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19/11/2015 02:13 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Em ano de crise, sites antecipam promoções e promovem Black Friday o mês inteiro

Associate Press

Apesar da tradição não ser genuinamente brasileira, é na Black Friday (última sexta-feira de novembro em que as lojas dos Estados Unidos fazem promoções expressivas) em que foram depositadas as últimas esperanças do comércio para alavancar as vendas, que têm registrado quedas históricas desde que a crise econômica começou a apertar o bolso do brasileiro.

Neste ano, nenhuma data comemorativa conseguiu decolar as vendas dos lojistas. Todas -- até mesmo o Dia das Mães, segunda melhor data para o comércio -- apresentaram vendas abaixo das registradas no ano passado.

Agora, as expectativas estão na Black Friday e, para acabar com os estoques, vale tudo (mesmo)... Frete grátis, descontos "arrasadores", parcelamento a perder de vista e até "internet de graça".

Isso não parece ser o bastante, contudo. O desespero parece ser tão grande que as promoções foram além da própria sexta-feira e muitas lojas estenderam os descontos para o mês inteiro. A iniciativa é não represar as vendas num só dia e, é claro, tentar aumentar o lucro.

O Black Month (em vez do Black Friday) teve adesão de empresas de diversos setores do Brasil, de produtos de beleza ao mercado imobiliário.

O Hotel Urbano, por exemplo, promove o "Black November" e oferece descontos de mais de 70% em pacotes para diversas regiões do Brasil e para o exterior. Com o aumento do dólar e queda nos gastos no exterior, as ofertas têm se intensificado e as condições de pagamento também -- o Hotel Urbano, por exemplo, parcela em até 12 vezes todas suas promoções, que já estão disponíveis.

Pacote com duas diárias para Praia Bela, na Paraíba, foi de R$ 360 para R$ 99 para duas pessoas.

A Sephora também decidiu surfar na onda da Black Friday em todo o novembro e criou o "Esquenta Black Friday", com descontos de 20% a 60% em perfumes, maquiagens e produtos de higiene pessoal.

Além de estender as promoções, a marca francesa de cosméticos parcela "toda a loja" em dez vezes sem juros e dará amostras grátis para quem gastar a partir de R$ 150 na loja online.

Para alavancar as vendas, a Dafiti também está fazendo um "Esquenta Black Friday", com ofertas todos os dias antes da sexta-feira do dia 27. A Netshoes também está com promoções de até 80% em novembro inteiro, com ações "compre 2 e leve 3".

A Black Friday chegou mais cedo também no portal imobiliário VivaReal, que desde o dia 3 vem oferecendo descontos de 5% a 50% nos preços de 400 imóveis de 30 incorporadoras, espalhados por mais de 20 cidades. Esta é a segunda edição da VivaReal no evento e os descontos chegam a R$ 450.946.

A "queima de estoque" não está voltada apenas para o consumo. Para aproveitar o mês das promoções, tem até microfranquia com descontos para quem quer abrir o próprio negócio.

A Camisetas da Hora, microfranquia online de camisetas personalizadas, oferece descontos de até 30% no valor do investimento aos novos franqueados. A "promoção" vai durar até o dia 27 deste mês e o futuro empresário pode até fazer um test drive antes de fechar o negócio. A marca possibilita realizar uma semana de teste com uma loja online provisória.

“O objetivo do teste é que o empreendedor experimente o dia a dia do trabalho, observando não apenas as possibilidades de resultado, mas também se ele combina com o tipo de negócio”, destaca Marcelo Ostia, fundador da empresa.

"Black Fraude" aqui não!

Todos os anos, a megapromoção é alvo de milhares de reclamações nas redes sociais e em sites de defesa do consumidor, como o Procon e o ReclameAqui. Neste ano, tanto o comércio eletrônico como o físico devem ser mais cautelosos e priorizar queimar os estoques, observa a consultora de varejo Fátima Bana, mestre em comportamento digital do consumidor.

"A Black Friday amadureceu no Brasil. Hoje é realmente uma promoção: existem organizações que monitoram a variação dos preços e a reputação da empresa, há o selo da Black Friday, da camara-e.net, que mostra que aquele site é confiável", conta. "Este ano, o comércio está desesperado. Terá frete grátis e até varejista que vai 'bancar' internet pro consumidor que quer comprar algo online e está sem internet móvel."

Segundo estudo da E-bit, unidade especializada em informações do comércio eletrônico do Buscapé, oito em cada dez consumidores online pretendem aproveitar alguma promoção na data.

Outra pesquisa do comparador de preços Zoom mostra que os smartphones são os produtos mais desejados pelos consumidores. Mais da metade dos entrevistados gostariam de comprar um na Black Friday.

As TVs, eletrodomésticos e notebooks aparecem em seguida, com 43%, 33% e 27% de intenção de compra, respectivamente.

“O varejo está apostando suas fichas no evento para liquidar seus estoques e isso gera ainda mais expectativa de que será possível encontrar boas oportunidades de compra”, conta Thiago Flores, diretor executivo do Zoom.

Mesmo assim, todo cuidado é pouco para evitar dor de cabeça durante e depois de adquirir um produto. A especialista e consultora de varejo Fátima Bana elencou algumas dicas para você não cair em roubadas nesta Black Friday. Veja:

7 dicas para aproveitar a Black Friday

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