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19/11/2015 16:51 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Milhares de sudaneses estão em condições subumanas em campo de deslocados, denuncia MSF

A organização internacional Médicos sem Fronteiras denunciou, nesta semana, as condições precárias e subumanas em que cerca de 50 mil pessoas vivem em um campo de deslocados internos no Sudão do Sul.

Segundo a MSF, a grande quantidade de pessoas vivendo em péssimas condições, têm provocado surtos de pneumonia e de malária. A situação deve ficar ainda mais grave nos próximos meses.

As famílias que vivem nas piores áreas chegaram no campo de Malakal há três meses. São 16 mil pessoas que fugiram de conflitos, violência e desnutrição. Segundo a organização, a maioria desses deslocados viaja de noite, em pequenas canoas que navegam pelo Nilo. Em suas cidades, a assistência humanitária foi cortada há meses.

Nya Gaw, 40, está entre esses milhares de pessoas. Ela saiu de sua casa para dividir uma tenta com piso de chão batido com mais 55 pessoas. Atualmente, a mulher depende completamente da ajuda humanitária. Ela chegou ao campo com dois filhos, mas sua família hoje é ainda maior: ela adotou quatro outras crianças, que foram separadas dos pais durante o conflito que assola o país.

Independente dos seus vizinhos do norte há quatro anos, o Sudão do Sul está há dois anos imerso em uma guerra civil entre as duas principais etnias do país. O conflito já matou mais de 50 mil pessoas e provocou o deslocamento de mais de 1,5 milhão, cerca de 15% da população do país.

A família de Nya compartilha um berço e alguns colchões plásticos.As valas estreitas e os becos que separam a tenda de Nya dos outros ao seu redor estão cheios de lama e água parada. Segundo o relato da MSF há menos de quatro metros quadrados de espaço por pessoa nesse campo - menos de um sétimo do mínimo exigido pelas normas humanitárias internacionais, que recomendam um espaço de 30 metros quadrados..

"As condições de vida de Nya são uma receita para a doença", afirma o MSF. O número de pacientes tratados semanalmente pela organização triplicou desde junho.

"As enfermidades dos nossos pacientes está diretamente relacionada com as condições deploráveis em que vivem", comenta Mónica Camacho, responsável pelas operações do MSF no Sudão do Sul. No caso de crianças com menos de cinco anos, o número de consultas se multiplicou por cinco.

As condições sanitárias no campo também são terríveis: há menos de uma latrina para cada grupo de 70 pessoas, a água não é suficiente e, muitas vezes, os poucos chuveiros disponíveis, viram banheiros.

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