MULHERES
18/11/2015 16:01 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Em Brasília, confusão atrapalha Marcha das Mulheres Negras após policial disparar para o alto

Estadão Conteúdo

"A nossa luta é todo dia contra o machismo, racismo e homofobia." Esse é um dos gritos entoados ao som da bateria pelas mulheres negras de todo o País que se reúnem nesta quarta-feira (18), em Brasília, na 1ª Marcha Nacional das Mulheres Negras.


No começo da tarde, barulhos de tiro foram ouvidos e uma confusão com manifestantes pró-militares se instalou na frente do Congresso Nacional. O jornal Brasil de Fato, em seu Facebook, publicou um vídeo do momento:

URGENTE | Vídeo gravado por nossa equipe de reportagem há pouco na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, mostra...

Posted by Brasil de Fato on Quarta, 18 de novembro de 2015


Ao HuffPost Brasil, Marcelle Esteves, uma das organizadoras da comissão do Rio de Janeiro, relatou:

"Isso [a marcha] é uma coisa difícil de aceitar tanto que os militares acampados no Congresso se exaltaram e agrediram. As mulheres responderam à altura. Teve mulher que recebeu um soco na cara. Sabíamos que nisso ia acontecer pelo racismo. Uma vez que mulheres que sempre foram banidas respondem, revidam as provações, eles não aceitam. Mas conseguimos chamar as mulheres e vamos seguir nossa caminhada."

O perfil no Twitter da CUT (Central Única dos Trabalhadores), em Brasília, também informou momentos de tensão:



Momentos depois, o site G1 informou que um policial civil foi preso por disparar quatro tiros para o alto. O homem estaria participando de um acampamento próximo ao Congresso com pessoas reivindicando o retorno dos militares ao poder.

De acordo com o G1, ele se sentiu "ameaçado" pelas mulheres e, por isso, efetuou os disparos.

Protesto

As manifestantes saíram da região central da cidade em direção à Praça dos Três Poderes às 9h.

Pela manhã, a organização estimou que dez mil pessoas estavam presentes na marcha. Já a Polícia Militar do Distrito Federal falou em quatro mil pessoas.

No começo da tarde desta quarta-feira (18), a organização informou ao HuffPost Brasil que 20 mil pessoas estavam presentes e a PM estimava dez mil manifestantes.

"Nossa marcha é pelo bem viver, por reconhecimento, por participação das mulheres negras. Contra o machismo e o racismo", ressaltou Marcelle Esteves.

Marcha das Mulheres Negras | Caminhada chega à Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF). "Mulher preta é o poder, nós somos o poder" são as palavras de ordem de mais de dez mil mulheres que se dirigem ao Congresso Nacional.

Posted by Brasil de Fato on Quarta, 18 de novembro de 2015


Esta é a primeira vez que a marcha nacional acontece. O objetivo é reunir o máximo de organizações de mulheres negras, assim como outras entidades do movimento negro e mobilizar essas pessoas para defender a cidadania plena das negras brasileiras. A ideia é aproveitar o 20 de novembro, próxima sexta-feira, em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra.

"Vim com uma comitiva do Pará para denunciar o Brasil racista, Brasil agressor que tem ser combatido. Estamos marchando contra o machismo, a violência, o feminicídio, por justiça. O Brasil tem que mostrar sua cara de agressão e é preciso lutar contra, as mulheres têm que invadir as ruas, mostrar sua cara, sua força", disse a professora Fátima Wilma, do coletivo Sedenta, do Pará, 47 anos ao HuffPost.

Segundo informações da EBC, devem se juntar às brasileiras a diretora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, ex-vice presidenta da África do Sul, e a ex-integrante do grupo Panteras Negras e do Partido Comunista dos Estados Unidos, Angela Davis. Também é esperada a participação de Gloria Jean Watkins, mais conhecida pelo pseudônimo bell hooks, autora, feminista e ativista social norte-americana.


Por volta das 15h30, a manifestação começou a se dispersar. Algumas das manifestantes foram ao encontro da presidente Dilma Rousseff.


Elas marcham por direitos!

Dados do último Censo (2010) indicam que as mulheres negras são 25,5% da população brasileira (48,6 milhões de pessoas) e são as maiores vítimas de crimes violentos.

De 2003 para 2013, o assassinato de mulheres negras cresceu 54,2%, segundo o Mapa de Violência 2015: Homicídios de Mulheres no Brasil. Em um ano, morreram assassinadas 66,7% mais mulheres negras do que brancas no Brasil.

*Esta nota será atualizada com novas informações.

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1ª Marcha das Mulheres Negras em Brasília

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