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24/11/2015 18:52 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Pedido de vista dá mais tempo para Cunha no Conselho de Ética

CLAYTON DE SOUZA

Os aliados do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), conseguiram dar mais tempo para o parlamentar se defender do processo de quebra de decoro no Conselho de Ética.

Um pedido de vista feito pelo deputado Sérgio Brito (PSD-BA), acompanhado por outros parlamentares que se tornou um pedido coletivo, fez com a votação do parecer do deputado Fausto Pinato (PRB-SP) fosse adiada para próximo dia 1º de dezembro.

No voto, apresentado nesta terça-feira (24), Pinato pediu a continuidade das investigações contra Cunha. Ele alegou há fortes indícios de que o parlamentar recebeu vantagens indevidas, como foi ressaltado na representação apresentada pelo PSol e pela Rede.

“O arquivamento inicial da representação seria temerário e passaria para a sociedade a impressão de que este colegiado não atua com cautela.”

Pinato citou o pagamento de propina de US$ 5 milhões que o delator na Operação Lava Jato Julio Camargo diz ter feito ao parlamentar em uma conta no exterior.

Manobra

Esta não é a primeira vez que a votação do parecer de Pinato é adiada. Na semana passada, uma manobra, articulada por Cunha, suspendeu a reunião do colegiado. Foi aberta uma sessão deliberativa no plenário, o que impede que as comissões tomem qualquer decisão.

Parlamentares de oposição e independentes reagiram à manobra. Após Cunha impedir que a reunião do conselho continuasse, a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) fez um aparte caloroso no plenário, no qual perguntou ao presidente se ele estava com medo. Em seguida, ela fez um apelo para que os deputados deixassem o plenário. Os parlamentares saíram do local entoando palavras de ordem contra Cunha.

Suspeição de Pinato

Advogado de Cunha no Conselho de Ética, Marcelo Nobre pediu ao presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSD-BA), a troca do relator. Nobre alega que Pinato não poderia ter apresentado o voto antes de receber a defesa.

Inicialmente, Araújo rejeitou o pedido com o argumento de que não cabe questionamento sobre o mérito do voto na etapa do exame de admissibilidade.

Logo depois, porém, voltou atrás e disse que analisaria o pedido junto aos técnicos da Casa para avaliar se o regimento foi desrespeitado.

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