agência Brasil

A Nature, publicação científica mais conceituada do mundo, condenou em editorial a liberação da fostoetanolamina no Brasil.

Por decisão da Justiça, a USP foi obrigada a fabricar e distribuir a suposta pílula anticâncer a pacientes sem que ela tenha passado por testes clínicos.

O editorial da Nature afirma que é improvável que a droga realmente seja um milagre, e classificou a situação brasileira de distribuição de substâncias experimentais como "extrema".

Manifesta preocupação com pacientes que deixam de fazer o tratamento indicado para apostar na promessa da fosfoetanolamina, e diz que sua liberação pela justiça pode criar precedentes perigosos para outras drogas.

"Um laboratório de universidade não é indústria e nem farmácia (...) Nem os benefícios ou os efeitos colaterais da substância são monitorados sistematicamente. Ordenar a uma universidade o abastecimento de uma droga é mostrar desdém para a importância de medidas de segurança", diz o artigo.

O texto prega, finalmente, que a Justiça brasileira "libere os pacientes da queda de braço legal" e mantenha a última decisão, de brecar a distribuição da fosfoetanolamina, até que seu potencial seja estudado.

Entenda

Apesar de não ter registro na Anvisa e nunca ter sido testada em humanos, a fosfoetanolamina era distribuída gratuitamente na USP-São Carlos, até que uma portaria do Instituto de Química proibiu a atividade.

Então, pacientes entraram em queda de braço judicial com a USP para obter a droga experimental. Após decisão do Tribunal de Justiça, a universidade passou a ser obrigada a fabricar e distribuir a substância. No início de novembro, porém, o TJ determinou a suspensão do fornecimento.

Em meio à polêmica e a um momento de forte ajuste fiscal, o governo federal anunciou investimento de R$ 10 milhões em pesquisas com a substância, valor bastante significativo para a ciência brasileira. O anúncio, visto como resultado de pressão política, foi alvo de críticas de pesquisadores e cientistas brasileiros.

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