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19/11/2015 17:15 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Lama do Rio Doce faz Projeto Tamar transferir ninhos de tartarugas

Reprodução/Tamar

A lama resultante do rompimento das barragens em Mariana (MG) pode causar sérios problemas à fauna que depende do equilíbrio da foz do Rio Doce para se reproduzir.

A área da foz, na Praia de Comboios, é o único local de desova regular da tartaruga-gigante (também conhecida como tartaruga-de-couro) no Brasil.

E a Dermochelys coriacea atinge seu pico de depósito de ovos justamente em novembro.

Com a ameaça da chegada de grandes quantidades de lama, a equipe do Projeto Tamar de Regência, no Espírito Santo, está transferindo os ninhos de tartaruga-gigante, que está ameaçada de extinção, da área de desova.

Para piorar, devido à seca que assola a região, um banco de areia de cerca de 2 km se formou na boca da barra do rio, o que deve frear o escoamento da lama pra o mar e, consequentemente, dificultar sua diluição.

A prefeitura de Linhares, distrito onde fica a foz do Rio Doce, já estava planejando abrir a barra para facilitar a travessia de pescadores. Agora, a obra deve ser acelerada.

"A melhor alternativa realmente seria deixar que essa lama escoasse para o mar, para que fosse diluída. Não se tem ideia dos efeitos ambientais que ela pode causar, isso é medido a longo prazo. O que estamos fazendo é mover os ninhos em caráter emergencial", diz Denise Rieth, bióloga e coordenadora técnica do Tamar de Regência.

tartaruga de couro 1

Em setembro, 840 ovos distribuídos em 17 ninhos de tartaruga já haviam sido movidos de lugar por causa da seca.

Agora, estão sendo levados para longe da área de escoamento da lama em distâncias de até 5km.

Não há, ainda, avaliação sobre os impacto dos elementos tóxicos presentes na lama sobre o ciclo reprodutivo das tartarugas.

"Ainda não temos conhecimento dos exames, mas tudo o que é tóxico vai gerar algum impacto", diz Denise.

A tartaruga-gigante está criticamente ameaçada de extinção no Brasil, e em situação vulnerável no mundo. Vive na zona oceânica na maior parte da vida, mas volta à praia para desovar. Chega a quase 1,80 m de comprimento de carapaça, e pesa em média 400 kg.

tartaruga de couro

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